Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

PREVISÔES

O que esperar da economia pós-Covid 19

Seis economistas fizeram a análise a pedido do Correio do Estado
15/06/2020 06:00 - Ricardo Campos Jr


O que esperar do cenário econômico pós-pandêmico? Especialistas fizeram essa análise a pedido do Correio do Estado e foram unânimes em afirmar: será difícil escapar ileso da Covid-19, mas as projeções caminham mais em direção a uma crise do que ao caos financeiro. 

Será que os empresários estão preparados?

“As empresas estão passando momentos difíceis e, com o passar do tempo , vão se ajustar. Estamos vivenciando algo novo na economia como nunca se viu antes, é difícil prever quanto tempo isso vai durar. 

Se eu falar em meses ou anos, é puramente chute, mas espero que passe o mais rápido possível para que voltemos a ter uma vida normal e tranquila”, afirmou o economista Márcio Coutinho.

Na avaliação dele, o desemprego sempre existiu e continuará batendo na porta da sociedade e vai ser o termômetro para sabermos, no futuro, quanto a tempestade tiver passado. “Quando o nível de contratações melhorar, saberemos que a situação está voltando ao normal. 

Por enquanto, estamos passando um momento de turbulência e vamos tentar ajustar essa situação”, afirma.

 
 

RECESSÃO

Para o economista Sérgio Torres, as projeções não apontam para um caos generalizado, mas para uma crise severa. 

“Não é a primeira vez que temos uma crise mundial, porém, essa é a maior do que se tem relatado, portanto teremos, sim, problemas sérios econômicos no mundo todo. 

Se fôssemos avaliar somente o Brasil, poderíamos até ter um diagnóstico ou prognóstico mais otimista, mas como a situação foi desencadeada por todo o mundo, afetou Europa, Estados Unidos e Oriente Médio, que são países que temos grande dependência."

Torres afirma que estamos falando de Produto Interno Bruto (PIB) negativo, desemprego, redução da circulação do dinheiro na economia.

“Com relação a tempo, tendo a perspectiva do PIB na ordem de -4% a -6%, teremos de quatro a seis anos para recuperar em condições normais, mas é preciso uma resolução mundial, uma intersecção, uma junção em torno da recuperação economia mundial”.

 
 

FUTURO E CONSUMO

Já a economista Daniela Dias afirma que a duração da crise vai depender do comportamento das pessoas bem como das suas expectativas. 

“Costumamos dizer que a economia é muito baseada nesses quesitos. Se as pessoas melhorarem a intenção de consumo, poderemos ter apenas uma crise econômica. 

Se as pessoas continuarem cautelosas e tivermos queda da produtividade, um grande fechamento de estabelecimento e desemprego, aí sim podemos ter um caos”, explica.

Entretanto, ela diz perceber que estamos no rumo oposto, em direção apenas a uma “Percebemos que não é algo que passa tão rápido. Basta lembrar da ultima crise que nós tivemos. 

Quanto mais forte a crise, mais forte a demora. Os empresários vão precisar de ajuda, é como se pegasse na mão mesmo, já que muitos estavam em uma situação complicada em relação à crise”, pontua.

 
 

CAOS É IMPROVÁVEL

Na análise do economista Sérgio Bastos, a crise motivada pelas quarentenas e isolamento tem alcance maior porque não interfere apenas no mercado financeiro, mas no mercado de bens e serviços. 

“À medida que você tem uma retração no nível de atividade econômica, mas operações, os negócios diminuem em quantidade e em valor, de maneira que estamos vendo hoje uma crise generalizada motivada pela queda de consumo. 

As pessoas, famílias, ainda estão receosas, inseguras. Creio que é uma crise, mas não caos econômico. Para que fosse instalado o caos a situação deveria ser mais crítica e radical, com desmantelamento total do sistema de produção”, opina.

 
 

EM ALERTA

De todos os economistas ouvidos pelo Correio do Estado, Daniel Amorim foi o único que acredita em uma situação mais severa, mas ainda assim não fala em caos. 

“Acredito que a extensão seja maior do que apenas uma crise financeira. Pelo número de demissões, haverá consequente redução de renda, crise generalizada na oferta e na demanda. Será um sistema recessivo amplo. 

O mercado exterior e o interno vão mal, a renda vai mal, a demanda vai mal. É uma questão sistêmica”, afirmou à equipe de reportagem.

Para ele, é difícil prever quanto tempo essa situação vai tomar, mas ele aposta que leve em torno de três anos, no mínimo. “O problema em falarmos de um cenário pós-pandemia é que ainda não sabemos quando que isso vai acabar de fato. 

Fala-se muito em pico, mas só haverá o encerramento quando houver a cura ou imunização”, diz o especialista.

FUNDAMENTOS

Hudso Garcia também é economista e diz que estamos diante de uma crise. “As próprias projeções do FMI e Copon ressaltam que, em decorrência dessa reação da demanda, vamos passar por um período negativo que pode chegar na casa dos 6% de retração, mas logo depois teremos crescimentos exponenciais de 4% mais 2%, o que nos remete ao desempenho de 2019”.

Ele acredita que o turismo e serviços serão os setores mais impactados. O Brasil, segundo ele, está agindo em duas frentes para tentar amenizar os prejuízos do novo coronavírus. 

A primeira delas é disponibilização de crédito às empresas para preservar empregos, modelo baseado na gestão europeia.

Por outro lado, implementou o auxílio emergencial para dar renda à população, de modo que o mercado tenha tempo para se autorrecuperar, visão norte-americana. 

 

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!