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DIFERENÇA

Botijão do gás de cozinha custa R$ 26 nas refinarias e R$ 70 ao consumidor

Com preços congelados desde o início da pandemia, produto varia entre R$ 60 e R$ 95 no Estado
11/08/2020 09:30 - Súzan Benites


O preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha, mantém as mesmas médias de preços de antes da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) em Mato Grosso do Sul. 

Conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em março o produto custava, em média, R$ 72,16 para o consumidor; já em agosto a média é de R$ 72,02.

O preço médio do GLP varia 50% em Mato Grosso do Sul. O menor valor praticado é de R$ 60 e o maior R$ 95, diferença de R$ 35 entre os locais pesquisados.

Apesar de manter os valores ao consumidor, nas refinarias o preço variou R$ 5,55. Em meados de março, o botijão de 13 kg custava R$ 21 nas refinarias da Petrobras, saía das distribuidoras por R$ 53,59 e chegava aos consumidores por R$ 72,16. 

Entre março e agosto a estatal anunciou cinco reajustes no preço do GLP. O último aumento anunciado no fim de julho foi de 5%. 

Com isso, o preço médio da estatal para as distribuidoras do produto é equivalente a R$ 26,55. O valor entregue pelas distribuidoras é de R$ 54,93 e a média praticada pelas revendas é de R$ 72,02, praticamente a mesma média de março.

Segundo a Petrobras, a diferença entre os valores praticados pela petroleira e os que chegam ao consumidor mudam em razão do processo. 

“As distribuidoras são responsáveis pelo envase em diferentes tipos de botijão e, com as revendas, são responsáveis pelos preços ao consumidor final”, explicou.

De acordo com o presidente do Sindicato das Micro, Pequenas Empresas e Revendedores Autônomos de GLP, Gás Canalizado e Similares do Estado (Simpergasc-MS), Vilson de Lima, para que os preços fossem mantidos, empresários diminuíram a margem de lucro. 

“As vendas nessa época do ano são estáveis, o preço médio na Capital é de R$ 70. Os revendedores, baixaram suas margens, estão trabalhando no vermelho”, explicou

Variação

Dados da ANP apontam que entre os municípios, Nova Andradina tem o menor custo médio do gás de cozinha, a R$ 64,55, variando entre o mínimo de R$ 60 e máximo de R$ 75. 

Já o maior valor praticado em Mato Grosso do Sul foi registrado em Corumbá, onde o produto foi encontrado a R$ 95 em todos os locais pesquisados.  

Segundo o representante das revendedoras, a variação de preços entre as cidades se dá por causa da logística. 

“Depende da logística, o quanto as empresas estão longe da central. O gás sai de São Paulo, vem até Campo Grande, é envasado em botijões e é distribuído pelo Estado. Cada cidade tem uma distância, e cada distância tem um valor de frete. E cada empresa tem um centro de custos, que são despesas variadas, então cada comércio estipula seu valor com base nas despesas”, informou Lima.  

Em Campo Grande, conforme a ANP, o preço médio do gás é de R$ 70,58, com o valor mínimo praticado a R$ 60 e o máximo chegando a R$ 85. Na região sul do Estado, Dourados comercializa o botijão de 13 kg por R$ 72,63 em média, enquanto em Ponta Porã o gás de cozinha é comercializado a R$ 70.  

O gás de cozinha varia entre R$ 70 e R$ 75 em Três Lagoas, com preço médio de R$ 71,43. Em Coxim, o valor médio praticado é de R$ 85,17, variando entre o mínimo de R$ 80 e o máximo a R$ 90.

 
 

Queda

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse na sexta-feira (7) durante live que o preço do gás de cozinha vai ficar mais barato. “O preço do botijão vai cair muito, porque nós estamos adotando ações para tornar a concorrência maior no setor”.

Conforme informações de agências de notícias, Albuquerque afirmou que o produto está disponível em abundância no Brasil, por isso o preço deve registrar queda. “Muitas pessoas estocaram o botijão por causa da pandemia e o próprio revendedor se aproveitou dessa situação, mas agora o consumo já caiu um pouco”, disse o ministro.

E ainda destacou que o botijão de 13 kg, que é comprado por R$ 70, custa entre R$ 25,00 e R$ 27,00 nas refinarias e o valor elevado que chega ao consumidor é de responsabilidade das distribuidoras e vendedores.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no mês passado que o preço pode cair até 50% com a abertura do mercado do setor no País. 

Em junho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou resolução com diretrizes para dar início à abertura do mercado de gás no Brasil.

Hoje, a Petrobras detém o controle tanto da produção como da distribuição do gás no Brasil. Apesar deste monopólio estatal já ter sido quebrado na legislação em 1997, a abertura para novas empresas não havia sido concretizada.

“Estamos dando um choque da energia barata, quebrando um duplo monopólio, tanto na extração e refino quanto na distribuição do gás. Essa maior competição em petróleo e gás, aceleração do ritmo de extração desses recursos naturais, vai acabar chegando no botijão de gás da família, diminuindo em 30%, 40%, até 50% o custo do gás lá no final da linha”, disse Guedes.  

Abastecimento

O abastecimento de gás de cozinha é uma preocupação do mercado após venda de refinarias da Petrobras. 

A empresa deve vender oito de suas unidades, que respondem por 39% do GLP nacional. A coordenação da oferta do produto passará a ser responsabilidade da ANP.

 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!