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RETOMADA

Efeitos da crise da Covid-19 na construção civil são menos negativos do que se esperava

Em julho, setor teve saldo positivo de empregos, conforme resultados do Caged
24/08/2020 06:00 - Ricardo Campos Jr


A crise da Covid-19 não foi tão agressiva para a construção civil como apontavam as previsões mais pessimistas quando a pandemia chegou ao Brasil. O setor deu sinais de recuperação em julho, que foi considerado o melhor mês para o seguimento em quatro anos pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Em Mato Grosso do Sul, a melhora foi sentida principalmente na geração de postos de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Governo Federal. No estado, o ramo teve saldo positivo de 130 vagas com carteira assinada. 

A nível nacional foram 41.986 empregos, atrás somente da indústria em geral, cujo balanço entre contratações e demissões alcançou a marca positiva de 53.590.

“Esse resultado foi possível primeiramente graças à política do Governo Federal com relação à taxa básica de juros (Selic), que no começo do mês atingiu o menor patamar da história, em 2%”, diz o diretor-presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Mato Grosso do Sul, Amarildo Miranda melo.

A medida teve dois efeitos práticos na construção civil. Primeiro, tornou menos atrativos investimentos deixados em bancos, pois eles passaram a render menos. Com isso, comprar um terreno ou imóvel transformou-se em uma opção interessante.

 
 

Em segundo lugar, a queda na Selic tornou menores os juros dos investimentos imobiliários. Para quem tinha dinheiro disponível, as condições para se adquirir uma casa própria estão atraentes.

Juntos, os dois fatores aqueceram o setor, que no Estado conseguiu aval do poder público para retomar obras mesmo durante o isolamento, obviamente seguindo alguns cuidados necessários. Isso acabou gerando empregos e movimentando o ramo. 

“Não foi apenas uma taxa de juros melhor, porque não adianta você ter condições boas de financiamento se não tem dinheiro para emprestar. Houve um esforço muito grande para a liberação de créditos. Até os bancos privados viram que está interessante liberar dinheiro para quem precisa adquirir um imóvel”, comenta Amarildo.

O diretor-presidente do Sinduscon acrescenta que além de todos esses fatores, há também características próprias da construção civil que ajudam a segurar as pontas em períodos de crise.

“Nosso setor não é muito de se desmobilizar em períodos de recessão. Você reduz as atividades o máximo possível em uma obra, mas não a para por completo, senão você tem dificuldades depois em recontratar os profissionais necessários para manter o mesmo andamento. Então, em vias de regra, faz-se esforço para demitir o menos possível”, disse ao Correio do Estado. 

Amarildo diz que prova de tudo é que a Caixa financiou quase 40% mais de janeiro a julho do que durante todo o ano de 2019.

“Isso mostra que as pessoas estão passando dinheiro para a construção civil, seja comprando um terreno, seja reformando a casa, etc. Nosso setor sente mais a melhora por conta disso”, afirma o diretor-presidente do Sinduscon.

 
 

REFLEXOS 

Conforme a CBIC, as previsões eram tão negativas para o setor que ele enfrenta hoje alguns problemas para crescer ainda mais, como a falta de materiais. As fábricas de cimento, por exemplo, temendo estoque de produtos pela falta de clientes, reduziram a capacidade de fabricação, mas diante da retomada, há falta do insumo em vários canteiros de obra do país.

Além disso, a digitalização das vendas nas lojas de materiais fez com que menos empresas sentissem a necessidade de fechar as portas, ao passo que a população em geral, uma vez confinada em casa, passou a notar melhorias que precisavam ser feitas e começaram então a investir em pequenas reformas, ajudando as empresas a manterem-se de pé.

Somados à redução na taxa de juros e à disponibilidade de dinheiro para financiar imóveis, esses fatores também foram decisivos para que a construção civil não sofresse como previam os especialistas há cinco meses.