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SETOR IMOBILIÁRIO

Com a ausência de universitários, locadores se reinventam em Campo Grande

Procura de estudantes por imóveis caiu 50%; corretoras focaram em outros nichos
03/11/2020 08:00 - Thais Libni


Com as aulas presenciais suspensas desde meados de março, em decorrência da pandemia da Covid-19, as cidades universitárias presenciam a ausência de acadêmicos que movimentam setores econômicos como os de transporte, alimentação e imobiliário. Locadores precisaram se readequar sem o público.

Empresária do ramo imobiliário voltado a aluguéis de casas para universitários, Otília Brito é proprietária de um condomínio nas redondezas da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). 

Os principais clientes são os jovens que vêm do interior e de outros estados para estudar na Capital.

“O negócio sempre foi rentável e todos os anos eu conto com uma grande procura de interessados”, disse Otília, ao ressaltar que este ano não foi o que aconteceu e que precisou se adaptar para manter a renda.

“Quando começou a pandemia, como eu tenho estudantes como inquilinos, eles vieram pedir para eu reduzir o valor do aluguel. A maioria deles era do interior; os pais que mantêm eles aqui, por conta da universidade. Eu negociei com eles, reduzi o valor, mas teve inquilino que não deu conta de continuar e teve que rescindir o contrato antes da hora”, considerou.

Para o presidente do Sindicato da Habitação de MS (Secovi-MS), Marcos Augusto Netto, o setor imobiliário de aluguel não teve queda, mas sim uma acomodação, e que a melhor forma de resolver os problemas advindos da pandemia é a negociação.

“O Brasil todo tem negociado, locatário e locador, e isso envolve descontos no aluguel, fracionamento e até mesmo acordos de quebra de contrato. Está dando certo dessa forma, estamos nos ajustando ao momento”.

Imobiliárias

O cenário atípico também é sentido por imobiliárias, que explicam quais foram as mudanças que sentiram em decorrência do momento, em relação ao público universitário da Capital.  

“Com a suspensão das aulas, algumas negociações que estavam sendo realizadas não aconteceram por conta da pandemia, e alguns [imóveis] que já estavam alugados tiveram contratos rescindidos, porque esses alunos voltaram para a cidade dos pais”, pontuou o gerente de locação Bruno Franco, que ainda reforçou a migração para outros nichos de clientes.  

“Por outro lado, tivemos um bom cenário no ramo imobiliário na questão de locação para outros públicos que não fossem estudantes”, destacou.

A corretora de imóveis Elizabete Campos relata que houve uma queda 50% da procura de estudantes por imóveis. Segundo ela, medidas foram adotadas para os universitários que já tinham alugado residência antes da pandemia.  

“Aos imóveis já alugados houve, sim, renegociação para descontos por um período de tempo. Agora os valores estão voltando ao valor dos contratos iniciais”, pontuou.  

Estudantes

Com o cancelamento das aulas presenciais, muitos alunos voltaram para suas respectivas cidades: uns arcando com os custos mensais de suas casas trancadas, com a expectativa de algum retorno, e outros antecipando a finalização do contrato de aluguel.  

A estudante de arquitetura Ana Júlia Pires resolveu manter a casa em que morava, mesmo voltando para a cidade natal.  

“É frustrante você gastar todo mês e não usufruir. Tivemos desconto apenas em três meses, no valor de R$ 200. Se a faculdade não der um posicionamento, pensamos em entregar [o imóvel]. Já estamos assim há oito meses”, disse Ana Júlia.

Com a educação remota, oferecida pelas instituições de ensino como meio de continuar o ano letivo, estudar de qualquer lugar se tornou uma realidade. Diferente do caso da estudante que não entregou seu apartamento em Campo Grande, a graduanda de Direito Taynara Maria cortou os gastos.  

“Com o aumento de casos da Covid-19, eu vi que não compensava continuar em Campo Grande. Quando eu percebi que as aulas da faculdade não iriam voltar – isso aconteceu em julho –, cortei os gastos com aluguel e continuo cursando a graduação da minha cidade”, destacou.

 

 
 

Felpuda


Outrora bons de votos – faziam adversários temerem o confronto nas urnas –, agora, por mais que tentem, alguns políticos não conseguem, nem de longe, alcançar patamar de outros tempos e voltar ao que eram. 

O pior é que, a cada disputa, a preferência popular só vem diminuindo. Neste ano, a eleição municipal demonstrou que muitos já estão com prazo de validade vencido e rótulo gasto.

E faz tempo, hein?!