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RECONHECIMENTO

Mulheres têm obstáculos por emprego e ascensão profissional

IBGE aponta que as mulheres ganham em média 20% a menos do que os homens
07/03/2020 10:00 - Súzan Benites


 

Chefiar uma família, começar a trabalhar aos 50 e ter uma carreira consolidada são alguns dos desafios das mulheres no mercado de trabalho. De acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ainda ganham menos do que os homens. Mesmo com uma queda na desigualdade salarial, entre 2012 e 2018, as trabalhadoras ganham, em média, 20,5% menos do que os homens no País.

O levantamento aponta ainda que o rendimento médio total das mulheres ocupadas, com idade entre 25 e 49 anos, era de R$ 2.050, enquanto o dos homens chegava a R$ 2.579, nesse mesmo grupo etário. Algumas tem dificuldades para encontrar o primeiro emprego, outras recolocações e ainda aquelas que almejam alavancar a carreira e não conseguem. O Dia Internacional da Mulher é comemorado no dia 8 de março e o Correio do Estado conversou com algumas mulheres para entender essas dificuldades.  

De acordo com a palestrante e neurocoach, Mônica Fernandes, a mulher precisa se distinguir mais para alcançar uma carreira de sucesso. “A mulher para se projetar na carreira precisa ser mais corajosa, ousada, pedir aumento, ela precisa sorrir menos, fazer gestos mais corajosos, para imprimir uma percepção de que na hora de uma promoção ela seja lembrada. Na parte técnica ela precisa se preparar e estudar, hoje a mulher ocupa mais bancos escolares do que os homens, desde o ensino básico até a pós-graduação, ela se prepara mais e tem todas as virtudes para subir”.

A especialista diz que a idade também prejudica em determinadas etapas da vida, e que o mundo corporativo olha a mulher com mais de 50 anos, por exemplo, com olhos preocupados. “Muitas vezes ela já está em um cargo de chefia, tem um salário melhor e uma pessoa com menos idade faz o trabalho dela com mais agilidade, principalmente na área digital. A mulher é menos promovida, muitas vezes ela não pede aumento. Ela vem culturalmente de uma sociedade que não a estimula a ser mais ousada. A mulher ainda ganha de 20% a 30% a menos, nos cargos de chefia essa diferença chega até a 60%. Normalmente a mulher sai desse jogo e vai empreender. Mato Grosso do Sul, hoje, é o primeiro no ranking de mulheres empreendedoras”, comenta Mônica.

CARREIRA CONSOLIDADA

Formada em química na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pós-graduada em Qualidade Industrial, Adriana Celestino de Souza Camargo ingressou no mercado de trabalho como analista de Laboratório em uma indústria, mas desde os primeiros dias de experiência estava determinada à alcançar um posto de liderança.

Em janeiro de 2019, Adriana, de 45 anos, se tornou a primeira empregada à assumir a liderança de uma fábrica da Votorantim Cimentos no País. Ela é a nova gerente da unidade de Corumbá, uma empresa que opera desde a década de 1950 e, emprega 230 empregados diretos e indiretos.

No setor industrial, ainda dominado pelo sexo masculino, conseguir uma promoção exigiu de Adriana não só objetividade e foco, como também dedicação e coragem para mudar de ares. “Quando comecei minha carreira, evoluí de analista de laboratório para chefe de produção, mas percebi que este era o posto máximo que alcançaria. Decidi então procurar novas oportunidades e soube de uma seleção para uma vaga de coordenadora de produção em outra indústria. Quando soube na entrevista que era a Votorantim Cimentos, topei o desafio de recomeçar, porque senti que teria mais possibilidades de crescimento”, disse Adriana, que ingressou na empresa em 2008.

Ela foi coordenadora de produção, cargo que exerceu até 2012, em São Paulo (SP). Depois, foi para o Distrito Federal, no qual trabalhou na unidade de Sobradinho (DF) como coordenadora de Produção de Argamassas e Cimentos e coordenadora nas áreas de Produção e Meio Ambiente. Em seguida, assumiu a operação, no município de Cajamar (SP), como gerente de fábrica de argamassas e, por último, a posição de gerente do Complexo Metropolitano, que agrupa, além da unidade de Cajamar, a unidade de Barueri (SP). No fim de 2018, foi convidada para ocupar a vaga de gerente da fábrica de cimentos em Corumbá.

Ela diz que o bom clima organizacional faz a diferença para o desenvolvimento profissional. “Até agora estou em êxtase por ter assumido a gerência de Corumbá. Fui muito bem recebida pela equipe e o que quero agora é construir um legado sólido”.

Lúcia Aguiar Pinheiro, 51 anos, trabalha há dois anos, com serviços gerais na organização Fraternidade Sem Fronteiras. Ela diz que aos quase 50 anos nunca havia trabalhado e não tinha carteira de trabalho ainda.

De acordo com a trabalhadora, após ter cuidado, criado e formado as três filhas surgiu a oportunidade de entrar no mercado de trabalho e ela não pensou duas vezes. “Eu dediquei a minha vida para a família, para formar as filhas. Um dia uma das minhas filhas me convidou para cobrir as férias de uma colega dela na Fraternidade sem Fronteiras. Fui cobrir as férias de um mês e a chefe me convidou para ficar. Na época, eu já tinha quase 50 anos e não tinha carteira de trabalho”.  

Lúcia diz que vai completar dois anos no trabalho e se sente motivada. Ela reforça que é preciso ter força de vontade e que a idade não é empecilho para fazer nada. “Gosto de fazer o que faço. A gente deve ter vontade de fazer as coisas. Não é porque tenho mais de 50 anos que não consigo trabalhar. Eu adoro trabalhar, me sinto muito feliz por poder ajudar em casa e ter um dinheiro a mais é sempre bom. Eu pratico corrida de rua e adoro viajar. Gosto de participar das corridas em outras cidades e com esse dinheiro eu consigo fazer as coisas que eu gosto também”, completou.

DADOS

Levantamento do IBGE aponta que as mulheres respondem por 43,8% dos 93 milhões de brasileiros ocupados. Na população acima de 14 anos, por exemplo, a proporção é diferente: 89,4 milhões (52,4%) são mulheres, enquanto 81,1 milhões (47,6%) são homens.

 

Felpuda


Na troca de alfinetadas entre partidos que não se entenderam até agora sobre eventual aliança, uma outra peça está surgindo: trata-se do levantamento completo sobre investimentos feitos, recursos liberados, parcerias em todas as áreas, além do prazo de quando tudo isso começou. Caso os palanques venham a ficar distanciados, a divulgação será feita à exaustão durante a campanha eleitoral, para mostrar quem é quem na história. Os bombeiros continuam atuando.