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DIPLOMACIA

Brasil não suporta restrição comercial com a China, afirma secretário

Mato Grosso do Sul perderia economicamente com problemas diplomáticos
19/03/2020 18:34 - Súzan Benites


O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou, pelas redes sociais, que a China seria culpada pela pandemia. Eduardo tinha comparado o coronavírus com o desastre nuclear de Chernobyl e disse que o governo Xi Jinping, chamado por ele de “ditadura”, escondeu a epidemia. Para o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), o Brasil deve pedir desculpas formalmente ao governo chinês para evitar problemas comerciais.

De acordo com titular da Semagro, Jaime Verruck, não se avaliou as consequências comerciais para o Brasil e impacto nas cadeias produtivas brasileiras. “O primeiro ato é necessário que o governo brasileiro, e obviamente o deputado que fez a menção, pedir uma desculpa formal à China  em relação à forma que o Brasil tratou a questão do coronavírus. Nós sabemos que a China fez o seu trabalho assim como nós estamos fazendo o nosso, fez um trabalho de sucesso, estamos vendo uma redução dos casos”, considerou.

A preocupação da gestão estadual leva em consideração os efeitos que a ofensa pode trazer para a economia do País. A China é maior parceiro comercial de Mato Grosso do Sul, responsável por mais de 50% das exportações do Estado. “Durante o período do coronavírus tivemos uma série de problemas de exportação de carne, frigoríficos habilitados não conseguiram levar seus produtos. Na questão da celulose, da mesma forma houve uma alteração logística inclusive a gente vê o último balanço uma redução de exportação para China”, disse Verruck.

O secretário ainda reforçou que o Brasil é um dos maiores produtores de commodities e a China um dos principais consumidores. “Por isso é fundamental o restabelecimento imediato diplomático de tal forma que ela não atrapalhe nossas relações comerciais, nós esperamos um gesto muito rápido do governo brasileiro e um pedido de desculpa. O Brasil não suporta nenhuma restrição comercial da China, isso traria prejuízo ao PIB nacional e ao emprego. De tal ordem similar ao que o coronavírus tem trazido. É fundamental o restabelecimento o mais rápido possível, dado que temos uma restrição de demanda por conta do coronavírus e poderíamos agregar um tipo de restrição comercial. Em hipótese alguma é interessante que tenhamos uma redução de exportação neste momento”, contextualizou Verruck.

PROBLEMÁTICA

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, usou as redes sociais, para exigir retratação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que havia postado mensagem em que culpa o país pela pandemia do novo coronavírus. O representante de Pequim disse que o filho do presidente Jair Bolsonaro feriu a relação amistosa com o Brasil e “precisa assumir todas as suas consequências”.

Conforme as informações do Estadão Conteúdo, o embaixador publicou uma sequência de mensagens em que repudia a atitude de Eduardo Bolsonaro e menciona o chanceler Ernesto Araújo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês”, disse o embaixador. A China é o principal parceiro comercial do Brasil.

Em postagem no Twitter, Eduardo Bolsonaro republicou a mensagem de outro usuário que escrevera: “A culpa pela pandemia de coronavírus no mundo tem nome e sobrenome. É do Partido Comunista Chinês”. O parlamentar ainda acrescentou uma comparação com o desastre nuclear de Chernobyl e disse que o governo de Xi Jinping, chamado por ele de “ditadura”, escondeu a epidemia.

Na tarde desta quinta-feira (19), o deputado disse que jamais ofendeu o povo chinês e que o Brasil não quer problemas com o país asiático.  “Jamais ofendi o povo chinês”, diz Eduardo em nota. “Esclareço que compartilhei postagem que critica a atuação do governo chinês na prevenção da pandemia, principalmente no compartilhamento de informações que teriam sido úteis na prevenção em escala mundial.”

Em nome do Senado, o vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia (PSD-MG), encaminhou uma carta ao embaixador da China no Brasil pedindo desculpas após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Na quarta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez o mesmo gesto.

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!