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Estados têm superávit pela primeira vez, desde 1994

Estados têm superávit pela primeira vez, desde 1994

Redação

28/02/2010 - 05h33
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Em 2009, os Estados brasileiros tiveram pela primeira vez, numa série de dados que recua até 1994, um pequeno superávit fiscal nominal (que inclui o pagamento de juros), de 0,06% do Produto Interno Bruto (PIB). “Isso é surpreendente, já que, até a década de 90, os Estados eram conhecidos pela falta de disciplina fiscal”, comenta o economista José Roberto Afonso, assessor do Senado, que levantou dados do desempenho nominal e primário (exclui juros) da União e do conjunto dos Estados e municípios desde 1994. Na verdade, o resultado nominal dos Estados em 2009 deve- se em boa parte a um grande recuo na carga de juros, de 1,85% do PIB (em 2008) para 0,47%. Essa queda está ligada à deflação em 2009 do Índice Geral de Preços (IGP), que indexa dívidas estaduais com a União. Afonso considera, porém, que, mesmo levando-se em conta a redução dos juros em 2009, os Estados – e também os municípios – mostraram um desempenho fiscal, diante da crise financeira global, melhor que o da União. A análise foi feita com o pano de fundo da política anticíclica, cujo objetivo é estimular a atividade econômica com uma piora do resultado fiscal do governo, o que significa um aumento líquido dos gastos na economia como um todo. As duas formas mais consensualmente aceitas de aplicar esse remédio são a queda dos impostos e o aumento dos investimentos. Na visão de Afonso, mesmo apresentando queda do seu resultado primário menor que a da União, os Estados e municípios absorveram uma parte proporcionalmente maior da redução anticíclica de impostos, sem sacrificar investimentos. Segundo o levantamento do economista, enquanto o superávit primário da União caiu 43% de 2008 para 2009, saindo de 2,37% para 1,35% do PIB, o superávit primário dos Estados e municípios recuou 34%, de 1,02% para 0,67% do PIB. A receita líquida do governo central, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), teve ligeiro crescimento de 2008 para 2009, de 19,42% para 19,52% do PIB. O economista ressalva que não há informações da mesma qualidade para os governos subnacionais, mas um levantamento próprio, com base em dados de impostos arrecadados por Estados e municípios, indica que a carga tributária estadual teria caído de 9,56% para 9,11% do PIB de 2008 para 2009. Em relação às transferências da União aos entes subnacionais, o boletim da Secretaria mostrou queda naquele período de 0,36 ponto porcentual de PIB, de 4,43% para 4,07%. “Isso ocorreu porque as desonerações foram concentradas no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no qual mais da metade da receita é compartilhada”, diz Afonso. Já nos investimentos federais, projeção do economista Sérgio Gobetti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indica crescimento de 0,18 ponto porcentual do PIB em 2009, indo para 0,63%. Os Estados, por sua vez, segundo o mesmo levantamento, tiveram alta de 0,2 ponto porcentual de PIB nos investimentos, passando para 1,02%. Afonso nota que, enquanto no governo federal, a alta dos investimentos explica apenas 18% da queda do superávit primário, nos Estados, explica 70%. “Foram os Estados que fizeram o esforço anticíclico clássico, concentrado nos investimentos.”

Economia

No G20, Lula apoia tributação de bilionários e questiona juros de dívidas de países

Presidente diz que imposto sobre herança no Brasil é baixo e não incentiva pessoas a 'devolver o patrimônio'.

24/07/2024 21h00

Lula participou de reuniçao do G20, no Rio de Janeiro

Lula participou de reuniçao do G20, no Rio de Janeiro Reprodução/ GOV

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou lançamento de aliança internacional sobre a fome nesta quarta-feira (23) para reforçar a defesa da taxação sobre os super-ricos e criticar o elevado pagamento de juros de dívida por países pobres.

Em discurso, o presidente afirmou que a luta contra essas desigualdades é prejudicada pela pouca representatividade de países mais pobres em organismos multilaterais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

"A riqueza dos bilionários passou de 4% do PIB mundial para quase 14% nas últimas três décadas. Alguns indivíduos controlam mais recursos do que os países inteiros. Outros possuem até problemas espaciais próprios", afirmou.

"Os super-ricos pagam proporcionalmente muito menos impostos do que a classe trabalhadora. Para corrigir essa anomalia, o Brasil tem insistido no tema da cooperação internacional para desenvolver padrões mínimos de tributação global, fortalecendo as iniciativas existentes e incluindo os bilionários."

A taxação dos super-ricos é um dos principais entraves na negociação entre ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos países do G20 que ocorre esta semana no Rio de Janeiro.

Em discurso no evento desta quarta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que um imposto de 2% sobre as grandes fortunas renderia até US$ 250 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhões) por ano. "Ou seja, aproximadamente cinco vezes o que os dez maiores bancos multilaterais dedicaram ao combate à fome e à pobreza em 2022."

O imposto sobre herança do Brasil também foi alvo de críticas de Lula, que considera a alíquota baixa.

"No Brasil, ninguém faz doação porque o imposto sobre a herança é nada, é só 4%. A pessoa não tem interesse em devolver o patrimônio dela. Nos Estados Unidos, 40% da herança é de imposto. Então por lá, como imposto é alto, você tem empresários que doam seu patrimônio para universidade, laboratório, fundação ", disse o presidente.

No evento, Lula enalteceu o gesto do escritor Raduan Nassar, que doou para o governo federal uma fazenda de 43 hectares (quatro vezes a área do parque Ibirapuera, em São Paulo) para a implantação de um campus da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Lula estava acompanhado dos ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agriculta Familiar) e Camilo Santana (Educação).
Lula citou em seu discurso também o problema do endividamento dos países pobres como obstáculo à adoção de políticas sociais e de redução das desigualdades.

"O que vemos hoje é uma absurda exportação líquida de recursos dos países mais pobres para os países mais ricos", afirmou. "Não se pode financiar o bem-estar coletivo se a parte expressiva do orçamento é consumido com o serviço da dívida."

O presidente afirmou que a subrepresentação de países em desenvolvimento nos organismos multilaterais dificulta o debate sobre esses temas e se tornou outra prioridade do Brasil durante a presidência temporária do G20.

"Sem uma governança mais efetiva e justa, na qual o sul global esteja adequadamente representado, problemas como a fome e a pobreza serão recorrentes", disse.

Lula lançou no Rio de Janeiro uma proposta que pretende dar dimensão internacional ao combate às desigualdades sociais e deve receber os primeiros anúncios de apoio financeiro de outros países. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é a principal bandeira do Brasil no G20.

Um dos pilares da proposta se apoia em uma espécie de repositório de políticas de assistência social consideradas exitosas ao qual países poderão recorrer para desenvolver medidas semelhantes em seus territórios.

Além de governos, também poderão se juntar organizações internacionais, bancos multilaterais e outras entidades.

A expectativa é a de que Brasil e Bangladesh sejam os primeiros países a aderirem formalmente à iniciativa. O país já obteve sinalizações da Espanha e da Noruega sobre contribuições financeiras para dar o impulso inicial à estrutura institucional da aliança contra a fome —o governo Lula deve arcar com metade dos custos da estrutura administrativa do projeto.

Apesar de já ter conseguido essas primeiras promessas, o Brasil não conseguiu emplacar no documento fundacional um compromisso firme de todos os países do G20 sobre ajuda com recursos.
 

*Informações da Folhapress 
 

Economia

Santander registra lucro de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre, com alta de 44%

Banco aumentou rentabilidade em meio a nova estratégia de crescimento da base de clientes.

24/07/2024 20h00

O Santander Brasil lucrou R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, informou o banco nesta quarta-feira (24).

O Santander Brasil lucrou R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, informou o banco nesta quarta-feira (24). Fotos: Divulgação- Metropóles

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O Santander Brasil lucrou R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, informou o banco nesta quarta-feira (24). O resultado representa uma alta de 44,3% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 10,3% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

O desempenho superou previsões do mercado -segundo a Reuters, analistas consultados pela Lseg previam um lucro de R$ 3,19 bilhões no trimestre. O Santander Brasil é o primeiro dos grandes bancos a divulgar seus resultados trimestrais. Bradesco e Itaú apresentaram seus balanços nos próximos dias.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE), indicador que mede a rentabilidade da operação, ficou em 15,5%, melhor do que o trimestre anterior, quando estava em 14,1% e os 11,2% do segundo trimestre de 2023.

O resultado do banco veio puxado pelo aumento de empréstimos e tarifas. A carteira de crédito ampliada cresceu 7,8% em junho deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado e foi a R$ 665 bilhões.

A provisão para perdas com empréstimos caiu 1,4%, para R$ 5,89 bilhões e a receita líquida de juros (NII) subiu 10,6%, para R$ 14,75 bilhões.
No segundo trimestre de 2024, a PDD (provisão para devedores duvidosos) somou R$ 6,631 bilhões, queda de 7,4% em relação ao segundo trimestre de 2023 e de 2,4% em relação aos três primeiros meses deste ano.

O custo do crédito cai 0,8 ponto percentual na comparação com o mesmo trimestre do ano passado e ficou em 3,7%.

O índice de inadimplência do banco, em que são considerados atrasos superiores a 90 dias, ficou praticamente estável na comparação com o segundo trimestre de 2023, em 3,2%, uma variação de 2 pontos percentuais, e também em relação ao primeiro trimestre.

A base de clientes cresceu 6% na comparação anual e foi a 67,2 milhões de clientes. O volume de clientes ativos, porém, segue estável, em 31,9 milhões, em relação ao período em 2023, mas está superior aos 31,1 milhões do primeiro trimestre.

O crescimento dessa base é um dos pontos centrais na nova estratégia do Santander, que no fim de abril colocou em ação um reposicionamento de marca para atrair clientes de renda menor, chamado de "free".

O novo produto posiciona o banco, segundo o CEO do Santander Brasil, de modo "mais potente do que o mais potente dos digitais." Os primeiros sinais do reposicionamento são bons, diz Leão, puxado pela reativação de clientes e com a venda do "free" para aqueles que eram usuários de apenas um tipo de produto.

O banco também zerou anuidade de cartões e mexeu nas agências, que passaram a ser tratadas como lojas. Os espaços foram reformulados para ficarem mais parecidos com o varejo tradicional.

No segundo trimestre deste ano, o fluxo das lojas do Santander caiu 16%, enquanto o faturamento cresceu 15% nos dois meses sob o novo modelo.

Outro ponto no centro da estratégia é o crescimento da principalidade, ou seja, que o cliente tenha o Santander como o banco principal e no qual ele usa mais de um tipo de serviço.

O presidente-executivo do banco, Mario Leão, disse nesta quarta após a divulgação do balanço que houve evolução e que está confiante de que a principalidade vai crescer. "O importante é deixar de perder principalidade especialmente na baixa renda e passar a ganhar."

O banco tem avaliado como definir o percentual de clientes que o tem como instituição financeira principal, mas Leão estima que esteja abaixo de 50%.

No balanço do segundo trimestre, o Santander também informou ter feito uma provisão adicional de R$ 1,9 bilhão, a que o presidente-executivo chamou de coisa pontual e de uma escolha prudente, decorrente da conclusão da negociação com a Pluxee (ex-Sodexo).

O banco vendeu sua empresa de benefícios, a Ben, para a companhia de origem francesa, e passa a ter 20% dela. "A gente valora isso em R$ 2 bilhões. Poderíamos fluir pelo resultado, mas preferimos fazer reforço de balanço. Eu não precisava disso, tivemos mais um trimestre limpo."

O CEO do Santander Brasil também disse que o banco mantém a confiança na agenda fiscal do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar do que chamou de "ruídos" e da influência do ambiente externo sobre o mercado. Ressaltou, porém, considerar que "o componente interno tem tido peso além do que deveria."

RAIO-X | SANTANDER BRASIL NO 2º TRIMESTRE DE 2024

Clientes: 67,2 milhões
Funcionários: 55.091
Lucro líquido: R$ 3,3 bilhões
Roae: 15,5%
Agências e pontos de atendimento: 2.507
Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank

 

*Informações da Folhapress 

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