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TRATATIVAS

Petrobras pode concretizar venda de fábrica de fertilizantes em março

Grupo russo Acron é cotado como possível comprador da fábrica de Três Lagoas
27/02/2021 09:00 - Súzan Benites


A novela da venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3) pode ter um fim neste ano

A fábrica, localizada em Três Lagoas e de propriedade da Petrobras, pode ser vendida ao grupo russo Acron até o fim de março.  

O novo cronograma foi informado ao Correio do Estado pelo titular da secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck.

“O governador Reinaldo [Azambuja] teve uma reunião virtual com a Petrobras e ficou sinalizada uma reabertura de prazo até 28 de março". 

"A Petrobras continua com posicionamento de tanto fornecer gás quanto aquisição direta, isso dá uma segurança para o futuro comprador do requerente da planta. Então, nesse momento nós vamos ter que aguardar essa data de 28 de março”, disse Verruck.

Ainda de acordo com o secretário, a ideia é que a gigante russa de fertilizantes Acron mantenha o interesse na planta, mas caso a venda não seja concretizada, a estatal deve lançar um novo edital.

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“Após 28 de março, não ocorrendo [a proposta da Acron], vai ter que estudar o edital e fazer uma reabertura de processo. Tenho certeza que nem a Petrobras nem a estratégia brasileira do Ministério de Minas e Energia têm interesse que essa planta não seja negociada, dado que já está com mais de 80% das suas obras concluídas”, explicou Verruck.

OBRAS

A UFN3 começou a ser construída em 2011. A unidade integrava um consórcio composto por Galvão Engenharia, Sinopec (estatal chinesa) e Petrobras. 

Quando foi lançada, a planta estava orçada em R$ 3,9 bilhões.

Após a Operação Lava Jato, na qual os responsáveis pela Galvão foram envolvidos em denúncias de corrupção, as obras pararam. 

A Petrobras absorveu todo o empreendimento e acabou ficando com a parte das outras integrantes do consórcio.

Em dezembro de 2014, as obras da unidade foram paralisadas, já com 83% da indústria concluída. O secretário aponta que, como está há sete anos parada, o prejuízo com a planta fica cada vez maior.  

“Quanto mais tempo esse projeto demorar para ser retomado, maior é o custo, maior a necessidade de investimento e maior é a necessidade de alteração de tecnologia”, afirma.  

O processo de venda da indústria teve início em 2018 com a Araucária Nitrogenados (Ansa), fábrica localizada na região metropolitana de Curitiba (PR). 

A comercialização em conjunto inviabilizou a concretização do negócio.  

Em meados de 2019, a gigante russa de fertilizantes Acron havia fechado acordo para a compra da empresa. 

Caso o negócio fosse concluído com sucesso, as obras do empreendimento estavam programadas para recomeçar em 2020.  

O principal motivo para que o contrato não fosse firmado na época foi a crise boliviana, que culminou na queda do ex-presidente Evo Morales. 

Além de ser a fornecedora oficial do gás natural – matéria-prima para o funcionamento da fábrica –, a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) era sócia, com 12% do negócio e opção de ampliar a participação para 30%.

O secretário Jaime Verruck explicou, na época, que a crise na Bolívia foi o grande entrave para o fechamento do negócio, mas o fato de a venda ser em conjunto e a matéria-prima não ser fornecida pela Petrobras também influenciaram no fim das negociações.

EDITAL

Há um ano, em fevereiro de 2020, a Petrobras lançou nova oportunidade de venda da UFN3.

Dessa vez, a estatal ofereceu ao mercado a unidade de forma individual, e não mais em conjunto com a Ansa. A expectativa era de que mais compradores entrassem na briga.

“Esse edital público ficou fracassado, aí ficou só o posicionamento da Acron, com o mês de novembro do ano passado como data limite para apresentar uma proposta". 

"Em função da pandemia e de uma série de outros fatores e dificuldades de negociações de gás na Bolívia, isso acabou culminando em um edital deserto”.

O preço de comercialização não foi divulgado pela Petrobras, mas o potencial comprador, depois de se enquadrar em todos os critérios de compliance (não estar inscrito em cadastros negativos nacionais e internacionais e nem ter envolvimento com corrupção), deverá ter capital superior a US$ 600 milhões (R$ 3,36 bilhões).

Conforme o teaser lançado ao mercado, o Bradesco BBI será o responsável pela operação envolvendo a venda da unidade.