Economia

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Com crise, mais brasileiros passaram a trabalhar por conta própria

Com crise, mais brasileiros passaram a trabalhar por conta própria

AGÊNCIA BRASIL

16/01/2016 - 21h00
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A proporção de pessoas que trabalham por conta própria entre o total de ocupados aumentou de 17,9%, em janeiro de 2013, para 19,8% em novembro de 2015, segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento cobre as seis principais regiões metropolitanas brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador). Na avaliação do economista e pesquisador do Ipea Miguel Foguel, o aumento do trabalho por conta própria está relacionado à crise econômica e à consequente redução dos empregos formais.

Segundo Foguel, os trabalhadores por conta própria podem ser divididos em dois grupos: os que contribuem para a Previdência Social e os que não contribuem. Em 2013, os autônomos do primeiro grupo eram 5,2% do total de ocupados nessas seis regiões. Esse percentual subiu para 7,4%, em novembro de 2015. Já os trabalhadores por conta própria não contribuintes permaneceram estáveis: 12,8%, em janeiro de 2013; e 12,4%, em novembro de 2015.

De acordo com o economista do Ipea, provavelmente, esse fenômeno tem a ver com a reação defensiva do trabalhador diante de um mercado de trabalho em crise, em que as empresas estão demitindo e deixando de contratar. “Aí, a reação deles ante a dificuldade de encontrar emprego é buscar algum tipo de renda por meio de um microempreendimento ou alguma atividade que se configura como por conta própria, e continuar contribuindo para a Previdência Social, mas agora não mais como um empregado formal”. 

No entanto, segundo Foguel, dependendo da restrição orçamentária e da oferta de trabalho na nova fase profissional, alguns deixam de pagar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) porque não podem ou não querem bancar essa despesa.

O fotógrafo Fernando Azevedo, do Rio de Janeiro, é um desses trabalhadores. Depois de atuar por 18 anos em várias editoras e assessorias de imprensa, resolveu dar uma guinada total na vida. Ele se tornou criador de móveis, só fotografa suas criações e há cerca de um mês abriu uma loja em Maricá, na Região dos Lagos, para venda de seus produtos.

O empreendimento está dando tão certo que Azevedo está se preparando para contratar uma funcionária para a loja, além dos dois marceneiros que já trabalham com ele. O fotógrafo e agora designer de móveis atualmente não contribui para a Previdência Social.

Já o professor de educação física Pedro Copelli, também autônomo, começou recentemente a contribuir para o INSS como forma de se preparar para a aposentadoria. Embora tenha curso superior e não enfrente dificuldades em arranjar emprego, ele preferiu trabalhar por conta própria, mas não descarta a possibilidade de retorno ao mercado formal. “Se aparecer algum emprego legal com carteira assinada eu pego porque, na nossa área, é difícil você trabalhar em um só lugar”, disse.

Copelli dá cursos de exercícios funcionais e aulas de futebol feminino há seis anos em um clube em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. No mesmo bairro, dá aulas de futsal em um colégio e está pensando em ampliar o trabalho, com a abertura de turmas de futevôlei, na praia. Segundo ele,  trabalhar por conta própria está sendo compensador e, até agora, a crise econômica não afetou suas atividades.

“Tenho um número razoável de alunos porque não tenho muito concorrente. Com o fechamento das escolas de futebol feminino do Fluminense e do Flamengo, muitas meninas migraram para nós”, disse o professor. 

Informalidade
O avanço do trabalho por conta própria também pode ter impacto sobre os números da informalidade no Brasil, de acordo com o economista do Ipea.

Segundo ele, considerando que os trabalhadores por conta própria se subdividem entre os que contribuem para a Previdência Social e os que não contribuem, alguns analistas associam o aumento desse tipo de trabalho como um indicador de crescimento da informalidade, já que nem todos pagam o INSS.

“Se a gente considerar que esse trabalhador por conta própria que contribui para a Previdência Social não é informal, não está havendo um crescimento da informalidade. Mas se eles forem incorporados como informais, então, sim, há um aumento da informalidade. Vai depender de como cada um define [esse conceito], ponderou o economista.

Crise entre os autônomos
Se a crise está levando mais gente a trabalhar por conta própria, comerciantes que já estão nessa modalidade há muito tempo também estão sentindo os efeitos da desaceleração da economia.

O vendedor de frutas Celso Nunes, de Brasília, disse que esse janeiro tem se mostrado o mais fraco desde que ele começou a vender salada de frutas numa barraca que monta no Setor Bancário Norte, no centro da capital, há 15 anos.

“Janeiro é mais fraco mesmo, mas esse tem sido o pior desde que eu cheguei aqui”, calculou.  Pelas contas que faz de cabeça, ele diz que seu faturamento caiu em torno de 70% na comparação como mesmo mês do ano passado. Para compensar a queda nas vendas e o aumento nos custos devido à inflação, desde o início do ano, Nunes resolveu subir o preço da bandeja de salada de frutas, de R$ 5 para R$ 6.

Outros comerciantes informais entrevistados pela Agência Brasil também relataram dificuldades com as vendas recentemente. Sob nuvens negras no céu, o vendedor ambulante Obede Suzarte disse à reportagem que costumava vender de 15 a 20 guarda-chuvas e sombrinhas em dias de chuva no ponto onde monta a sua barraca há cinco anos, na avenida W3 Norte. "Mas neste mês de janeiro, quando costuma chover muito por aqui, tenho vendido umas três ou quatro por dia", contou.

Ele diz que se sente ainda mais prejudicado pela crise porque seu tipo de mercadoria – relógios, barbeadores, carregadores de celular, óculos de sol e radinhos de pilha – não ser de primeira necessidade. "O cliente até vem e olha, mas se não é essencial pra ele, não compra mesmo."

"Tá difícil geral, essa crise financeira chegou para todo mundo", disse a vendedora de churrasquinho Raimunda Nonato da Silva. Ela, que chegou em Brasília vinda do Maranhão em 1979, começou no ano passado a vender espetinhos de carne em uma parada de ônibus da avenida W3, depois de perder o emprego como doméstica. Apesar da redução nas vendas, Raimunda ainda resiste a subir o preço do espetinho, vendido a R$ 3. "Se não, não vendo é nada, meu filho”.

Diante do aumento significativo do número de ambulantes por causa da crise, o governo do Distrito Federal deflagrou desde dezembro uma operação de repressão aos comerciantes informais, agravando a situação dos vendedores de rua.

Desde 11 de janeiro, por exemplo, policias militares e agentes da Agência de Fiscalização do Distrito Federal ocupam cada esquina do Setor Comercial Sul, na região central de Brasília. A justificativa dada pelo administrador regional do Plano Piloto, Marcos Pacco, é "revitalizar o espaço e coibir atividades ilegais". O mesmo tipo de operação ocorre nos arredores da rodoviária do Plano Piloto.

MATO GROSSO DO SUL

Setor sucroenergético investirá R$ 4,3 bilhões nos próximos anos

MS desponta para ser o 2º maior produtor de etanol do País

15/06/2024 10h00

Divulgação/Biosul

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A chegada de novos investimentos ao setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul está viabilizando o crescimento do segmento, que nos próximos anos contará com aportes de R$ 4,350 bilhões. Com uma produção crescente, o Estado deve atingir o segundo lugar como maior produtor de etanol no País.

Ocupando a quarta posição no ranking nacional de produtores de etanol, obtidos a partir  da cana-de-açúcar e do milho, MS ganha força com a instalação de novas plantas e a ampliação das já instaladas. 
Atualmente, são 19 fábricas produtoras de bioenergia em operação. Segundo a Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), todas são produzem etanol hidratado, 11 são produtoras de anidro, 2 de etanol a partir do milho e 10 produtoras açúcar. 

Entre os novos empreendimentos em implantação, está a Usina Cedro do grupo Pedra Agroindustrial. O investimento estimado chega a R$ 400 milhões, sendo Paranaíba o município escolhido para receber a indústria atuante no ramo da cana-de-açúcar, com a perspectiva de 1,2 mil empregos diretos e indiretos gerados.

Investimentos previstos para o setor sucroenergético. Fonte: Biosul/Câmara de Comercialização de Energia ElétricaEscreva a legenda aqui

Outra planta que já está em instalação é a Agroterenas, localizada em Anaurilândia, que vai atuar na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. A indústria tem previsão de R$100 milhões empenhados na reativação da planta que tem o potencial de originar 650 novos postos de trabalho de forma direta.

Ainda entre as plantas em implantação, está a segunda unidade da Inpasa, em Sidrolândia, que entra para a lista com investimentos da ordem de R$ 2,2 bilhões. A previsão para início efetivo das operações é o mês de agosto. De acordo com informações da Inpasa,  a fábrica está com mais de 50% das obras finalizadas.

Anunciada em agosto do ano passado, a conclusão e início das operações estavam previstos somente para o fim deste ano. Como publicado pelo Correio do Estado em maio, o gerente corporativo de montagem industrial, Iuri Morgenstern revelou que já em junho a fábrica receberia as primeiras cargas de milho, momento em que serão realizados os testes preventivos.

“Temos a previsão de início das operações de produção da primeira fase ocorrendo no dia 26 de agosto de 2024 e da segunda fase em 28 de outubro de 2024”, revelou Morgenstern.

Responsável pelo empreendimento em Sidrolândia, a Inpasa é a maior produtora de combustível limpo e renovável à base de milho da América Latina. Com capacidade para produzir etanol anidro e hidratado, farelo, óleo bruto de milho e energia, a fábrica já gerou mais de 2,3 mil empregos.

Além das indústrias já em instalação, existem também as plantas que estão em processo de ampliação em Mato Grosso do Sul. Produtora de etanol segunda geração (2G), a Raízen, anunciou a modernização da usina situada em Caarapó.

A ampliação receberá a aplicação de R$ 1,3 bilhão para a ampliação da planta industrial. O etanol de 2ª geração é obtido através da fermentação controlada e da destilação de resíduos vegetais, especialmente de resíduos da produção de etanol e açúcar.

A produtora de biocombustível Atvos anunciou em abril a construção de sua primeira unidade de biometano a partir de resíduos da cana-de-açúcar. A usina será alocada em Nova Alvorada do Sul, onde a companhia já possui uma planta responsável pela produção de etanol.

Os investimentos para a nova operação são estimados em R$ 350 milhões. A ampliação da Atvos contribui com processo de transição da matriz energética no País e reforça o desenvolvimento socioeconômico do Estado, com geração de 4 mil empregos diretos e mais de 11 mil indiretos.

São R$ 4,3 bilhões em novos investimentos para o setor bioenergético de Mato Grosso do Sul, destaca o presidente da Biosul, Amaury Pekelman. “São investimentos que serão transformados em novas oportunidades de empregos e desenvolvimento econômico para as pessoas que vivem aqui”.

Pekelman ainda destaca que o setor vive um importante momento de verticalização da sua produção, onde resíduos se tornam subprodutos e dão origem a novos  biocombustíveis. “A exemplo do biogás, biometano e etanol de segunda geração. Importante destacar que essa ampliação do portfólio se dá sem exigir aumento de área para cultivo da cana”.

EM OPERAÇÃO

Fora do montante previsto de investimento para os próximos anos, o Estado já vivencia plena expansão com o início das operações da unidade Neomille, empresa da Cerradinho Bioenergia, que já colocou um total de R$ 1 bilhão no empreendimento. A produtora de bioenergia e coprodutora de subprodutos a partir do milho, concluiu sua unidade em Maracaju.

No período de obras foram empregadas mais de 2 mil pessoas e agora com a entrada em atividade serão gerados 200 empregos diretos e 600 indiretos.Segundo a Cerradinho Bioenergia, a planta tem capacidade de processar 608 mil toneladas de milho, a fábrica já iniciou a produção desde janeiro de 2024 e tem sua inauguração oficial programada para a próxima semana, em 18 de junho.

O grupo investiu R$ 1,08 bilhão na construção da planta de etanol. A nova agroindústria tem capacidade de ofertar ao mercado 266 milhões de litros de etanol, 161 mil toneladas de DDG (farelo de milho) e10 mil toneladas de óleo.

Com capacidade para produzir etanol anidro e hidratado, farelo, óleo bruto de milho e energia, a fábrica já gerou mais de 2,3 mil empregos.

“Por mais que a gente tivesse uma elevada produção de etanol, nós não tínhamos nenhuma configuração de etanol de milho e o Estado sempre foi e ainda é um grande exportador de milho. Então foi uma estratégia de agregação de valor a um produto que até então era exportado”, analisou o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck. 

SUSTENTABILIDADE 

Além de alavancar a economia o segmento atua com responsabilidade ambiental realizando um processo produtivo cada vez mais eficiente nas usinas de bioenergia, cerca de 12,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2.) deixaram de ir para a atmosfera a partir da produção de etanol em MS nas últimas quatro safras da cana-de-açúcar.

O resultado é obtido a partir dos 10,9 bilhões de litros de etanol, de 2020 a 2024, produzidos pelas unidades certificadas no Programa Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). “A sustentabilidade do etanol não está apenas no consumo do biocombustível, que é 90% mais limpo que o concorrente fóssil, ela é do poço à roda [todo o ciclo de vida do combustível]”, finaliza Pekelman.
 

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Economia

Investidores estrangeiros retiram R$ 7,2 Bi da bolsa de valores em junho

Só na quarta-feira foram sacados mais de R$ 3 bilhões, em meio a temores sobre a política fiscal do país

14/06/2024 23h00

A Bolsa brasileira segue perdendo recursos do exterior.

A Bolsa brasileira segue perdendo recursos do exterior. Reprodução

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A Bolsa brasileira segue perdendo recursos do exterior. Apenas na última quarta-feira (12), quando o desconforto fiscal derrubou o Ibovespa e fez o dólar bater R$ 5,40, os investidores estrangeiros sacaram R$ 3,08 bilhões da B3. No acumulado do mês de junho, houve saída de R$ 7,22 bilhões até o dia 12, último dado disponível.

O gatilho para a queda do mercado na quarta foi um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que falou em equilíbrio das contas públicas com um aumento da arrecadação, sem mencionar cortes de gastos, aumentando a desconfiança do mercado sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal.

Além disso, houve a percepção de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estaria enfraquecido dentro do Executivo, em especial após derrotas envolvendo a pauta econômica no Congresso Nacional.

Como resultado, a Bolsa caiu 1,39% e o dólar fechou cotado a R$ 5,405.

saída de recursos estrangeiros da Bolsa na última quarta-feira foi a terceira maior no ano.
O dia de maior sangria de recursos do exterior em 2024 foi 19 de janeiro, quando os estrangeiros retiraram R$ 3,45 bilhões em recursos no mercado secundário da Bolsa brasileira, em meio a reajustes nas expectativas sobre o início de cortes de juros nos Estados Unidos.

Na ocasião, o mercado havia começado o ano com prevendo que a primeira redução nas taxas americanas ocorreria em março, mas dados divulgados ao longo do mês de janeiro adiaram as apostas. Os juros americanos seguem inalterados, e os mais otimistas agora esperam que o primeiro corte ocorra só em setembro.

Outra sessão de sangria ocorreu em 17 de abril, quando os não residentes sacaram R$ 3,31 bilhões da B3 após o governo ter alterado para zero a meta de superávit primário para 2025, pondo em xeque a credibilidade do arcabouço fiscal.

O risco fiscal continua sendo o principal fator para a saída de recursos estrangeiros, que já somam R$ 43,11 bilhões neste ano até o dia 12 de junho.

Após o desconforto fiscal nesta semana, Haddad ganhou afagos de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e se posicionou sobre a agenda de revisão de gastos.

Na quinta (13), o ministro fez uma declaração ao lado da ministra Simone Tebet (Planejamento) depois de uma reunião da equipe econômica na sede da Fazenda. Ele disse que pediu ao grupo um ritmo mais intenso de trabalhos na discussão sobre a agenda de corte de gastos e que o governo construirá um extenso cardápio de alternativas.

"Começamos aqui a discutir 2025, a agenda de gastos. O que a gente pediu foi uma intensificação dos trabalhos, para que até o final de junho nós possamos ter clareza do Orçamento de 2025, estruturalmente bem montado, para passar tranquilidade sobre o endereçamento das questões fiscais do país", afirmou o ministro.

As declarações deram alívio momentâneo ao mercado, fazendo o dólar cair. Nesta sexta, no entanto, a moeda americana voltou a subir ante o real, acompanhando uma tendência global de valorização da divisa.

*Informações da Folhapress 
 

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