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PLANEJAMENTO

Especialistas dão dicas de como se organizar financeiramente em 2021

Pesquisa aponta que 35% da população de Mato Grosso do Sul teve redução nos rendimentos em 2020
09/01/2021 09:35 - Thais Libni


Em 2020, muitas famílias tiveram encolhimento de seus rendimentos e outros perderam seus empregos. Toda mudança pode gerar desequilíbrio financeiro. 

Com o início do novo ano, há a necessidade de olhar para despesas e receitas e planejar o novo ciclo. Economistas ouvidos pelo Correio do Estado indicam quais atitudes devem ser tomadas para evitar dores de cabeça financeiras.  

Levantamento do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio (IPF-MS) e do Sebrae-MS aponta que 35% da população do Estado teve redução em seus rendimentos em 2020, principalmente em decorrência da pandemia da Covid-19. 

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores (Peic), desenvolvida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o índice de famílias endividadas em Campo Grande foi de 59,5% em dezembro. 

São 193.366 pessoas com dívidas com cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais e financiamentos. Destas, 112.638 estavam inadimplentes, ou seja, com as contas atrasadas no mês passado.  

Conforme os economistas, reorganizar e fazer uma lista de prioridades pode ser o caminho para não começar o ano no vermelho.  

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Para economista do IPF-MS, Daniela Teixeira Dias, a redução dos gastos é normal e necessária para momentos como este, que demandam maior atenção. 

Segundo ela, a sociedade pode ser dividida em três grupos: o primeiro é composto por aqueles que perderam seus empregos em 2020 e estão dependentes de seguro-desemprego e auxílios do governo – estes visam a sobrevivência, gastando apenas com o essencial.  

O segundo grupo é formado por pessoas que tiveram uma redução em seus ganhos, mas que, ainda assim, apresentam condições para investir em conforto e lazer.  

E, por fim, o terceiro grupo engloba uma parcela da população que se reinventou durante a pandemia, foi afetada com perdas significativas em seus recebimentos e se adaptou trabalhando em mais de uma função.  

“O que é comum aos grupos: todos precisam colocar em um papel ou planilha todas as suas receitas e despesas, identificar o que é gasto para sobrevivência e o básico que não pode ser deixado de lado, categorizar previsões de contas que já estão vencidas e que vão vencer e um terceiro grau de priorização seria os desejos e os anseios”, pontua Daniela.

 
 

COMO SE PLANEJAR

Especialistas indicam que para começar o ano com as contas no azul é preciso se organizar. 

Quitar dívidas vencidas pode ser um ótimo primeiro passo. Avaliar qual é o valor do saldo negativo e comparar com os rendimentos é outra dica. 

Corte em aquisições não essenciais também é um caminho indicado para se planejar.  

O presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso do Sul (Corecon-MS), Heber Xavier, explica que medidas básicas podem fazer a diferença para quem está buscando estabilidade financeira.

“Aproveitar descontos de contas com pagamentos à vista é uma ação de economia. Como no caso do Imposto Predial e Territorial Urbano [IPTU], que possibilita até 20% de desconto para o cidadão”, afirma Heber.

Daniela Dias explica ainda que começar o ano no vermelho pode afetar diretamente na autoestima do consumidor.

“Quando você começa o ano no vermelho, isso mexe com as expectativas, e as pessoas são movidas por expectativas, o que acaba gerando uma sensação como se o ano não tivesse começado bem e, consequentemente, várias decisões serão tomadas a partir desse contexto em que a pessoa se encontra. Então, sem dúvidas, começar no vermelho não é bom. Mas buscar alternativas, possibilidades de como negociar a dívida, as taxas de juros e parcelas que caibam no bolso pode ser importante”, diz a economista.  

Para Xavier, a população precisa se organizar para não ficar dependente de recursos com data limite, como é o caso do auxílio emergencial, 13º salário e seguro-desemprego, pois eles têm validade e quando acabam as pessoas ficam sem renda.  

De acordo com o economista, é necessária muita calma e prudência com a saúde financeira. Xavier afima também que com planejamento é possível obter bons resultados.

 “Ainda é uma incógnita como será 2021, por conta da pandemia e do alto número de desempregados, a economia caminha como pode. Se estivermos com a pandemia controlada, e esperamos que sim, com certeza teremos um retorno do crescimento econômico. Então, o que devemos fazer é sermos prudentes, não sermos excessivos, não gastarmos além do que possuímos ou que venhamos a ter – estes são os melhores passos”, enfatizou Xavier.

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