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CRISE

Saída de Moro faz acender sinal de alerta entre analistas internacionais

Moro e Paulo Guedes são os dois líderes dentro do governo brasileiro mais respeitados pela comunidade internacional
27/04/2020 20:00 - Estadão Conteúdo


A condução da resposta ao coronavírus no Brasil vinha chamando a atenção da comunidade internacional de maneira negativa para o País. Em meio a este cenário, a saída de Sérgio Moro do governo de Jair Bolsonaro ligou um novo e mais gravoso sinal de alerta entre analistas nos Estados Unidos.

Para especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, as últimas notícias do Brasil podem deixar o País isolado no cenário internacional e indicam que há um "caos" político instalado, enquanto o restante do mundo luta para conter as consequências de uma pandemia.

"Moro e Paulo Guedes (ministro da Economia) são os dois líderes dentro do governo brasileiro mais respeitados pela comunidade internacional. São líderes de credibilidade independente dos seus cargos atuais. Num governo anormal, como o de Bolsonaro, são esses líderes respeitados os que a comunidade internacional procura", afirma Fernando Cutz, ex-conselheiro da Casa Branca nos governos Obama e Trump, atualmente consultor no Cohen Group. Para ele, a situação atual tende a deixar o Brasil "mais isolado" no mundo.

À frente da Operação Lava Jato, Moro se tornou conhecido nos Estados Unidos antes de Bolsonaro. Desde 2014 o nome do agora ex-ministro é recorrente em reportagens na imprensa estrangeira que noticiaram os desdobramentos da Lava Jato no Brasil e, ainda juiz, ele passou a ser presença frequente em eventos nos EUA. Os sucessos e erros da Lava Jato são objeto de estudo por especialistas em combate à corrupção das maiores universidades norte-americanas. Quando está em Washington e Nova York, Moro é disputado para agendas com investidores, acadêmicos, estudantes e analistas.

Caos

"A renúncia do Moro e as consequências políticas e econômicas disso confirmam a sensação de que o Brasil está em meio ao caos no pior momento possível", afirma Michael Camilleri, ex-diplomata do governo Barack Obama e diretor do centro de estudos Rule of Law, do instituto Diálogo Interamericano. "Desde que assumiu, Bolsonaro procurou transmitir para a comunidade internacional que está remodelando o Brasil. Agora, muitos começam a se perguntar por quanto tempo esse projeto pode durar, a que custo, e o que pode vir depois", afirma Camilleri.

Bolsonaro havia sido apontado como um dos piores líderes mundiais na condução da crise do coronavírus pelo presidente da Eurasia Group, Ian Bremmer, no final de março. Depois disso, os jornais internacionais noticiaram a demissão do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a saída turbulenta de Moro.

"Como todo o mundo, o Brasil está em uma crise de saúde que afeta diretamente a economia e o seu futuro. Mas a renúncia de Moro, apenas uma semana depois da demissão de Mandetta, exacerba a instabilidade política em um momento em que o País deveria enviar sinais de liderança efetiva. Para aqueles que olham de fora para o Brasil, o alvoroço político provavelmente fará com que pensem duas vezes antes de se relacionar com esse governo", afirma Roberta Braga, diretora associada do departamento sobre América Latina do Atlantic Council, "think tank" com sede em Washington.

Para parte da comunidade internacional, Moro personificava o compromisso com o combate à corrupção, um dos componentes de aumento da confiança externa no País. "No cenário externo a repercussão é seriíssima, mesmo em relação aos governos que de certa forma se alinham ao Bolsonaro, como o próprio governo americano", afirma Lívia Lopes, diretora associada do Centro de Estudos Brasileiros da George Washington University.

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!