Economia

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Brasil tem 45 milhões de desbancarizados, diz pesquisa

Eles movimentam R$ 817 bilhões por ano

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Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revela a existência no Brasil de 45 milhões de desbancarizados, ou seja, brasileiros que não movimentam a conta bancária há mais de seis meses ou que optaram por não ter conta em banco. Isso significa que de cada três brasileiros, um não possui conta bancária. De acordo com a sondagem, esse grupo movimenta anualmente no país mais de R$ 800 bilhões.

Na avaliação do presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a conclusão evidente do levantamento é que o Brasil sairia mais rápido da crise econômica se a bancarização crescesse. “É muito ruim para a economia brasileira. Ficou definido na pesquisa que os bancos que operam no país ainda não falam com uma parcela significativa da população e que muitas dessas pessoas que não têm conta em banco são empreendedores, entre os quais ambulantes e trabalhadores autônomos, que precisariam estar mais inseridos na economia formal.

Meirelles explicou que como essas pessoas não têm acesso ao crédito, precisam esperar até três anos para juntar dinheiro suficiente para comprar uma geladeira, um aparelho celular ou trocar de televisão, por exemplo. Se tivessem acesso ao crédito, poderiam parcelar essas compras de modo a ter hoje esse bem. Segundo ele, isso faz a economia girar. Com essa parcela gigantesca de desbancarizados, Meirelles estimou que a economia brasileira vai demorar ainda um tempo para reaquecer.

MULHERES

Realizada em maio deste ano com 2.150 brasileiros de 16 anos ou mais em 71 cidades do país, a pesquisa mostra que os desbancarizados representam 29% da população adulta do Brasil. Seis em cada dez desbancarizados são mulheres, isto é, a parcela feminina representa 59% do total, contra 41% de homens.

Sete em cada dez, ou 69% do total consultado, são negros ou pardos, contra 29% de brancos e 2% de amarelos e indígenas. “São, em grande parte, da população mais pobre, mais mulheres, com uma parcela maior de negros também”, disse Meirelles. Segundo analisou, os bancos tal como atuam hoje não respondem à demanda da maioria dessas pessoas, para as quais o dinheiro vivo, em espécie, é mais importante.

CLASSES ECONÔMICAS

Oitenta e seis por cento dos desbancarizados estão concentrados nas classes econômicas C, D e E, que é a parcela da população menos conectada e com maior informalidade de trabalho. Desses, 49% estão na classe média (C). Dos 45 milhões de desbancarizados, 58% têm apenas o ensino fundamental ou não têm instrução; 31% disseram ter recebido algum empréstimo e 45% informaram ter recorrido a familiares e 25% a amigos. Somente 24% recorreram a bancos ou financeiras para obter um financiamento ou empréstimo.

Sessenta e nove por cento dos desbancarizados compram fiado, isto é, deixam para pagar suas compras no final do mês e 51% confessaram já ter usado o cartão de crédito emprestado de outra pessoa. Conforme explicou Renato Meirelles, a preferência por comprar no pequeno varejo é devido ao maior desconto que essas pessoas conseguem. Muitos são ex-bancarizados que não tiveram boas experiências como clientes de bancos e não acham que o dinheiro deles está bem guardado em bancos. A respeito da movimentação financeira dessa parcela dos brasileiros, que alcança R$ 817 bilhões de reais, Meirelles brincou que “é muito dinheiro para estar debaixo do colchão”.

DINHEIRO VIVO

Em geral, essas pessoas são de baixa renda e realizam trabalhos esporádicos, pelos quais preferem receber em dinheiro vivo. Do total de desbancarizados, 62% moram no interior, sendo que quase quatro em cada dez moram no Nordeste (39%). Meirelles explicou que embora o Sudeste seja a maior região do país em nível populacional, não reúne a maior parcela da população desbancarizada. “Quanto mais no interior e mais no Nordeste, maior é a presença da caderneta de fiado, ou caderneta de crédito que teve origem no varejo”.

Metade (50%) dos desbancarizados está na faixa de 16 a 34 anos, com idade média de 37 anos. Doze por cento, apesar de não terem conta em banco, têm cartão de crédito, às vezes mais de um, enquanto 75% evitam ao máximo recorrer a bancos. A falta de dinheiro é o motivo apontado por 31% dessa fatia da população brasileira para não ter conta em banco e 29% preferem usar dinheiro em espécie; 49% não confiam nos bancos.

Renato Meirelles foi fundador e presidente do Data Favela e do Data Popular, onde conduziu diversos estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro, atendendo às maiores empresas do Brasil. Em 2012, Renato fez parte da comissão que estudou a Nova Classe Média Brasileira, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Fundo de Financiamento

Comissão aprova mais R$ 192 milhões em investimentos nos setores rural e empresarial

Desde o mês passado, já foram aprovados 113 pedidos de financiamento

12/02/2026 15h30

Em 2026 já foram aprovados 113 cartas-consulta

Em 2026 já foram aprovados 113 cartas-consulta FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Os membros do Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste (CEIF/FCO) aprovaram, nesta quinta-feira (12) 40 cartas-consultas de projetos de 23 municípios do Estado. 

O maior investimento requerido foi para o financiamento de uma fábrica de ração para porcos no município de Sidrolândia, no valor de R$99,97 milhões. O valor total do projeto está orçado em R$ 133,89 milhões. 

Durante a reunião, a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) anunciou o montante de R$ 500 milhões pelo Fundo de Desenvolvimento do Centro Oeste (FDCO) exclusivo para o financiamento de projetos de infraestrutura, logística, serviços públicos e grandes empreendimentos produtivos. 

Segundo o secretário Jaime Verruck, ainda há a expectativa de injeção de mais R$ 700 milhões para a mesma finalidade através do Banco do BRICS, grupo de países emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Aprovações

Das 40 cartas-consultas aprovadas, 33 foram destinadas à linha FCO Rural em valores que totalizam R$ 170.948.222,59. As outras 7 foram para a linha FCO Empresarial, no valor de R$ 21.284.926,36, com a maior demanda para o setor de Comércio e Serviços, com 5 cartas aprovadas. A Indústria e a Ciência e Tecnologia tiveram uma carta consulta aprovada cada. 

No setor Rural, a maior demanda foi para a compra de máquinas agrícolas, com 12 cartas aprovadas. Em seguida, vem a reforma de pastagem e aquisição de matrizes bovinas, com cinco cartas cada; correção de solo e benfeitorias rurais, com três cada consultas cada; projetos de irrigação teve duas cartas aprovadas e projetos de suinocultura, indústria cooperativa e energia fotovoltaica, um financiamento cada. 

Ao todo, já foram aprovados 113 pedidos de financiamento ao CEIF/FCO no valor total de R$ 321.533.685,24, sendo 88 na linha FCO Rural e 25 na linha FCO Empresarial. 

“Importante ponderar que 75% desses financiamentos foram para investimentos na área rural, o que é positivo pois mostra a demanda aquecida no campo, considerando que Mato Grosso do Sul tem nesse setor a base forte de sua economia. Entretanto, continuamos os esforços para divulgar a linha do FCO Empresarial, que por enquanto só detém 25% do montante aprovado”, completou Verruck.

Em 2025 foram injetados R$ 3,240 bilhões pelo Fundo no Estado, um valor recorde, tendo forte demanda do setor rural, que concentrou 75% dos recursos disponibilizados, índice acima da média verificada em anos anteriores, quando a distribuição ficava em torno de 60% para o FCO Rural e 40% para o FCO Empresarial. 

Inicialmente, o repasse da Sudeco para Mato Grosso do Sul foi de R$ 2,7 bilhões, mas o aumento da demanda levou ao reajuste do valor até atingir R$ 3,2 bilhões. 

Para 2026

O volume já aprovado do FCO para Mato Grosso do Sul em 2026 é de R$ 3,1 bilhões. Metade será aplicado no setor empresarial, voltado à indústria, comércio, serviços e turismo, enquanto a outra metade, será destinada às atividades do setor rural. 

O valor representa um aumento de 14% em relação ao volume inicial de 2025, já que o Estado foi o único da região que precisou de novos aportes porque o valor disponibilizado inicialmente foi insuficiente para atender às demandas, como afirmou o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Rogério Beretta.

“Fomos o único Estado da região que precisou de novos aportes de recursos porque o valor disponibilizado foi insuficiente para atender a demanda”, ponderou, já prevendo que o valor reservado para 2026 seja reajustado no segundo semestre para atender a demanda.

Como ter acesso ao FCO

Para solicitar o financiamento por meio do FCO, é necessário ser produtor rural ou empresário (de micro a grande porte) e desenvolver suas atividades nos estados da região Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás ou no Distrito Federal). 

Os interessados em obter financiamento com recursos do Fundo devem procurar o Banco do Brasil S/A ou uma das Instituições Credenciadas: 

  • Banco Cooperativo do Brasil S.A – BANCOOB; 
  • Banco de Brasília S.A – BRB; 
  • Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE; 
  • Cooperativa de Crédito Rural – CREDICOAMO; 
  • Cooperativa Central de Crédito Rural com Interação Solidária – CENTRAL CRESOL SICOPER; 
  • Agência de Fomento de Goiás S.A – GOIÁSFOMENTO; 
  • Agência de Fomento de Estado de Mato Grosso S.A – MT FOMENTO; e 
  • Banco Cooperativo SICREDI S.A. 
  • UNICRED-MT (Cooperativa De Crédito dos Médicos, Profissionais Da Saúde e Empresários de Mato Grosso)
  • Caixa Econômica Federal

Desde 2023, todas as cartas-consultas com propostas de empreendimentos tanto no setor Rural quanto no setor Empresarial podem ser preenchidas e enviadas de modo digital no site da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). 


 

PMS | IBGE

Volume de serviços em MS fecha 2025 com números preocupantes

Apesar da estabilidade se comparado com igual período do ano anterior, dois últimos meses apresentaram tendência de queda em Mato Grosso do Sul

12/02/2026 12h30

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%)

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%) Marcelo Victor/Correio do Estado

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Nesta quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe os resultados de dezembro da chamada Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicando que esse índice em Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com números preocupantes em uma tendência de queda no setor nos dois últimos meses. 

Ainda que o próprio índice nacional tenha fechado dezembro com recuo, menos 0,4% frente a novembro no País, a queda para Mato Grosso do Sul foi de -5,2% no setor no último mês de 2025, com o segundo indicador, do comparativo com o mesmo período do ano anterior mostrando certa estabilidade. 

Enquanto na série sem ajuste sazonal, comparado com dezembro de 2024, Mato Grosso do Sul anota uma alta de 2,2%, esse índice nacional fechou mais de um ponto percentual acima (3,4%), segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. 

Nacionalmente, o recuo de 0,4% da Pesquisa Mensal de Serviços prestados entre novembro e dezembro, foi sentido em três das cinco atividades, principalmente influenciado pela queda nos de 3,1% nos transportes. 

Nessa atividade específica, segundo dados da PMS, os recuos foram registrados em todos os segmentos investigados, sendo: 

  • (-5,5%) - Aéreo; 
  • (-4,9%) - Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio; 
  • (-1,7%) - Terrestre e
  • (-1,4%) - Aquaviário.

O índice do volume de serviços foi também influenciado pelas quedas em: outros serviços (-3,4%) e de serviços profissionais e administrativos (-0,3%), com as taxas positivas ficando a cargo apenas do setor de informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%). 

PMS em números

Para além do recuo de 5,2% entre novembro e dezembro do ano passado, e da alta de 2,2% no comparativo do último mês de 2024 e 2025, os dados mais recentes divulgados pela Pesquisa Mensal de Serviços mostram uma dura realidade para Mato Grosso do Sul. 

Nesse quesito, o último resultado "positivo" mês a mês para Mato Grosso do Sul foi registrado na passagem de setembro para outubro do ano passado, quando a PMS local teve alta de 6,3%, conforme divulgado pelo IBGE ainda em 2025. 

Esse número, além de ter sido a maior alta do ano passado - como bem acompanha o Correio do Estado -, ainda foi o primeiro índice a interromper uma tendência de queda observada mensalmente desde julho de 2025.

Isso porque, conforme a PMS de dezembro, na série com ajuste sazonal, regionalmente foi registrado recuo no volume de serviços em 16 das 27 Unidades da Federação entre novembro e dezembro de 2025. 

Entretanto, além de figurar entre as 16 das 27 UFs que registraram recuo, o índice negativo de Mato Grosso do Sul (-5,2%) aparece atrás apenas do volume de serviços anotado pelo Estado do Pará (-7,3%). 

Com pouco mais da metade das Unidades da Federação pesquisadas apresentando recuo, entre os bons resultados aparecem, por exemplo, Rio de Janeiro (1,3%), Paraná (1,5%) e também o vizinho direto ao norte de MS, Mato Grosso (4,3%).

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%)Reprodução/SDI-MS/IBGE

Através da PMS, como bem frisa a Seção de Disseminação de Informações de Mato Grosso do Sul (SDI-MS) do IBGE, é possível acompanhar a evolução do setor de serviços empresariais não financeiros, bem como dos seus principais segmentos.

 

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