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HIDROVIA

Após enfrentar seca no ano passado, navegação comercial volta a operar em Porto Murtinho

A implementação do transporte fluvial garante competitividade aos produtos primários exportados de Mato Grosso do Sul
16/02/2021 07:30 - Da Redação


Com atividades suspensas desde agosto do ano passado, por conta do baixo nível do Rio Paraguai, os portos de Mato Grosso do Sul voltaram a operar. 

O terminal portuário da empresa FV Cereais, por exemplo, tem contratos para movimentar 400 mil toneladas de grãos no ano e iniciou ontem o primeiro carregamento de 20 mil toneladas de soja para os portos argentinos.

O volume de cargas depende do calado do rio, que chegou a 3,6 metros no dia 2 e começa a declinar com a falta de chuvas, chegando à cota de 2,7 m – nível de restrição para grandes comboios. 

Mesmo assim, o terminal projeta três embarques em fevereiro, com um total de 60 mil toneladas, com destino aos portos de San Lorenzo e Timbues, na província argentina de Santa Fé. A movimentação de caminhões começou no fim de semana.

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O volume das exportações pela zona portuária de Porto Murtinho cresceu 57,83% no acumulado de janeiro a dezembro de 2020, em relação ao mesmo período de 2019, em função da entrada em atividade do terminal FV Cereais e do incremento nas estruturas da Agência Portuária de Porto Murtinho (APPM), primeiro porto alfandegado. 

Foram escoadas 384 mil toneladas, sendo 250 mil pela FV Cereais. Em 2019, foram 233 mil toneladas.

INTEGRAÇÃO

A participação dos terminais portuários do município no escoamento das exportações de Mato Grosso do Sul passou de 1,49%, em 2019, para 2,12%, no ano passado, mesmo com as dificuldades de navegabilidade em razão da seca no Pantanal. 

A navegação comercial na região foi suspensa em agosto de 2020, quando o nível do Rio Paraguai foi inferior a sete pés (2,1 metros). A FV Cereais tinha como meta a exportação de 500 mil toneladas.

Apesar das condições de navegabilidade pela hidrovia, o cenário que se vislumbra tornará Porto Murtinho o centro logístico da América do Sul, com perspectiva de instalação de três novos terminais. 

Na semana passada, o governo do Estado iniciou tratativas com o grupo PTP, do Paraguai, que adquiriu área ao lado da FV Cereais e hoje opera com sete terminais na Argentina. A cidade também se tornou o centro operacional da futura Rota Bioceânica.

“O Brasil e o mundo olham [Porto] Murtinho como a melhor alternativa logística. A região deixou de ser o fim ou o começo de linha para ser estratégica no escoamento de nossas riquezas”, diz o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Os investimentos do Estado na região, como a implantação do acesso pavimentado aos portos, de R$ 25 milhões, “concretizam o sonho lá atrás, de integrar o continente”, ressalta Eduardo Riedel, secretário de Governo e Gestão Estratégica (Segov).