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RETOMADA

Com R$ 1,4 bilhão em benefícios, MS pode sair primeiro da crise

Dinheiro de auxílios e FGTS e queda na arrecadação menor que a projetada amenizarão os impactos da pandemia
22/06/2020 09:30 - Súzan Benites


A crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus fez muitos setores registrarem queda no faturamento. Com o retorno gradual das atividades alguns segmentos começam a registrar sinais positivos, como o comércio, que já registra menos demissões, e a agropecuária, que cresceu mesmo durante a pandemia. O governo federal já disponibilizou R$ 1,4 bilhão em ajuda à população, além do montante destinado à administração estadual, que vai chegar a R$ 702 milhões até o fim do ano. As medidas podem acelerar a saída de Mato Grosso do Sul da crise antes dos outros estados.  

De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, o Estado tem vocação e possibilidade de sair na frente na recuperação econômica. Com sinais de recuperação nos setores de Comércio e Agropecuária, foi registrado saldo positivo e a possibilidade de a crise ser superada. “Considerando a própria vocação do Estado, o comportamento é um pouco diferenciado, como foi em crises anteriores. Com a vocação voltada ao agronegócio, a questão do comércio, da recuperação em crises anteriores, com a reinvenção do empresário – que tende a ser um pouco mais rápida na comparação com outras unidades federativas, é possível que Mato Grosso do Sul saia na frente. Não dá para garantir com certeza, mas a vocação ajuda. Nós temos chances”, considerou Daniela.  

BENEFÍCIOS

A Caixa Econômica Federal disponibilizou R$ 940 milhões para beneficiários do auxílio emergencial de R$ 600 no Estado. A projeção é a de que outros R$ 500 milhões sejam injetados na economia com o saque emergencial do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), de até R$ 1.0450 por trabalhador. São R$ 1,4 bilhão em recursos disponíveis para a população.

A economista ressalta que os valores disponibilizados tendem a movimentar a economia. “Todo recurso é importante para dinamizar a economia. Neste momento, podemos dizer que estamos com resultados menos piores do que os que tínhamos em abril. Mas isso não significa que a gente já tenha superado a crise, estamos no meio dela. Algumas intenções de consumo já melhoraram. O consumidor precisa ser consciente ao utilizar recursos desta natureza”, contextualizou a economista.

O dinheiro da ajuda destinada à população chega a segmentos específicos. Dias destaca que valores dessa natureza têm servido para ajudar principalmente em quesitos voltados à sobrevivência, como produtos e serviços essenciais.  

“São montantes que vão movimentar segmentos específicos, tais como os de alimentação, bebidas, contas emergenciais, contas que já estão atrasadas há mais de três meses e são consideradas inadimplência e os aluguéis. Outra questão bastante importante é que estes recursos tendem a amenizar os impactos do desemprego, que também perderam força neste período. O consumidor precisa ajudar de uma forma geral, utilizando o recurso de forma consciente”, ressaltou.  

ARRECADAÇÃO

Outro dado que sinaliza que o efeito da pandemia não atingiu tão drasticamente a economia do Estado são os demonstrativos econômicos da arrecadação estadual. Enquanto as projeções apontavam para quedas astronômicas na arrecadação dos estados e dos municípios brasileiros, em Mato Grosso do Sul a retração foi de R$ 265 milhões em abril.  

Conforme os dados do demonstrativo da Receita Corrente Líquida (RCL), em março, o governo arrecadou o total de R$ 1,185 bilhão, e, em abril, a receita recuou para R$ 920,496 milhões. Mesmo assim, o valor é maior do que os dos meses de agosto e setembro de 2019, quando a crise do coronavírus ainda não existia.  

O principal tributo que compõe a receita estadual, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), somou R$ 762,273 milhões em abril, queda em relação a março, quando foram recolhidos R$ 892,5 milhões. O total angariado foi maior do que em outubro de 2019, quando o recolhimento do imposto gerou R$ 758,112 milhões aos cofres estaduais.  

SETORES

No agronegócio, o resultado de janeiro a maio na balança comercial de Mato Grosso do Sul foi 18,13% superior ao mesmo período do ano passado. Dados do Ministério da Economia apontam que, de janeiro a maio, o Estado registrou superavit de US$ 1,485 bilhão na balança comercial, contra US$ 1,257 bilhão no mesmo período de 2019. O resultado é a diferença entre as exportações, que alcançaram US$ 2,341 bilhões, e as importações, com US$ 856 milhões.  

Outro setor que já registra os primeiros sinais de reação é o comércio varejista. Conforme levantamento do IPF-MS e Sebrae, o varejo atravessou a pior fase da crise causada pela pandemia de Covid-19 em abril e maio. Em junho, comerciantes já sentiram uma ampliação nas vendas, e houve redução no número de demissões.  

Em abril, 38% das empresas precisaram demitir; em junho, 28% tomaram esta medida. Conforme a pesquisa, a intenção de consumo também já começa a demonstrar sinais de recuperação.

Além dos recursos disponibilizados para a população, o Estado também recebe ajuda federal. MS receberá R$ 702 milhões no total. A primeira parcela, já liberada no início do mês, foi de R$ 175,5 milhões, para amortizar as perdas. Já as 79 prefeituras recebem R$ 461 milhões. Na primeira parcela, foram repassados R$ 115,3 milhões aos municípios. Somados, os recursos chegam a R$ 1,16 bilhão, divididos em quatro parcelas.

 
 

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.