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PERSPECTIVA

Especialistas apontam que demanda por linhas de crédito deve aumentar

Em 2020, os micro e pequenos tiveram mais dificuldade para conseguir empréstimos
23/01/2021 09:41 - Rafaela Moreira


Segundo o levantamento Financiamento dos Pequenos Negócios no Brasil, realizado pelo Sebrae, o volume de linhas de crédito passou de R$ 65 bilhões, no segundo trimestre de 2019, para R$ 87 bilhões, no mesmo período de 2020.

E neste ano deve crescer ainda mais. De acordo com o economista-chefe da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Normann Kalmus, a demanda expressiva por linhas de crédito já era esperada por causa da pandemia da Covid-19, porque muitas empresas tiveram de se adaptar às novas regras.

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“Já contávamos com aumento da demanda por crédito, sendo um recurso fundamental no combate aos efeitos econômicos da pandemia. As empresas seriam fechadas se não houvesse linhas de crédito disponíveis, isso aliado à flexibilização de contratos de trabalho. Tudo contribuiu para que os negócios pudessem ser mantidos de alguma forma”, explicou.  

A expansão do volume do crédito ficou concentrada nas empresas de pequeno porte (EPP), que receberam 83% das novas concessões, seguidas das microempresas, com 12%, e dos microempreendedores individuais (MEIs), com 5%.

O gerente de Desenvolvimento de Negócios do Sicredi, Miguel Greco, destacou que as opções de financiamentos despertam a atenção do público pela facilidade de acesso.  

“Em Mato Grosso do Sul, muitas pessoas recorrem às linhas de crédito pela facilidade, taxas de juros justas e prazos de pagamento confortáveis. Desde que o recurso seja bem empregado para investimento de fato, ele tende a gerar um negócio sustentável e com grande potencial de crescimento, sendo esse o objetivo das linhas de crédito, fomentar os negócios”, explicou.  

Conforme o analista técnico do Sebrae-MS Vagner Teixeira, neste ano, a procura por linhas de crédito deve continuar, considerando a retomada de alguns negócios e o alto endividamento diante das prorrogações realizadas em 2020, além da continuidade de alguns programas criados para o combate à Covid-19, como, por exemplo, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac).  

Vagner Teixeira pontuou que as micro e pequenas empresas tiveram mais dificuldades em conseguir opções de crédito, sendo necessário ter alternativas para a manutenção dos negócios.

O presidente da Associação de Bares e Restaurantes em Mato Grosso do Sul (Abrasel-MS), Juliano Wertheimer, destaca que, apesar da necessidade por parte dos empresários dos recursos, os critérios para liberação ainda são rígidos e burocráticos.  

“A demanda por linhas de crédito foi muito maior, justamente pela dificuldade dos empresários em honrar com os compromissos, tanto de aluguel, encargos e impostos quanto insumos e mão de obra. A burocracia do acesso ao crédito é sempre a mesma, tem de ter as negativas e a documentação em ordem. Observamos que, mesmo sendo um dinheiro para salvar as empresas, houve uma distinção de quem conseguiria fazer um bom uso e seria um bom pagador”, apontou.