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IPCA

Capital se mantém com a maior inflação do País, o dobro da taxa nacional

Puxada pelo aumento da gasolina, em janeiro, a taxa chegou a 0,53% na Capital ante os 0,25% na média do Brasil
10/02/2021 09:00 - Súzan Benites


No primeiro mês de 2021, a inflação de Campo Grande continua superando a média brasileira. 

Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,53% na Capital, o dobro da média brasileira, que foi de 0,25%. 

A inflação oficial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi puxada principalmente pelo aumento da gasolina (2,42%) e da taxa de água e esgoto (4,90%).  

Apesar de continuar inflacionado, o índice recuou 0,98 ponto percentual (p.p.) no comparativo com a taxa registrada em dezembro (1,51%). 

Mesmo assim, é a oitava alta consecutiva do índice em Campo Grande, a maior entre os locais pesquisados no País. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 7,28% na Capital, enquanto a taxa nacional foi de 4,56%.

De acordo com os economistas, são vários fatores que influenciam na inflação de janeiro. 

Entre eles: o aumento constante dos preços dos combustíveis, a valorização do dólar frente ao real, o aumento da demanda por produtos brasileiros no mercado internacional, com consequente redução da oferta local, e ainda a alta no consumo com a injeção do 13° salário na economia.  

Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, além do aumento da gasolina, que impacta diretamente na vida de muitos consumidores, o aumento do diesel também impacta no bolso. 

Este ano, a Petrobras já anunciou três reajustes no preço da gasolina e dois no do diesel, que acumulam alta de 22% e 10% respectivamente.  

“Essa crescente [da inflação] tem uma relação com os combustíveis, visto que o preço do petróleo é ditado pelo mercado internacional. 

A gente usa bastante o transporte rodoviário, e tem repasse para o diesel, consequentemente para o setor supermercadista, então automaticamente os preços dos alimentos, que já estão em alta significativa, tendem a ficar ainda mais caros”, considera Daniela.

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A economista diz ainda que o aumento das exportações, a alta demanda e a baixa oferta, e ainda a desvalorização do real também influenciam nos preços aqui praticados.

 “O mundo tem demandado mais alimentos e, consequentemente, as nossas exportações estão mais atrativas, justamente porque o real está desvalorizado. Nós temos mandado muitos dos nossos produtos para outros países. 

Então a gente tem algum impacto interno, seja na questão da própria oferta, seja na questão dos preços. E ainda temos muitos produtos e insumos que são importados, ou seja, o custo se torna maior e o produtor e as indústrias têm de repassar isso, que acaba chegando ao consumidor. Tudo isso acaba interferindo nessas altas de preços”, ressalta Daniela.

O doutor em economia Michel Constantino destaca ainda a tendência natural de gastos maiores no período do fim do ano. 

“No fim do ano as pessoas gastam mais e a demanda aumenta, porque recebem 13º e muitos saem de férias. A propensão a consumir é maior, e com as pessoas gastando mais a inflação aumenta. O reflexo de dezembro vem para janeiro. A tendência geralmente é de inflação em dezembro e em janeiro. Em fevereiro, a tendência é cair um pouco mais”, analisa.