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PESQUISA

Pandemia derruba salários de 301 mil pessoas no Estado

Redução salarial e de jornada impactaram na renda da população
25/06/2020 09:30 - Súzan Benites


Efeito da crise causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o desemprego, e a redução de salários e jornadas impactaram a vida dos trabalhadores de Mato Grosso do Sul. Atualmente, residem no Estado 2,7 milhões de pessoas. Do total, a população empregada soma 1,2 milhão, dos quais 301 mil tiveram suas rendas reduzidas, ou seja, mais de 25% da força de trabalho ocupada no Estado.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou nesta quarta-feira (24) a Pnad Covid-19, um recorte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua). Segundo o levantamento, na população residente, 1,3 milhão constitui a força trabalhadora do Estado. Dos quais 1,2 milhões eram ocupados e 127 mil desocupados. A população fora da força de trabalho ficou estimada em 835 mil.  

O nível de ocupação do Estado foi de 55,1%, o quinto maior do País. No comparativo com a pesquisa do primeiro trimestre, houve avanço no número de desempregados. A taxa de desocupação era de 7,6% (107 mil pessoas desocupadas) no primeiro trimestre e passou para 9,7% (127 mil trabalhadores) em maio, ou seja, 20 mil desempregados a mais.  

“A pandemia e o isolamento social fizeram com que as pessoas não buscassem trabalho, mesmo querendo trabalhar e não tendo ocupação. A pesquisa mostra que, em maio, 124 mil estavam nessa situação e não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por falta de trabalho na região. Essas eram 14,9% da população fora da força de trabalho”, informa o documento do IBGE.

Além dos 25% da população que tiveram uma queda nos vencimentos mensais, 2,2% dos trabalhadores ocupados registraram rendimento maior do que o normalmente recebido durante o período de referência, o que, em números, são 26 mil pessoas.  

A média salarial ficou em R$ 2.264, somados todos os rendimentos do trabalhador. Já o valor efetivamente recebido, proveniente de todos os trabalhos que o informante tinha na semana de referência, foi de R$ 2.006.  

REDUÇÃO  

Entre os motivos para a queda dos salários e da jornada dos trabalhadores estão as mudanças trazidas pela MP 936/2020, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em abril. De acordo com o Ministério da Economia, pelo menos 10,693 milhões de acordos entre funcionários e empregadores foram assinados nos moldes da MP. A medida permite redução de jornada em 25%, 50% ou 70%, com um corte proporcional no salário, por até três meses. Também é possível suspender o contrato por até dois meses.  

O governo estabeleceu uma compensação depositando valores diretamente na conta dos trabalhadores que podem chegar a 100% do seguro-desemprego, dependendo do nível salarial.

A Pnad Covid aponta que o número de pessoas que tiveram as horas de trabalho reduzidas, em Mato Grosso do Sul, chegam a 210 mil, ou 11,9% no total de pessoas ocupadas no Estado.  

A economista Daniela Dias, disse ao Correio do Estado que as mudanças permitidas pela MP amenizam os impactos para empresários e trabalhadores. “O pagamento de parte da folha de salários tende a contribuir positivamente para que os  impactos sejam amenizados para os empresários.  Então, eu vou reduzir a sua renda, mas o governo federal vai pagar uma parte”, explicou.

Para a economista, entre demitir ou suspender o contrato de trabalho, a melhor decisão é a suspensão. “Uma pessoa desempregada tende a prejudicar muito mais o mercado. Então impacta todo o ciclo econômico: se não tem renda, não consome, o empresário vende menos e vai ter menos funcionários. Claro que suspender não é o melhor dos mundos, mas pelo menos estas pessoas estarão assistidas pelo governo federal e ao mesmo tempo não tem uma demissão efetiva”, ressaltou  a economista Daniela Dias.

AUXÍLIO

A pesquisa ainda aponta que em Mato Grosso do Sul, 35,4% dos domicílios receberam algum auxílio relacionado à pandemia, sendo o valor médio recebido pelos domicílios sul-mato-grossenses de R$ 809.

A proporção de domicílios que receberam algum auxílio relacionado à pandemia foi de 38,7% no País. Entre os benefícios estão o Auxílio Emergencial e a complementação do Governo pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. O valor médio recebido pelos domicílios,  em todo o território nacional foi de R$ 847,00.

A pesquisa também mostra que, em MS, 97 mil pessoas foram afastadas de seu trabalho por causa do distanciamento social. Ou seja, 8,2% da população  ocupada.

 
 

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.