Economia
PECUÁRIA

Frigoríficos se preparam para não comprar bovinos de quem degrada o meio ambiente

As gigantes JBS e Marfrig já têm iniciativas nesse sentido no Estado; controle total da cadeia será efetivado a partir de 2026

Rodolfo César

04/07/2022 09:00

 

Majoritária no mercado de proteína animal do Brasil, com esse monopólio estendido para Mato Grosso do Sul, a JBS divulgou que assumiu compromissos ambientais e vai exigir dos clientes o mesmo comprometimento. 

Já há políticas socioambientais implantadas, porém, a previsão é de que, a partir de 2026, essas medidas tornem-se mais rígidas. Tanto o Pantanal como outros biomas estão inseridos nesse contexto.  

Propriedades que forem oficialmente identificadas como locais de desmatamento, invasão de terras indígenas e territórios quilombolas, além de unidades de conservação, ou embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não poderão mais vender gado para a empresa.

Outras grandes empresas do ramo, como a Marfrig, que também atua em Mato Grosso do Sul, também têm planos para a proteção das paisagens, com a meta de zerar o impacto nos biomas até 2030.

O documento da JBS que especifica essas regras é intitulado “Política de Compra Responsável da JBS”, foi assinado em 1º de junho e cita os biomas Amazônia e Cerrado para esse monitoramento.  

Porém, a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou ao Correio do Estado que o Pantanal está inserido nesse modelo de negócio.

O documento da JBS é muito semelhante ao da Marfrig, que estabelece metas para Amazônia e Cerrado, mas cita o Pantanal.  

Os incêndios criminosos, questão mais sensível para o Pantanal, quando identificados, também colocarão a propriedade no rol de suspensão de compra. Porém, a empresa não divulgou detalhes sobre propriedades rurais no bioma que foram suspensas. Nos sete primeiros meses de 2021, 128 proprietários foram multados por manejo incorreto do fogo pela Polícia Militar Ambiental. Nem todos, necessariamente, fazem criação de gado para abate e mantêm negócios diretos com a JBS.

Esses critérios socioambientais foram estruturados em 2010, de acordo com a empresa, e um sistema de verificação e monitoramento foi criado para analisar as condições das fazendas que fornecem gado para a Friboi, unidade de negócios de carne bovina da JBS no Brasil.  

Com imagens de satélite, dados georreferenciados e informações de órgãos do governo, há uma análise diária de 80 mil fornecedores. Conforme a JBS, 15 mil propriedades no País já foram bloqueadas por apresentarem irregularidades.

Monitoramento

Apesar de toda essa sistemática que vem sendo montada desde 2010, a JBS apontou que ainda tem pontos a superar, por ainda existirem situações que podem burlar esse monitoramento, ao menos de forma temporária. 

Um recurso em desenvolvimento para tentar fechar o cerco contra fornecedores ligados ao desmatamento e a outras irregularidades é a criação da plataforma Pecuária Transparente.  

Essa ferramenta vai exigir que todos os fornecedores façam um cadastro e estejam em condições de serem monitorados de forma mais contundente.

A tecnologia conhecida como blockchain foi implantada para respaldar a segurança e a privacidade dos dados, afinal, os fornecedores passarão a ser obrigados a fornecer informações relevantes do próprio negócio, o que vai resultar em um cadastro amplo de propriedades para a empresa multinacional.

Essa plataforma já foi desenvolvida, porém o cadastramento das propriedades rurais ainda é voluntário. A partir de 2026, conforme divulgado pela JBS, a multinacional só fará negócios com produtores que estiverem incorporados nessa ferramenta de monitoramento.