Economia
ANÁLISE

Inflação corrói poder de compra do consumidor e desafia a economia

Cenário de alta do IPCA pode gerar fenômeno da estagflação no Brasil

Rodrigo Almeida

14/05/2022 08:30

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a inflação de abril no dia 11 e, apesar de os números terem mostrado sinais de desaceleração em relação a março, esta é a maior marca para o mês desde 1996 no Brasil e de toda a série histórica em Campo Grande.  

O indicador aponta alta de preços em diversos produtos e serviços, com destaque para combustíveis e alimentos. 

Com isso, os especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o consumidor tem o poder de compra mais reduzido. E tem se tornado uma equação difícil até mesmo para os economistas.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Campo Grande para o mês ficou em 1,21%, a terceira marca entre as cidades pesquisadas. No compilado nacional, a inflação chegou a 1,06%, abaixo da taxa de março (1,62%).  

Segundo o mestre em Economia Eugênio Pavão, o cenário econômico está desafiando as leis da teoria. “De acordo com os monetaristas, o excesso de moeda seria responsável pela inflação, devendo ser combatida por instrumentos monetários. Entretanto, apesar das seguidas altas, a economia se vê em uma cilada da demanda após a pandemia, que provocou a queda do consumo, e agora a demanda represada está levando ao aumento de preços”, explica.

Doutor em Economia, Michel Constantino é categórico. “A inflação veio para ficar”. Segundo ele, as forças inflacionárias persistentes são resultado do desequilíbrio nas economias mundiais.  

Além dessa pressão já citada, o professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) Mateus Abrita comenta que a inflação atual dá todos os indícios de ser relacionada aos custos.  

“A taxa básica de juros é usada para conter a inflação de demanda, e, com a guerra na Ucrânia, a desregulação das cadeias produtivas e o fechamento de portos chineses, estamos vivendo uma inflação de custos, e não de demanda”, analisa.  

O professor ainda diz que isso cria tendência de elevação nos preços de combustíveis, que impactam nos produtos mais básicos.  

“Estamos sentindo a alta dos combustíveis chegando ao consumidor de forma direta, no caso da gasolina e do diesel, e de forma indireta porque impacta o custo de produção, frete e transportes. Infelizmente, isso acaba prejudicando ainda mais o poder de compra da população, que já está sofrendo”, resume.