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DESDE JANEIRO

Fila demorada e falhas no atendimento fazem Procon multar bancos em R$ 438 mil

Valores correspondem a processos de anos passados que tiveram desfecho em 2020
12/03/2020 08:40 - Ricardo Campos Jr


 

O Procon já aplicou R$ 438.076 em multas aos bancos com unidades em Campo Grande por falhas básicas no tratamento dispensado aos consumidores. O valor corresponde aos processos administrativos abertos desde 2017 após flagrantes das irregularidades, mas que somente tiveram o desfecho desde janeiro deste ano.

Marcelo Salomão, superintendente do órgão, explica que a maioria dos casos envolve demora no atendimento, problema que ele já considera crônico na cidade.

Pela lei, os clientes podem esperar até 15 minutos na fila em dias normais. Nos dias anteriores e seguintes a feriados o limite sobe para 30 minutos, assim como no intervalo entre 1º e 10 e no último dia de cada mês. As exceções consideram picos de aumento no movimento.

Contudo, não é isso que acontece na prática. No dia 3 de março, por exemplo, pelo menos três pessoas ficaram mais de uma hora aguardando atendimento na agência do Bradesco da Rua Marechal Rondon.

Além disso, as senhas são impressas em papéis termossensíveis. Esse material é conhecido porque a tinta se apaga facilmente com o passar do tempo por conta da temperatura. “Isso é ilegal, não é permitido usá-lo”, disse Salomão ao Correio do Estado.

 
 

NÚMEROS

O Banco do Brasil é o campeão em número de multas geradas este ano. O Procon já decidiu pela aplicação da penalidade em 20 processos somente este ano que somam 4.948 Unidades Fiscais Estaduais de Referência (UFERMs), o que resulta em R$ 147.747,28.

Procurada pela equipe do Correio do Estado, a assessoria de imprensa da estatal não encaminhou retorno até a publicação desta reportagem.

Já o Santander ocupa a segunda colocação do ranking somando R$ 103.405,18 em multas referentes a 14 processos administrativos encerrados desde janeiro. O setor de comunicação do banco informou que não se pronuncia sobre ações judiciais e administrativas em andamento.

A Caixa Econômica Federal levou R$ 100.777,50 em multas somente este ano. Em nota, o banco disse que “valoriza a opinião dos clientes e a utiliza como subsídio para melhoria e modernização de todos os seus processos de atendimento”.

Esclarece ainda que revisa permanentemente seus serviços e produtos, priorizando a redução das reclamações e o aumento da solução em todos os canais, internos e externos.

O banco acrescenta que realiza diversas ações para melhoria, como acompanhamento do tempo de espera para atendimento nos caixas e divulgação de canais de atendimento alternativos como autoatendimento, internet, mobile, caixa-rápido, rede lotérica e correspondentes bancários.

Por sua vez, o Bradesco teve cinco processos administrativos encerrados em 2020 que resultaram em R$ 34.936,20 em multas.

Também em nota, a empresa afirmou que “reduzir os índices de reclamação é objetivo permanente, assim como oferecer um atendimento de qualidade a todos os clientes e usuários”.

O banco afirma ainda que desenvolve um extenso programa de análise da origem das manifestações de seus clientes e usuários. Esse trabalho é realizado juntamente com os gestores de produtos, processos e serviços e vem produzindo melhorias na solução e redução das manifestações. Além disso, entre outras ações adotadas estão os constantes investimentos em treinamento do quadro de colaboradores e em infraestrutura. “É importante ressaltar que o Bradesco tem uma posição de respeito absoluto ao cliente e aos seus interesses”, conclui o comunicado.

O Itaú e o Unibanco, que atualmente são uma única instituição, somaram R$ 22.693,60 em multas geradas desde janeiro. A segunda marca foi incorporada à primeira, mas como na época da fiscalização elas ainda estavam separadas, o levantamento as incluiu separadamente.

A empresa afirma manter o cliente no centro de tudo o que faz, atuando sempre para melhorar a sua satisfação e atender às suas necessidades. “O banco aguarda ter ciência das decisões para avaliar as medidas a serem adotadas”, disse em nota.

O banco PAN, antigo Panamericano, recebeu R$ 12.541,20 de multas relativas a dois processos administrativos. Nesta sexta-feira (13), a assessoria da instituição encaminhou nota "reiterando sua posição de respeito aos clientes e informando que os procedimentos estão pendentes de julgamento final e permanece à disposição em todos os seus canais de atendimento".

Por fim, a lista traz o BMG, que soma R$ 11.496,10 em penalidades administrativas aplicadas pelo Procon. O banco também não encaminhou retorno ao Correio do Estado.

CANAIS

O Procon mantém vários meios para denúncias desse e de outras falhas na relação de consumo. Clientes lesados podem acionar o órgão pelo 151, das 07h até as 18h30, de segunda a sexta-feira. Há também o WhatsApp (67) 9 9158-0088 ou atendimento presencial na Rua 13 de junho, 930.

Matéria alterada às 8h17 de 13 de março para acréscimo do retorno do Banco Pan


 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.