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PERSPECTIVA

Vacinação contra a Covid-19 pode acelerar a recuperação econômica do Estado

Economistas apontam que a imunização traz otimismo para o mercado e deve impactar a aceleração das atividades
19/01/2021 08:30 - Súzan Benites


O mercado financeiro tem reagido ao início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, e em Mato Grosso do Sul não é diferente. 

Para os economistas ouvidos pelo Correio do Estado, o avanço da vacinação deve impactar positivamente a aceleração da economia estadual. Entre os setores, agronegócio, comércio e serviços devem se destacar.  

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a vacinação dos primeiros grupos prioritários começa hoje em Mato Grosso do Sul. 

Para os economistas, quanto mais célere a imunização, mais rapidamente a reação da economia deve acontecer.  

O titular da secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, diz que com a imunização cria-se uma expectativa positiva de retomada.  

“Lembrando que já caminhamos bem em 2020, mas a Covid-19 criou uma desorganização produtiva, resultando em aumento da inflação e da demanda por alguns produtos. A gente tem em 2021 um cenário, sob o ponto de vista do crescimento, que não era tão positivo, e exatamente a questão da vacinação traz essa perspectiva de uma redefinição desse papel”, analisa o secretário.

O doutor em economia e cientista de dados Michel Constantino acredita que a aceleração econômica do Estado será potencializada com a vacinação da população.

 “O Estado vem se descolando da média nacional no cenário econômico, apresentando ótima recuperação em relação aos demais entes federados. Enquanto em alguns estados a expectativa de crescimento ainda é muito incerta, MS apresenta indicadores mais positivos, que podem ser potencializados com a vacina”.  

Para o economista, o Estado deve registrar crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. “Nas minhas análises usando modelos de previsão baseados em inteligência artificial, a previsão de crescimento para 2021 do PIB de Mato Grosso do Sul é de 2,5%”, disse Constantino.

Já o levantamento realizado pelo Instituto Tendências Consultoria Integrada aponta crescimento de 2,7%. 

“Se o País conseguir avançar mais rapidamente [na imunização], a gente vai ter uma revisão desses números no sentido positivo de crescimento no Estado. Além daquilo que já estamos pensando em crescer neste ano, você motiva em termos de cronograma. 

A vacinação começa a restabelecer cronogramas e tomadas de decisão de investimentos mais de curto prazo e faz com que, obviamente, a gente tenha crescimento e geração de emprego”, comenta Verruck.

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No País, conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia passou de alta de 3,41% para avanço de 3,45%. 

Para 2022, o mercado manteve a previsão do PIB, de alta de 2,5%, como já estava há quatro semanas.

ANO PASSADO

A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, diz que Mato Grosso do Sul já se destacou no ano passado com números “menos piores” do que os registrados em outros estados.  

“A própria reação econômica durante a pandemia nos leva a crer que a gente tenha uma recuperação econômica mais efetiva durante este ano”, diz a economista, que ressalta que uma série de fatores levam a essa projeção.  

“Em termos de crescimento de alguns segmentos, nós tivemos um destaque ainda mais positivo para o Estado. Pela própria vocação de MS e a dependência do agro, tivemos um comportamento diferente em relação a outras unidades federativas durante essa pandemia. Uma amenização de impactos mais significativa. 

Pode ser que a gente venha com uma reação um pouco mais positiva, dependendo da vacinação e das medidas políticas a serem adotadas”, analisa Daniela.  

Mato Grosso do Sul registrou números menos negativos que outras unidades da federação durante o último ano, que foi marcado pela pandemia. 

A colheita foi recorde, com 21,9 milhões de toneladas de grãos colhidos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); as exportações superaram em 11% o montante negociado em 2019, saindo de US$ 5,217 bilhões em 2019 para US$ 5,808 bilhões em 2020; e ainda houve saldo positivo na geração de empregos, com 16.511 vagas formais criadas de janeiro a novembro.