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LEVANTAMENTO

Com a maior inflação do País, morador de Campo Grande tem poder de compra reduzido

O índice de Campo Grande fechou o ano passado em 6,85%, enquanto a média nacional foi de 4,52%
13/01/2021 09:00 - Súzan Benites


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Campo Grande foi o maior do País em 2020. 

A inflação oficial foi de 4,52% na média brasileira, enquanto na Capital, a taxa foi a 6,85%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os produtos que mais pesaram no indicador no ano passado foram carnes e gasolina.

Segundo os economistas ouvidos pelo Correio do Estado, o principal impacto para o morador de Campo Grande é a perda do poder de compra. 

O doutor em economia Michel Constantino, explica que o índice é resultado do aumento do consumo, entre outros fatores.

 “Na Capital, por ser maior, quer dizer que se as pessoas não aumentarem os rendimentos elas vão perder mais o poder de compra do que em média no Brasil. As pessoas em Campo Grande consumiram mais, aumentando a demanda, o que fez com que os preços aumentassem”, diz Constantino e ainda complementa.  

“Teve ainda o aumento da gasolina com o reajuste no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado, da energia elétrica, com as pessoas mais tempo em casa, entre outros. 

Tudo isso contribuiu para diminuir nosso poder de compra. Então, quem manteve o salário igual perdeu o poder de compra, ou seja, não consegue comprar o mesmo que comprava antes”, considera.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, o que mais subiu foi alimentação e bebidas (16,72%), que também é o que tem o maior peso para o índice. Seguido de transportes (6,97%), habitação (6,68%) e artigos de residência (4,31%).

Os maiores acúmulos no ano foram dos subitens: batata-inglesa (95,33%), arroz (75,31%); e óleo de soja (65,85%). “As maiores influências na inflação vieram do item carnes, com acumulado de 25,38% e da gasolina [8,65%]”, informou em nota o instituto.  

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O doutor em economia e professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Mateus Abrita, destaca que a alta pode pressionar o custo de vida. 

“Os preços aqui na Capital subiram mais que na média nacional. Isso pode pressionar o custo de vida aqui. Apesar de subir mais que a média nacional, em termos nominais, não significa necessariamente que [os preços] estão mais caros que em outras capitais, mas sim que subiram mais relativamente”, contextualiza.  

O índice do ano passado é o maior registrado para a Capital de Mato Grosso do Sul desde 2016, quando a inflação foi a 7,52%. Em 2017, o IPCA fechou em 2,11%; no ano seguinte (2018) foi a 2,98%; e em 2019 subiu a 4,65%.  

“A inflação corrói o poder aquisitivo das pessoas, mas ainda estamos em uma inflação relativamente baixa comparada aos anos anteriores”, pontua o economista Marcio Coutinho.