Economia

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EUA consideram estratégica reserva de minério em MS

EUA consideram estratégica reserva de minério em MS

Sílvio Andrade, Corumbá

24/12/2010 - 00h00
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Aguardando por décadas grandes projetos siderúrgicos que não saíram do papel, com a carência de energia e de logística não atraindo os investidores nacionais e internacionais, Corumbá é considerada uma região vital para o futuro da indústria dos Estados Unidos. Suas reservas de minério de ferro, considerado um dos melhores do mundo, e de manganês, são estratégicas para o mercado internacional.

O município aparece em documentos secretos dos Estados Unidos vazados pelo “Wikileaks” — site que divulgou pela Internet informações consideradas sigilosas do governo norte-americano —, os quais destacam as jazidas do Maciço de Urucum, que se estendem até a Bolívia. A reserva corumbaense foi citada em relatórios elaborados pelos diplomatas a partir de pedido feito pela secretária de Estado, Hillary Clinton. Ela pediu a lista dos 300 locais no planeta cuja perda ameaçava os EUA. A indústria norte-americana depende do suprimento de matérias-primas de Corumbá, sob risco de colapso em caso de uma guerra.

O foco dos EUA, segundo os papéis secretos, não traduz a importância dada pelo Brasil a esta riqueza mineral explorada desde 1930 pelos belgas. Nem mesmo o Gasoduto Bolívia Brasil viabilizou o beneficiamento do minério no município. A siderúrgica de ferro-gusa da MMX esbarrou em limites ambientais, que tornam a periferia do Pantanal intocável, e sua produção está sendo retomada lentamente pela Vetorial.

Com o gás natural foi anunciado o pólo minero-siderúrgico, um consórcio comandado pela Vale, com investimentos de bilhões de dólares. Mas sequer a usina termelétrica, projetada pela MMX, entrou em operação por falta de licenciamento ambiental. Posteriormente, a Rio Tinto anunciou sua planta siderúrgica, que também não avançou.

Por último, o governo brasileiro se associa ao boliviano para implantar o pólo gasquímico binancional, gerando mais uma expectativa de consolidar a vocação industrial de Corumbá. “O crescimento do nosso PIB significa que o município tem maior movimentação econômica, que a cidade tem capilaridade para atrair novos investimentos”, avalia o prefeito da cidade, Ruiter Cunha de Oliveira.

Além da questão ambiental, que avançou no entendimento entre o segundo e o terceiro setores nos últimos anos, a região tem gargalos no setor de transportes. A ferrovia, que liga Santos (SP) a Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) está sucateada no trecho de Mato Grosso do Sul, e a Hidrovia do Rio Paraguai, que hoje escoa grande parte do minério in natura, necessita de investimentos em infraestrutura.

Os projetos em curso de exploração das reservas de Urucum estão concentrados, hoje, apenas na expansão de produção, saindo dos atuais 4 milhões de toneladas/ano para pelo menos 20 milhões de toneladas/ano em 2025.

A Vale, que praticamente monopolizou a extração mineral com a aquisição dos ativos da unidade local da anglo-australiana Rio Tinto, planeja investir R$ 2 bilhões para quadruplicar sua produção.

 

Economia

PIB do agronegócio de MS registra maior crescimento entre os estados

Crescimento foi de 32% no ano passado, o que deixa o Estado 6,4% a frente de Tocantins, que teve a segunda maior alta

04/03/2024 13h01

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O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 32% no ano passado, sendo a maior alta entre os estados brasileiros.

Os dados são da Resenha Regional do Banco do Brasil que faz o acompanhamento dos indicadores econômicos dos estados, e divulgados nesta segunda-feira (4) pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Conforme o levantamento, o resultado coloca Mato Grosso do Sul a frente do Tocantins (25,6%), Mato Grosso (23,5%) e o Paraná (22,9%).

Conforme o titular da Semadesc, Jaime Verruck, "a liderança do Estado na geração de riquezas no agronegócio reflete a política robusta de apoio às cadeias produtivas do setor amplamente defendida pelo Governo do Estado".

"Com ações consistentes, incentivos fiscais e linhas de crédito oferecidas por meio do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) a produção agropecuária continua em evolução e abrindo novas perspectivas em trabalho e sustentabilidade no Estado”, destacou o secretário.

O governador Eduardo Riedel (PSDB) ressaltou que o Estado consegue avançar na produção sem descuidar do meio ambiente.

“São duas coisas que caminham juntas: produção e sustentabilidade ambiental. Mato Grosso do Sul é destaque no agro sustentável e vamos trabalhar cada vez mais para avançar em infraestrutura e logística para escoar essa produção. Temos uma grande preocupação com os nossos biomas e conquistamos avanços importantes como a lei que protege o Pantanal. Não tem como dissociar esse agro moderno e competitivo do meio ambiente”, afirmou Riedel.

Em termos de participação nas riquezas, MS teve presença em 7,6% da agropecuária nacional, com destaque para a soja, de 7,2%, no milho de 12,3% e no algodão de 1,8%.

Para 2024, mesmo com a estiagem severa do ano passado, o Estado mantém a estimativa de uma safra de soja 6,5% maior em relação ao ciclo passado (2022/2023), atingindo a área de 4,265 milhões de hectares.

A produtividade estimada é de 54 sc/ha, com expectativa de produção de 13,818 milhões de toneladas.

Para 2024, o relatório projeta que o agronegócio deve ter uma contribuição mais tímida em todo o País.

Isso deve ocorrer por conta de uma queda na área plantada do milho safrinha diante do atraso na janela de plantio e clima desafiador, combinada com impulso na renda das famílias, oriundo do pagamento dos precatórios e aumento real do salário mínimo.

Com relação ao PIB da Indústria, MS avançou em 1,1%, no setor de Serviços 4,3% e no total crescimento de 8,4% no PIB, segundo o levantamento do Banco do Brasil.

* Com assessoria

levantamento

Em MS, quase 5 mil empresas entraram para a lista de inadimplentes em 2023

Serasa indica que, mesmo com mais de 82 mil negócios negativados, Estado tem o menor número de CNPJs irregulares do Centro-Oeste

04/03/2024 08h35

Foto: Gerson Oliveira

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No período de um ano, 4.933 empresas de Mato Grosso do Sul entraram na lista da inadimplência. Segundo dados Serasa Experian, o número de Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs) negativados chegou a 82.210 em dezembro do ano passado, uma alta de 6,4% em relação aos 77.277 registrados no mesmo período de 2022.

Entre as 27 unidades federativas do País, o Estado aparece como o 16º com maior número de empresas com contas em atraso. No ano, MS acumula um total de R$ 1,601bilhão em dívidas pendentes, e o valor médio por débito é de R$ 19.474.

Ainda de acordo com os dados da Serasa Experian, em janeiro de 2023, Mato Grosso do Sul registrava 76.812 CNPJs com dívidas atrasadas, número que aumentou no mês seguinte, quando foram registrados 77.387 inadimplentes, atingindo ainda no primeiro semestre do ano a casa de 80 mil negócios com dívidas pendentes.

Em junho, a lista contava com 80.098 empresas no vermelho, totalizando R$1,454 bilhão em dívidas. Em novembro, MS chegou à máxima de 82.311 inadimplentes, com montante de R$ 1,581 bilhão em atraso.

O doutor em Economia Michel Constantino explica que a inadimplência é um resultado preocupante, pois todas as empresas constam no saldo de endividamento, já que fazem investimentos a longo prazo.

“A inadimplência apresenta um grau de deterioração da gestão financeira e aumento do risco de fechar, pois a empresa já não consegue pagar seus contratos”.

Constantino acrescenta que o aumento de 77.277 para 82.210 inadimplentes entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023 mostra que as empresas estão com mais dificuldades de manter seus fluxos de caixa em dia e, consequentemente, seus resultados.

“O setor de serviços lidera, com a maior parte das empresas, pela proporção que apresenta no total”, detalha.

Para o mestre em Economia Lucas Mikael, o desempenho observado em 2023 pode ser atribuídos a diversos fatores macroeconômicos, destacando-se o aumento das taxas de juros. 

“Esse cenário desencadeou um efeito em cascata: a combinação de juros elevados com a inflação reduziu o poder de compra da população, o que, por sua vez, levou a uma diminuição na clientela das empresas. As altas taxas de juros também complicaram a quitação de dívidas por parte das empresas”, explica.

Mikael destaca ainda que a expectativa para este ano é de redução da taxa Selic, fato que deve contribuir para um cenário mais sereno.

Esta mudança é uma luz no fim do túnel para o ambiente empresarial, especialmente para as pequenas e médias empresas, que são mais sensíveis às flutuações da taxa de juros.

“Uma Selic mais baixa pode aliviar o custo do crédito, facilitando, assim, o manejo de dívidas e possivelmente estimulando investimentos e consumo, o que seria um impulso bem-vindo para a recuperação econômica”, analisa.

REGIÃO

Ao comparar as unidades federativas que compõem a região Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul lidera com a menor quantidade de estabelecimentos no vermelho. Em primeiro lugar está Goiás, com 226.173 empresas na lista de inadimplentes, seguido por Mato Grosso, com 139.520, e Distrito Federal, com 129.311. MS que aparece em último lugar, com 82.210 empresas inadimplentes, com 626.741 contas em atraso.

O relatório também evidencia que, entre os setores, a maioria dos estabelecimentos inadimplentes é do segmento de serviços, 54,8% do total, acumulando elevação de 1,8 ponto porcentual na comparação com 2022, quando o segmento respondeu por 53,6% do total de empresas. 

Na sequência está o comércio, com 36,4%, seguido pelo setor industrial, com 7,5%, e setor o primário, com apenas 0,8%, porcentual que se manteve estável em relação a 2022.

De acordo com o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, a redução da taxa Selic e a diminuição da inflação foram fatores que impactaram o bolso dos brasileiros, que designaram recursos para pagar suas contas.

Esses pagamentos foram destinados a empresas, que ganharam mais fôlego para liquidarem seus próprios débitos.

“Outro impacto direto que as reduções trazem para a saúde financeira dos negócios é que quanto menor a taxa, menor é a despesa financeira que as empresas incorrem, aliviando seus caixas. Além disso, juros em queda permitem às empresas trocar dívidas velhas e caras por dívidas novas e mais baratas”, aponta Rabi.

No ano passado, as dívidas negativadas somaram R$ 126,1 bilhões no País, e o ticket médio de cada conta atrasada foi estimado em R$ 2.688,76.

Em dezembro de 2023, foram registrados 6,6 milhões de negócios na lista de inadimplência no Brasil, número que se manteve estável desde julho.

ABERTURA DE EMPRESAS 

Contrastando com o cenário de inadimplência, Mato Grosso do Sul bateu recorde na abertura de novas empresas. Segundo dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems), no ano passado, foram 13.415 novas empresas abertas de janeiro a dezembro, 4.092 delas localizadas na Capital.

Na avaliação do titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, os números são reflexo de ações que aqueceram as atividades econômicas.

“Nós fechamos 2023 com a marca de 10 mil novas empresas abertas em Mato Grosso do Sul, o quarto recorde consecutivo em toda a série histórica da Junta Comercial”, afirma.

O secretário destacou também que a condição do Estado, aliada às políticas da administração estadual de promoção do desenvolvimento econômico e de fomento ao empreendedorismo, proporciona um ambiente de negócios cada vez mais atrativo e competitivo em Mato Grosso do Sul.

Em janeiro deste ano, foram 862 novas empresas abertas em MS, número que também representou um recorde para o mês, conforme apontam dados Jucems.

O setor de serviços lidera a abertura de novas empresas (579), seguido por comércio (249) e indústria (34). Das 862 novas empresas abertas no Estado no período, 364 foram constituídas em Campo Grande, 98 em Dourados, 52 em Três Lagoas, 23 em Sidrolândia, 22 em Chapadão do Sul, 19 em Corumbá, 17 em Nova Andradina, 17 em Ponta Porã, 13 em Maracaju e 13 em Paranaíba. 
Desenrola deve ajudar empresários
 
Respiro para o cenário negativo no País, o governo prepara um programa semelhante ao Desenrola, que concedeu descontos para pessoas físicas endividadas, para que microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas quitem suas dívidas.

De acordo com estimativa do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, cerca de oito milhões de empresas podem ser beneficiadas pela renegociação de dívidas.

O lançamento da versão para pequenas empresas e MEIs do Desenrola deve sair ainda neste trimestre.

Márcio França ressalta que a versão do Desenrola para as empresas deve contemplar dívidas do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Ele não descartou que o programa seja implementado em fases, como ocorreu com a versão para pessoas físicas, que começou em julho do ano passado e terminará no dia 31 deste mês.

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