Correio Rural

CORREIO RURAL

Uma aula completa em cuidados com os solos, na Tecnofam

Evento abordou sobre uso de adubos verdes e auxílio das doses corretas de calcário

Redação

16/05/2016 - 15h47

Além da apresentação de dois capins importantes para a produção leiteira, assunto que abordamos na edição passada do Correio Rural, ter um pasto de qualidade, fértil e rico em nutrientes para plantar esses capins ricos em proteína é fundamental. Esse foi outro ponto abordado com clareza na Tecnofam 2016, realizada de 11  a 13 na sede da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados.

Elevar a capacidade produtiva do solo, com baixo custo, é um dos desafios em pequenas propriedades. Uma das práticas agrícolas que ajudam a enfrentar esse desafio é a adubação verde em rotação de cultura ou em consórcio entre adubos verdes (leguminosas e gramíneas). O sistema radicular mais profundo dos adubos verdes condiciona o solo para que a cultura de atividade econômica explore melhor os nutrientes e a água do solo. 

Os adubos verdes que são gramíneas (ex.: sorgo forrageiro, nabo forrageiro, milheto) e dicotiledôneas (girassol) formam a palhada que cobrem o solo; e os que são leguminosas (ex.: crotalária, mucuna, guandu, feijão-de-porco) produzem biomassa e fornecem maior aporte de nitrogênio à cultura. 

Quem passou pela Tecnofam 2016 pôde conhecer os benefícios dos adubos verdes com os pesquisadores da Embrapa: Alberto Feiden, da Embrapa Pantanal, e Cesar José da Silva, da Embrapa Agropecuária Oeste. 

 A prática da adubação verde promove a cobertura do solo, aumenta a umidade, a ciclagem de nutrientes e a dinâmica dos microorganismos no solo que ajudam a combater nematoides e doenças do solo. Além disso, os adubos verdes abrigam inimigos naturais a atraem polinizadores e insetos benéficos como predadores de pragas.

Segundo Silva, o processo de elevação da capacidade produtiva do solo com a adubação verde exige alguns anos de boas práticas culturais. Por isso, a recomendação é que a adubação verde seja associada a outras práticas, como calagem e gessagem, adubos orgânicos a partir de dejetos de animais que têm alta concentração de nutrientes disponíveis (esterco de aves, bovinos e suínos). “Se o produtor adotar essas práticas, a adubação mineral complementar será em doses menores, reduzindo o custo de produção.”

Os adubos verdes também servem como suplementação alimentar animal. O guandu, adubo verde semiperene, é usado para feno ou fresco no cocho por meio de podas; a cartilha, espécie perene, possui excelente palatabilidade - que, segundo Silva a Agraer tem estimulado os agricultores a plantarem – ou para adubar nas entrelinhas; e gramíneas forrageiras para cobertura de solo e forragem. 

A rotação de culturas pode ser feita dividindo a área em pequenas partes, intercalando as culturas ao longo do tempo. Uma dica para iniciar a prática de adubação verde exclusivamente ou em consórcio é escolher uma área com baixa quantidade de matéria orgânica ou com problemas de pragas de solo, de plantas daninhas ou ainda na área mais distante da propriedade, onde é mais difícil de se chegar com dejetos de animais que são usados também como adubos. “À medida que a área com problema é recuperada com a adubação verde, o agricultor pode expandir a prática agrícola”, afirma o pesquisador Cesar José da Silva.

A prática da adubação verde promove a cobertura do solo, aumenta a umidade, a ciclagem de nutrientes e a dinâmica dos microorganismos no solo que ajudam a combater nematoides e doenças do solo. Além disso, os adubos verdes abrigam inimigos naturais a atraem polinizadores e insetos benéficos como predadores de pragas.

CALCÁRIO COMO AUXILIAR

“Boa parte do solo brasileiro é levemente ácida. Para elevar o PH, a forma mais barata de se fazer essa correção do solo é com o calcário, que é proporcionalmente barato em relação a outros produtos existentes no mercado. Ainda hoje muitos produtores da agricultura familiar não têm essa prática para corrigir o solo”, disse o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo, na Mostra de Tecnologias da Tecnofam 2016. 

Ele explica que o calcário ajuda no crescimento da raiz e da parte aérea da planta e a prática é recomendada para todas as culturas agrícolas, como milho, feijão e mandioca. “Isso significa que nos anos de déficit hídrico, como nos veranicos, vão explorar melhor o solo, absorvendo os nutrientes”. 

Para saber a quantidade a ser aplicada no solo, é necessário coletar uma amostra de solo. A coleta da amostra deve ser feita em zigue-zague para representar bem a área - “uma amostra por hectare é suficiente” -  e essa amostra levada a um laboratório. “O custo da análise é relativamente baixo e se paga com o aumento da produção que a calagem proporciona”, diz o pesquisador. 

A comparação do desenvolvimento da raiz em solo corrigido e em um solo sem correção foi demonstrado por um equipamento de análise de raízes chamado rizotron. “O que o agricultor familiar consegue ver é o que ele acredita. E o rizotron mostra a área do solo onde o produtor não enxerga. Essa forma didática é fantástica”, diz Genivaldo Schlick, diretor de ensino do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, regional de Ponta Porã, que estava no segundo dia da Tecnofam. 

O BOM MANEJO DO SOLO

O manejo agroecológico do solo é outra das tecnologias que foram apresentadas aos participantes do evento.  “Apresentando aos agricultores familiares que é possível, inclusive em áreas de horta, adotar algumas estratégias simples de manejo sustentável que vão melhorar as condições, químicas, físicas e biológicas do solo de forma natural”, explicou o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Ivo de Sá Motta.

Ele destaca que a produtividade das culturas está diretamente ligada à qualidade do solo.“Infelizmente algumas vezes, mesmo em áreas de horta, o manejo inadequado podem gerar problemas como: nematoides, doenças radiculares e desequilíbrio em nutrientes, entre outros”, explica Ivo.

Rotação de culturas, adubação verde, adubação orgânica (compostagem e vermicompostagem), cobertura dos solos e uso de plantio direto em hortaliças são algumas práticas culturais que estão sendo apresentadas para os agricultores interessados em renovar seus conhecimentos nessa área.“São estratégias simples e de baixo custo e que possibilitam a manutenção da qualidade do solo,que se manterá fértil e produtivo ao longo do tempo”, disse Ivo.

Para a estudante de agronomia do Instituto Federal de Ponta Porã, Vanessa Clementino Souza dos Santos, o aprendizado foi muito importante. “Já trabalho com adubação verde e espero conseguir trabalhar também com tecnologias que aprendi aqui, como o húmus líquido e com outras estratégias de manejo que contribuam com a sustentabilidade ambiental e com a melhoria da qualidade do solo”, disse ela.

(Com informações da Assessoria de Imprensa da Embrapa Agropecuária Oeste)

BALANÇO

Na contramão do País, MS vê triplicar a adesão de produtores ao seguro rural

O total de apólices de seguro também está maior neste ano, indica Ministério da Agricultura

08/12/2025 08h00

As lavouras de soja e milho lideram as contratações de seguro

As lavouras de soja e milho lideram as contratações de seguro Gerson Oliveira

Continue Lendo...

AGRICULTURA EM QUEDA

IBGE aponta perda bilionária na produção agrícola de MS

Após sete anos, produção agrícola do estado retrai devido a queda nos preços e na safra de grãos

12/09/2025 15h55

Impacto é consequência de queda na produção de culturas importantes, como soja e milho

Impacto é consequência de queda na produção de culturas importantes, como soja e milho Reprodução: Wenderson Araujo/Trilux

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).