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IBGE

Inflação em Campo Grande é três vezes maior que a brasileira; custo de vida dispara

IPCA acumulado de 2020 na Capital é de 2,13%, três vezes maior que o índice nacional, de 0,70%
10/09/2020 10:00 - Súzan Benites


Campo Grande acumula inflação de 2,13% nos oito meses do ano, o resultado é três vezes maior do que o índice nacional, de 0,70%. Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, registrou alta de 2,44% no Brasil e na Capital a inflação chega a 4,43%. Principalmente puxada pela alta de alimentos e bebidas.

De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, o aumento de preço dos produtos alimentícios explica em parte os números. “No ano, a inflação foi puxada por alimentação e bebidas, talvez isso pode ser explicado pelo próprio perfil do Estado, que tem uma vocação natural para a produção de alimentos. Mas geralmente a gente exporta para outros estados e outros países também. Nessas exportações, a gente manda a nossa produção de grãos, carnes, mais in natura para os outros locais e a gente compra esses produtos processados e industrializados”, destacou Daniela, que ainda exemplificou.  

“A parte de beneficiamento das carnes [frigoríficos] já temos aqui, mas os grãos não, a gente manda in natura e recebe esses produtos industrializados com um valor maior. Então essa industrialização acontece em São Paulo, por exemplo, e para eles esse produto será mais barato, quando volta para o Estado temos o custo do frete, taxa de mercado e tributação. Isso tudo pode interferir”, considerou.  

MENSAL

Não é só no ano que a inflação da Capital está maior do que a do País. Em agosto, entre os 17 locais pesquisados, a Capital sul-mato-grossense registrou a maior alta do Brasil. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em agosto, a taxa subiu 1,04% em Campo Grande, seguido por Goiânia, com 0,66%. Já na média nacional, o índice foi a 0,24%, 0,12 ponto porcentual abaixo da média registrada em julho (0,36%). O índice, entretanto, é o maior resultado para o mês de agosto desde 2016.

A alta nos preços da gasolina, que subiu 3,88%, e de alimentos como tomate (32,71%), frutas (9,54%), carnes (6,28%) e arroz (4,74%) puxou a inflação do mês. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em agosto. A maior variação veio dos transportes (3,23%). A segunda maior contribuição veio de alimentação e bebidas, que registrou alta de 2,31%. Os grupos habitação (0,32%) e artigos de residência (0,84%) também tiveram alta, mas desaceleraram na comparação com o mês anterior (1,21% e 0,94%, respectivamente). No lado das quedas, o destaque ficou com o grupo educação (-6,54%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,78% em despesas pessoais e a alta de 1,44% em comunicação.

O grupo alimentação e bebidas acelerou em relação a julho, quando ficou próximo da estabilidade (0,13%). Os alimentos para consumo no domicílio tiveram alta de 2,84%, influenciados principalmente pela elevação nos preços dos produtos já citados (tomate, frutas, carnes e arroz), e ainda as variações do macarrão (5,59%), as hortaliças e verduras (4,79%) e o óleo de soja (3,70%). As quedas foram registradas nos preços da cebola (-22,17%), do feijão-carioca (-16,47%), do alho (-9,25%) e da batata-inglesa (-5,24%).

A economista explica que, além da oferta e da demanda, vários fatores impactaram em aumento dos alimentos. “Segurou-se um pouco essa demanda no início da pandemia, mas continuamos com um consumo intenso ao longo dos meses. E quando a gente tem o aumento da demanda, para equilibrar o mercado, automaticamente temos o aumento dos preços. Mas há outros motivos, um deles é que estamos em um período de seca, então essa parte da produção acaba tendo uma redução, e consequentemente com uma menor oferta os preços aumentam. E há ainda os insumos importados, como os fertilizantes, com a valorização do dólar, o custo desses produtos encarecem a produção. E ainda no começo do ano já tínhamos a previsão do reajuste do preço do arroz e do feijão”, explicou Daniela. 

 
 

PODER DE COMPRA

Com o índice inflacionado, o poder de compra do consumidor consequentemente acaba ficando menor. Para consumir a mesma quantidade de alimentos, ele precisará desembolsar mais.  

“Quando a gente tem uma inflação um pouco mais alta, isso acaba interferindo no poder de compra. Imagine o seguinte, você comprava uma cesta de produtos com R$ 100 e, quando a inflação aumenta, você precisa de mais do que R$ 100 para comprar a mesma cesta. Isso acontece principalmente quando os produtos considerados essenciais têm aumento do preço, como foi o caso do arroz, do feijão e do óleo. Se a pessoa destinava 70% do seu orçamento total para gastos com alimentação e produtos de higiene, significa que ela vai ter de gastar mais de 70%, ela compromete um pouco mais do seu orçamento”, disse a economista, que ainda reforçou que quando se trata de produtos básicos muitas vezes não há como substituí-los.  

“Produtos básicos são mais difíceis de encontrar substitutos. Então significa que as pessoas estão perdendo seu poder de compra, estão tendo de desembolsar uma parcela maior do seu orçamento com a alimentação, por exemplo. O que acaba interferindo na vida das pessoas, e elas percebem quando vão aos supermercados. É aí que começa a busca por outros produtos, redução do consumo ou corte de outras despesas para priorizar aquilo que é considerado essencial”, concluiu Daniela.

 

 
 

Felpuda


A lista do Tribunal de Contas de MS, com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros de quando exerceram cargos públicos, está deixando muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!