Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

SETOR PRODUTIVO

Dólar alto e pandemia: redução no faturamento e aumento dos custos

Diminuição da demanda no Brasil e no exterior e incerteza sobre custo da produção prejudicam negócios
25/04/2020 09:30 - Súzan Benites


 

A cotação do dólar registrou, ao longo desta semana, novos recordes. Nesta sexta-feira, após instabilidade na política nacional com a saída do ministro da Justiça, Sergio Moro, o dólar chegou a bater a máxima de R$ 5,70. E fechou a semana com novo recorde, cotado a R$ 5,65, em alta de 2,33%. A sequência de altas da moeda pode impactar nos fechamentos de negócios para Mato Grosso do Sul. Apesar de os produtos brasileiros serem negociados em dólar, a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) impacta na economia dos principais consumidores dos nossos produtos.

De acordo com o secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Ricardo Senna, o atual cenário político traz incertezas para a economia. “A alta do dólar nesse caso não é derivada de mecanismos de mercado, mas fruto dessa instabilidade política do atual momento que o governo brasileiro vem passando. Sendo uma alta provocada por instabilidade, ela é ruim porque não dá para fazer negócios, não dá para saber do dólar, se ele vai  diminuir, porque vai depender muito da ambiência política”.

As exportações poderiam ser o aspecto positivo com a alta da moeda, já que as negociações para o exterior são realizadas em dólar. Senna explica que, por conta, da pandemia não é possível sentir o aspecto positivo, mas sim de preocupação quanto à relação comercial. “A maioria dos países com que nós temos relações comerciais está passando por crise. Todos estão anunciando algum tipo de queda no ritmo de crescimento, até mesmo recessão. Então mesmo o dólar estando em alta, a gente acaba tendo problemas, porque quem compra da gente está sem dinheiro também”, contextualizou o secretário-adjunto.  

PARALISIA

Para o consultor em Comércio Exterior Aldo Barigosse, o cenário de pandemia paralisou todos os investimentos em curso e os que poderiam acontecer. “Os principais produtos exportados tiveram seus preços diminuídos em dólar no mercado internacional. Isso foi provocado pela redução das demandas e a instabilidade econômica mundial”, considerou.  

Barigosse ainda reforçou que a desvalorização do real diante do dólar aumenta custos para o setor produtivo e, consequentemente, para o consumidor. “Temos aumentos dos custos e nos preços dos produtos tais como: trigo, que gera aumento do pão francês, massas, biscoitos, etc. Outros  alimentos como feijão, cebola, alho, conservas, da mesma maneira, sofrem o efeito”.

A balança comercial do Estado apresentou um superavit de US$ 493 milhões em março, tendo como principais itens na pauta de exportação celulose, soja, carne bovina, carne de aves e milho, e com destaques positivos para o minério de ferro, algodão e açúcar.

Conforme as informações divulgadas na Carta de Conjuntura do Setor Externo da Semagro, o resultado das vendas externas no primeiro trimestre de 2020 foi 23,26% inferior ao verificado de janeiro a março de 2019, mas a taxa de câmbio favorável ajudou a amenizar os efeitos desfavoráveis à exportação diante dos efeitos da pandemia na economia.

Pela tendência verificada em relação a 2019, há uma estabilidade das exportações mesmo com queda nos dois principais produtos de exportação: a celulose recuou 39% e a soja em grão teve queda de 19,47%. O maior recuo no período, de 62,34%, foi registrado pelo milho em grão.

ECONOMIA

A economia estadual depende, assim como todo o País, de definições no cenário político-econômico e da saúde para ter uma perspectiva de planejamento. O secretário-adjunto da Semagro explica que essa turbulência no ambiente político e econômico é  ruim para o setor produtivo como um todo.

“Nós vínhamos com o ministro Guedes [Economia] em uma linha de liberalismo econômico, tanto é que teve a lei de liberdade econômica e as reformas que foram propostas. De repente o ministro teve de sair um pouco de cena e entra o ministro Tarcísio [Infraestrutura] e o ministro Rogério Marinho [Desenvolvimento] com plano para o Brasil, tendo em vista o investimento público pesado. E aí entramos nessa indefinição se vamos caminhar para uma economia de mercado ou se o Estado vai voltar a ter peso? Fora a crise na saúde”, contextualizou Senna.

 

Felpuda


Pré-candidatos que em outras eras cumpriram mandato e hoje sonham em voltar a ter uma cadeira para chamar de sua estão se esmerando em apresentar suas folhas de trabalho. O esforço é grande para mostrar os serviços prestados, mas estão se esquecendo que a cidade cresceu, os problemas aumentaram e aquilo que já foi tido como grande benefício hoje não passa da mais simples obrigação diante do progresso e das novas exigências legais. Assim sendo...