Além da apresentação de dois capins importantes para a produção leiteira, assunto que abordamos na edição passada do Correio Rural, ter um pasto de qualidade, fértil e rico em nutrientes para plantar esses capins ricos em proteína é fundamental. Esse foi outro ponto abordado com clareza na Tecnofam 2016, realizada de 11 a 13 na sede da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados.
Elevar a capacidade produtiva do solo, com baixo custo, é um dos desafios em pequenas propriedades. Uma das práticas agrícolas que ajudam a enfrentar esse desafio é a adubação verde em rotação de cultura ou em consórcio entre adubos verdes (leguminosas e gramíneas). O sistema radicular mais profundo dos adubos verdes condiciona o solo para que a cultura de atividade econômica explore melhor os nutrientes e a água do solo.
Os adubos verdes que são gramíneas (ex.: sorgo forrageiro, nabo forrageiro, milheto) e dicotiledôneas (girassol) formam a palhada que cobrem o solo; e os que são leguminosas (ex.: crotalária, mucuna, guandu, feijão-de-porco) produzem biomassa e fornecem maior aporte de nitrogênio à cultura.
Quem passou pela Tecnofam 2016 pôde conhecer os benefícios dos adubos verdes com os pesquisadores da Embrapa: Alberto Feiden, da Embrapa Pantanal, e Cesar José da Silva, da Embrapa Agropecuária Oeste.
A prática da adubação verde promove a cobertura do solo, aumenta a umidade, a ciclagem de nutrientes e a dinâmica dos microorganismos no solo que ajudam a combater nematoides e doenças do solo. Além disso, os adubos verdes abrigam inimigos naturais a atraem polinizadores e insetos benéficos como predadores de pragas.
Segundo Silva, o processo de elevação da capacidade produtiva do solo com a adubação verde exige alguns anos de boas práticas culturais. Por isso, a recomendação é que a adubação verde seja associada a outras práticas, como calagem e gessagem, adubos orgânicos a partir de dejetos de animais que têm alta concentração de nutrientes disponíveis (esterco de aves, bovinos e suínos). “Se o produtor adotar essas práticas, a adubação mineral complementar será em doses menores, reduzindo o custo de produção.”
Os adubos verdes também servem como suplementação alimentar animal. O guandu, adubo verde semiperene, é usado para feno ou fresco no cocho por meio de podas; a cartilha, espécie perene, possui excelente palatabilidade - que, segundo Silva a Agraer tem estimulado os agricultores a plantarem – ou para adubar nas entrelinhas; e gramíneas forrageiras para cobertura de solo e forragem.
A rotação de culturas pode ser feita dividindo a área em pequenas partes, intercalando as culturas ao longo do tempo. Uma dica para iniciar a prática de adubação verde exclusivamente ou em consórcio é escolher uma área com baixa quantidade de matéria orgânica ou com problemas de pragas de solo, de plantas daninhas ou ainda na área mais distante da propriedade, onde é mais difícil de se chegar com dejetos de animais que são usados também como adubos. “À medida que a área com problema é recuperada com a adubação verde, o agricultor pode expandir a prática agrícola”, afirma o pesquisador Cesar José da Silva.
A prática da adubação verde promove a cobertura do solo, aumenta a umidade, a ciclagem de nutrientes e a dinâmica dos microorganismos no solo que ajudam a combater nematoides e doenças do solo. Além disso, os adubos verdes abrigam inimigos naturais a atraem polinizadores e insetos benéficos como predadores de pragas.
CALCÁRIO COMO AUXILIAR
“Boa parte do solo brasileiro é levemente ácida. Para elevar o PH, a forma mais barata de se fazer essa correção do solo é com o calcário, que é proporcionalmente barato em relação a outros produtos existentes no mercado. Ainda hoje muitos produtores da agricultura familiar não têm essa prática para corrigir o solo”, disse o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo, na Mostra de Tecnologias da Tecnofam 2016.
Ele explica que o calcário ajuda no crescimento da raiz e da parte aérea da planta e a prática é recomendada para todas as culturas agrícolas, como milho, feijão e mandioca. “Isso significa que nos anos de déficit hídrico, como nos veranicos, vão explorar melhor o solo, absorvendo os nutrientes”.
Para saber a quantidade a ser aplicada no solo, é necessário coletar uma amostra de solo. A coleta da amostra deve ser feita em zigue-zague para representar bem a área - “uma amostra por hectare é suficiente” - e essa amostra levada a um laboratório. “O custo da análise é relativamente baixo e se paga com o aumento da produção que a calagem proporciona”, diz o pesquisador.
A comparação do desenvolvimento da raiz em solo corrigido e em um solo sem correção foi demonstrado por um equipamento de análise de raízes chamado rizotron. “O que o agricultor familiar consegue ver é o que ele acredita. E o rizotron mostra a área do solo onde o produtor não enxerga. Essa forma didática é fantástica”, diz Genivaldo Schlick, diretor de ensino do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, regional de Ponta Porã, que estava no segundo dia da Tecnofam.
O BOM MANEJO DO SOLO
O manejo agroecológico do solo é outra das tecnologias que foram apresentadas aos participantes do evento. “Apresentando aos agricultores familiares que é possível, inclusive em áreas de horta, adotar algumas estratégias simples de manejo sustentável que vão melhorar as condições, químicas, físicas e biológicas do solo de forma natural”, explicou o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Ivo de Sá Motta.
Ele destaca que a produtividade das culturas está diretamente ligada à qualidade do solo.“Infelizmente algumas vezes, mesmo em áreas de horta, o manejo inadequado podem gerar problemas como: nematoides, doenças radiculares e desequilíbrio em nutrientes, entre outros”, explica Ivo.
Rotação de culturas, adubação verde, adubação orgânica (compostagem e vermicompostagem), cobertura dos solos e uso de plantio direto em hortaliças são algumas práticas culturais que estão sendo apresentadas para os agricultores interessados em renovar seus conhecimentos nessa área.“São estratégias simples e de baixo custo e que possibilitam a manutenção da qualidade do solo,que se manterá fértil e produtivo ao longo do tempo”, disse Ivo.
Para a estudante de agronomia do Instituto Federal de Ponta Porã, Vanessa Clementino Souza dos Santos, o aprendizado foi muito importante. “Já trabalho com adubação verde e espero conseguir trabalhar também com tecnologias que aprendi aqui, como o húmus líquido e com outras estratégias de manejo que contribuam com a sustentabilidade ambiental e com a melhoria da qualidade do solo”, disse ela.
(Com informações da Assessoria de Imprensa da Embrapa Agropecuária Oeste)