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Pandemia fez com que número de trabalhadores empregados no Estado regredisse em oito anos

Pesquisa realizada por acadêmico da UFMS também mostrou também que as mulheres concentram a maior perda de empregos formais na pandemia
05/01/2021 10:46 - Gabrielle Tavares


Pesquisa realizada por acadêmico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) mostrou que a força de trabalho no Estado no segundo trimestre de 2020 foi igual ao mesmo período de 2012.

O pesquisador Arthur Eduardo de Andrade apontou que é a maior queda da série histórica, considerando que a população economicamente ativa tende a aumentar junto com a população. “A taxa de participação nesse período também foi a menor”, ressaltou.

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O estudo intitulado “Impactos da adoção de medidas de distanciamento social sobre o mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul” foi o trabalho de conclusão de curso de Andrade, estudante de Ciências Econômicas.

Para quantificar as perdas no mercado de trabalho no Estado em 2020, foram usados dados da Pnad Contínua (IBGE), eSocial, Seguro-desemprego e Censo 2010.

A taxa de crescimento da força de trabalho também apresentou a maior queda, foram quase 10%. 

As pessoas desocupadas e fora da força de trabalho (pessoas que desistiram ou que não estão procurando emprego) tiveram, em números absolutos, os maiores registros de suas respectivas séries históricas, aumentando em média 20%.

Na força de trabalho ocupada, as duas maiores quedas aconteceram também em 2020, sendo de quase 15% no segundo trimestre.

Setores que mais tendem a sofrer impactos da pandemia são os menos remunerados

De acordo com Andrade, no setor privado os maiores impactos foram nos trabalhadores sem carteira assinada, com queda de quase 30% em comparação com o mesmo trimestre de 2019.

“Para os trabalhadores domésticos, os impactos sobre pessoas empregadas pela CLT foram relativamente mais severos, com uma queda de também aproximadamente 30%”.

Ao analisar os números de pedidos de seguro desemprego, o pesquisador chegou a conclusão que pessoas que recebiam acima de dez salários mínimos tiveram uma variação muito grande no mês de maio.

“Conseguimos correlacionar com os trabalhadores com superior completo, ao considerarmos que são mais qualificados e recebem mais e que tiveram aumento médio de 10% nos pedidos entre maio e junho”, aponta Arthur.

Para as pessoas que recebiam até um salário mínimo, houve aumento expressivo de pedidos em seis meses do ano, dos nove meses analisados, com 40% a mais acima da média de 2019 e de 58% acima da média de 2018.

Mulheres concentram a maior perda de empregos formais na pandemia

Em Mato Grosso do Sul, 28% da criação líquida de vagas foram direcionadas às mulheres nos dois primeiros meses de 2020 que antecederam a pandemia.

Já nos três meses seguintes, 54% da destruição líquida de vagas eram ocupadas por mulheres e, a partir de junho, 37% dos postos eram ocupados pelo trabalho feminino.

Do total de 7,4 mil vagas líquidas criadas no Estado em 2020, apenas 2% foram ocupadas por mulheres.

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