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AGRICULTURA

Excesso de chuvas gera atraso na colheita e prejuízos na safra de soja

Setor produtivo diz que a semeadura do milho também pode ser impactada
06/02/2021 09:00 - Súzan Benites


Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) apontam que o acumulado de chuva em Mato Grosso do Sul em janeiro deste ano foi de 3.738 milímetros, superando os 2.153 mm do ano passado. 

O excesso de chuvas traz o atraso na colheita e outros prejuízos à safra de soja 2020/2021.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS), André Dobashi, o excesso de umidade e insolação menor prejudicaram o desenvolvimento de algumas lavouras no Estado.

“Em janeiro, a gente observou volumes de chuvas muito acima do esperado, o que fez com que os produtores tivessem parte da sua produção afetada. Que fez com que aparecessem, de forma precoce, as doenças de final de ciclo.

E aqueles que estavam com suas lavouras adiantadas em processo de maturação estão sofrendo com grãos ardidos, mofados e avariados, como a gente vê na região de Rio Brilhante, um pouco no centro de MS e na região de Ribas do Rio Pardo”, explica Dobashi.

Na região sul do Estado, produtores também registram algumas perdas. 

O agrônomo Ricardo Rigon diz que algumas lavouras de Dourados, Maracaju e redondezas já colheram grãos avariados.

“Por causa dessas chuvas em excesso, a soja alongou seu ciclo [ maior tempo de vida] por conta da falta de luminosidade. A soja plantada em setembro está sendo colhida agora e com a qualidade de grão ruim [grão ardido]. 

Enquanto as plantadas em outubro estão boas, mas se tivesse mais luz, ou seja, no mês de janeiro não tivesse ficado nublado, estaria bem melhor”, afirma o agrônomo.

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O presidente da Aprosoja reitera que ainda são casos isolados. 

“São episódios isolados de grãos sendo deteriorados em função da qualidade. O que nós temos agora é um atraso no ciclo da cultura, o que vai levar a nossa colheita para um patamar adiante do que estávamos esperando”, alerta Dobashi.  

ESTIMATIVAS

As estimativas ainda se mantêm para uma safra recorde. 

De acordo com os dados do boletim Casa Rural, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), a estimativa é de aumento na área plantada em 7,55%, passando de 3,389 milhões para 3,645 milhões de hectares.

Já em relação à produtividade, também é esperada ampliação da quantidade de grãos colhidos. 

Conforme o boletim, a expectativa é colher 53 sacas por hectare. O acréscimo de produtividade deve ser de 2,35% no comparativo com o ciclo passado, saindo de 11,325 milhões de toneladas na safra 2019/2020 para 11,591 milhões de toneladas na safra 2020/2021.

“A expectativa é de que a produção da safra seja dentro da média dos últimos cinco anos”, aponta o boletim técnico.

De acordo com o presidente da Aprosoja, a colheita da oleaginosa já deveria ter começado, mas, por causa dos problemas climáticos, houve um atraso de pelo menos 15 dias.

“Acreditamos que a gente já está atrasado em pelo menos 15 dias. A colheita estava prevista para ser iniciada agora na virada do mês de janeiro para fevereiro nas áreas mais adiantadas. Já na primeira semana de fevereiro, era para as pessoas estarem se movimentando para colher”, diz Dobashi.

Segundo levantamento realizado pela Granos Corretora, até 1° de fevereiro o Estado havia comercializado 60,80% da safra 2020/2021, avanço de dois pontos porcentuais na comparação com a safra passada.

O preço médio da saca de 60 kg ficou em R$ 154,67 em janeiro, avanço de 103% ante a janeiro de 2020, quando a oleaginosa foi cotada a R$ 76,16.