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PROJEÇÃO

Comerciantes estimam a ampliação de até 30% nas vendas de fim de ano em MS

Apesar da expectativa de crescimento, representantes do varejo explicam que o ano exige cautela dos lojistas
02/11/2020 08:00 - Carol Alencar Cozzatti, Súzan Benites


O período de fim de ano é o mais estimado pelo comércio. Nesta época, as pessoas recebem o décimo terceiro salário e têm uma tendência maior de ampliar o consumo e presentear familiares e amigos. 

Mesmo em ano de pandemia, empresários de Mato Grosso do Sul projetam ampliação de até 30% nas vendas.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-CG), Adelaido Vila, afirma que as expectativas dos lojistas para o fim do ano são as melhores possíveis.

 “Um ano atípico, em que tivemos uma queda drástica no comércio de todo o mundo, afetou a economia de todas as suas formas e que vem, depois de oito meses enfrentando a pandemia, tentando se reerguer”, argumenta.

Para terminar o ano positivo, o empresário do segmento de decoração Daniel Hisao estima vender 25% a mais do que no ano passado. 

Ele acredita que ampliará a comercialização dos itens natalinos de sua loja, uma vez que a pandemia ainda não acabou e muitos não vão viajar.  

“A gente tá confiante por aqui, porque muitas pessoas não vão viajar neste fim de ano, o que anima preparar a casa para receber os familiares próximos”, argumenta Hisao.

Um dos setores afetados na pandemia, o vestuário também espera um crescimento nas vendas para o Natal e Ano-Novo. 

A gerente de loja Mariana Garcia diz que em 2020 a loja não atingiu a meta e que está apostando tudo nas vendas deste fim de ano.  

“Vivemos um momento único e diferente este ano, foram oito meses sem bater venda e agora, com a flexibilização, estamos confiantes de que pelo menos o cliente virá consumir para a festa de Natal”, avaliou.

A empresária do ramo de joias e acessórios Leni Fernandes acredita que o fim de ano será promissor.

 “Pretendo vender 10% a mais do que vendi em 2019 e pretendo contratar mais funcionários. Já estamos contratando desde agora”, disse.

Estoque baixo

O presidente da CDL afirma que, apesar do otimismo, dois fatores ainda preocupam: a falta de estoque e a segunda onda de contágio de coronavírus. 

“Por conta da indústria ter paralisado no período de pandemia, dificultou um pouco a compra de estoque e muitos lojistas estão correndo para atender as vendas”, disse.

Ainda segundo o presidente, a venda estimada para este ano é 30% maior do que a do ano passado. Já a falta de estoque afeta totalmente a economia, uma vez que o valor dele aumentou com a pandemia.

 “Fora essa realidade, acredito que não vai ser tão ruim para o Natal, estamos confiantes que superaremos o ano passado e que o que vai valer neste ano é a comemoração à vida, principalmente daqueles que conseguiram sobreviver”, pontua.

Com os percalços vividos em 2020, as expectativas pedem cautela. Segundo a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, as pesquisas revelam um descontentamento por parte do comércio. 

“Na última pesquisa que realizamos sobre o impacto da pandemia do coronavírus sobre o comércio, conseguimos evidenciar que mais de 60% acreditam que as pessoas gastarão menos no fim do ano em relação ao ano passado”, disse.

Lembranças

A economista ainda frisa que o comportamento percebido no Dia das Crianças deve se perpetuar no Natal. A compra de lembrancinhas deve prevalecer neste ano.

 “Toda crise traz consigo uma cautela em termos de gastos, no Dia das Crianças, por exemplo, tivemos um porcentual maior de pessoas que iriam comprar, mas com redução nos gastos. É o que deve acontecer também no Natal”, pontuou.

Ainda de acordo com Daniela, cerca de 10% dos comerciantes acreditam que os consumidores gastarão o mesmo que no ano passado. 

“Mesmo com expectativas de redução de custos, nós podemos ter um aumento do porcentual de pessoas que comprarão presentes ou lembranças, uma vez que a data gira em torno de um apelo emocional”, avaliou a economista.

A economista aponta ainda que o apelo emocional é que regerá alguns segmentos do comércio neste fim de ano. 

“As pessoas realmente alteraram seus comportamentos por estarem em isolamento, ficarem mais tempo em casa, o que fez com que elas tivessem um olhar diferenciado para o segmento de decoração, conforto, etc. Tivemos um aumento significativo nessa parte de decoração, reforma da casa e tudo o que envolve um apelo emocional relacionado ao Natal deve ampliar [as vendas] em alguns setores neste fim de ano”, considerou Daniela.

Economia

Apesar de as expectativas estarem mais tímidas, a pesquisa sobre o impacto da pandemia elaborada pelo IPF e Sebrae aponta que o cenário econômico registrou uma melhora. 

Conforme o levantamento, os impactos da pandemia no faturamento dos empresários foram menos ruins em setembro do que nos meses anteriores.

 “Percebemos uma menor quantidade de empresários relatando queda nas vendas, vários relataram estabilidade ou aumento das vendas. Com relação às demissões, nós começamos a perceber uma melhora, com redução na intenção de demitir. A cada edição da pesquisa, nós percebemos que essa tendência diminui”, explica a analista do Sebrae-MS, Vanessa Schmidt.  

Em setembro, Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo na geração de empregos formais pelo quarto mês consecutivo.

Conforme levantamento do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado na semana passada, em setembro foram criadas 3.049 vagas. Resultado de 17.835 contratações contra 14.786 desligamentos. O desempenho é o melhor para o mês em 17 anos.  

 

 
 

Felpuda


Esforços vêm sendo feitos por certos candidatos derrotados na tentativa de conseguir emplacar em cargos públicos comissionados alguns ex-integrantes das equipes de trabalho da campanha eleitoral.

A preocupação não seria, na realidade, com situação de dificuldades que essas pessoas enfrentariam a partir de agora, mas, sim, para livrarem-se de pagar pendências trabalhistas referentes ao período da disputa. Tem cada uma!