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CRISE DA PANDEMIA

Pandemia tira R$ 12 bilhões em investimentos

Quadro agravado pela recessão da covid-19 tem investimentos públicos espremidos pela crise fiscal e agenda de concessões ainda por decolar
27/09/2020 08:30 - Estadão Conteúdo


Com os investimentos públicos espremidos pela crise fiscal e a agenda de concessões ainda por decolar, os aportes em infraestrutura deverão somar R$ 124,6 bilhões em 2020, quase igual aos R$ 121,4 bilhões de 2019, conforme estudo da Inter.B Consultoria obtido com exclusividade pelo Estadão. 

O quadro foi agravado pela recessão causada pela covid-19. A consultoria estima que a pandemia poderá diminuir o valor deste ano em torno de 10% na comparação com as projeções pré-covid-19 - ou seja, cerca de R$ 12 bilhões deixarão de ser investidos por causa de interrupções ou adiamentos de planos.

Pela projeção, os investimentos em infraestrutura atingirão 1,77% do Produto Interno Bruto (PIB) - bem longe do que seria considerado ideal. Nas contas da Inter.B, o Brasil precisaria investir, por ano, 4,24% do PIB em estradas, portos, ferrovias, linhas de transmissão, saneamento e telecomunicações. 

Se esse porcentual fosse atingido, significaria o desembolso de R$ 174 bilhões só neste ano.

Segundo economistas, além de aumentar a capacidade de crescimento no futuro, o investimento movimenta a economia no presente, ao gerar empregos e demandar insumos.

A pandemia atrasou algumas obras públicas, mas, segundo o presidente da Inter.B, Cláudio Frischtak, como são de longo prazo, os projetos de infraestrutura são menos afetados do que os planos de setores como indústria e varejo. 

A questão é a crônica falta de recursos para bancar novos projetos, em função da crise fiscal do governo.

Frischtak afirma que a saída é atrair investidores privados para as concessões, mas essa atração é prejudicada por entraves conhecidos, como insegurança jurídica, marcos regulatórios considerados inadequados e interferência política nas agências reguladoras.

Além de atrasos de obras, a covid-19 traz impactos mistos no médio prazo. Por um lado, a ação dos bancos centrais de todo o mundo manteve os juros baixos na maioria dos mercados, o que, na retomada, favorece a alocação de recursos financeiros em infraestrutura. Por outro, a recessão aumenta a percepção de risco sobre países emergentes como o Brasil.

Atraso nos leilões

Embora a regulação tenha avançado mesmo com a pandemia, com destaque para o novo marco do saneamento, o cronograma de leilões sofreu atrasos. 

O plano era conceder sete trechos rodoviários federais, mas o número caiu para três. Para a próxima rodada de aeroportos, que inclui 22 terminais e está prevista para março de 2021, foi preciso revisar cálculos.

O efeito desses atrasos sobre os valores de 2020 tende a ser pequeno porque essas concessões preveem aportes nos próximos anos, mas o Barômetro da Infraestrutura, pesquisa semestral da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) com a EY, mostrou em junho que só 17,5% dos empresários projetavam um cenário promissor para investir este ano, ante 47,9% em 2019.

José Guilherme Souza, sócio de infraestrutura da gestora de recursos Vinci Partners, que opera as transmissoras de energia Arcoverde, TPAE e LEST, estima que o calendário de investimentos em infraestrutura perdeu de seis meses a um ano com a pandemia. 

Os impactos variam conforme a área. Concessões com "risco de demanda", que terão as receitas com tarifas afetadas no longo prazo, como rodovias, perdem mais do que as linhas de transmissão ou as operações de água e esgoto.

A ABCR, associação das concessionárias de rodovias, estima que a queda no fluxo nas praças de pedágios já levou a perdas de R$ 1,2 bilhão. Isso atinge o caixa das concessionárias, tirando o fôlego para investir.

Nas operações de transmissão de energia, a Vinci viu "quase nada" de impacto, mas a gestora esfriou a análise para comprar uma concessão rodoviária já operacional, cujo nome Souza preferiu não revelar. "Com a queda da demanda do tráfego e atraso nas obras obrigatórias, abriu-se um passivo. Temos de ver como isso vai ser resolvido daqui para frente, o que toma um pouco mais de tempo."

Para o presidente da ABCR, César Borges, as concessionárias tentam guardar caixa para os leilões pós-pandemia, mas o fôlego varia de empresa para empresa. A CCR estaria mais bem capitalizada para aproveitar os próximos leilões do que a Ecorodovias, segundo relatório do banco americano Citi. 

A CCR tem comunicado ao mercado que os resultados têm melhorado e que mantém o apetite, com destaque para a relicitação da Via Dutra, adiada para o início de 2021. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 
 

Felpuda


Comentários maldosos nos meios políticos dão conta que duas figurinhas que se rebelaram contra os próprios colegas poderão ficar no sereno político e, de forma indireta, serem personagens das próprias manifestações.

Um deles defendeu a redução do número de vereadores, e o outro disse ter vergonha de exercer o cargo. Agora enfrentam altos e baixos na campanha eleitoral.