Economia
PECUÁRIA

Mato Grosso do Sul fecha o cerco contra a febre aftosa

Governo implanta medidas de fiscalização para garantir status de livre da doença sem vacinação

Rodrigo Almeida, Súzan Benites

12/05/2022 09:00

Com o avanço no plano de se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação, Mato Grosso do Sul se prepara para preencher os últimos pré-requisitos. 

Para intensificar o controle sobre os animais transportados no Estado e mitigar os riscos de retorno da doença, a gestão estadual está implantando um aplicativo para monitorar o trânsito de cargas vivas.

De acordo com a portaria da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), a partir de 1º de julho, todo animal de produção que circular em Mato Grosso do Sul deverá ser monitorado pelo App Transportador, desenvolvido pela agência.  

“Caminhoneiros e motoristas, quando iniciarem uma viagem, vão apontar o celular para o QR Code da GTA [Guia de Trânsito Animal] para informar que estão em trânsito. Futuramente, no meio do caminho teremos pontos de intermédio para controle desse trânsito”, explica o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold.  

Segundo a agência, será obrigatório para todas as cargas vivas de animais de produção. Todas as cargas vivas em circulação pelo Estado também precisam notificar o transporte pelo app.  

O titular da Iagro afirma que esta medida é inédita no Brasil.  

“MS será o primeiro estado a implementar controle de trânsito, é uma obrigatoriedade para atingirmos o selo de área livre de febre aftosa sem vacinação. É importante falarmos que não estamos retirando a obrigatoriedade da vacina, e sim elevando o status sanitário do Estado”.  

Segundo ele, isso é um grande avanço para o mercado de exportação de carne. “Teremos acesso a mercados mais exigentes, talvez não seremos tão reféns de um mercado grande, como a China”, pondera.  

MONITORAMENTO

O titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, explica que outro ponto é a implementação do Projeto Lobo-guará. Além de outros mecanismos que serão aplicados no período de 12 meses.

“[O projeto] Faz monitoramento permanente na área de fronteira, junto do aplicativo esses são alguns dos pré-requisitos para retirarmos a obrigatoriedade da vacina”, comenta.  

Daniel Ingold diz que os sistemas da agência ficam atentos a esses animais e ao fluxo deles dentro do Estado. 

“Quase 99% dos pecuaristas do Estado seguem as determinações. Temos 700 quilômetros de fronteira seca com o Paraguai, mais outros quase 700 km de fronteira separada por rio, esse controle de trânsito vem para fiscalizar quem está errado e proteger quem está certo”, declara.  

Jaime Verruck ainda diz que a fiscalização é essencial para que mantenhamos os níveis sanitários do gado de corte depois de 1° de janeiro de 2023, quando cai a obrigatoriedade da vacinação.  

“Então, o aplicativo vem para monitorar o trânsito do gado, para que a partir de janeiro possamos retirar a obrigatoriedade da vacina. Depois disso, faremos exames de sorologia para controle do vírus, todo o gado vacinado está com o vírus, e posteriormente vamos verificando e controlando”, finaliza.