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COMBUSTÍVEL

Venda direta pode baratear etanol em até R$ 0,20

Pesquisa aponta que o litro custa, em média, R$ 2,99 na Capital
03/07/2020 10:01 - Súzan Benites


 

O presidente Jair Bolsonaro informou ontem, por meio de rede social, que o Conselho Nacional de Política Energética estabeleceu diretrizes para que o etanol possa ser vendido das usinas diretamente para os postos de combustíveis, sem passar pelas distribuidoras. Conforme estimado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência (Sinpetro-MS), a medida pode baratear em R$ 0,20 o litro do combustível.

“A venda direta de etanol pode proporcionar maior concorrência no setor e baratear o preço dos combustíveis nas bombas”, escreveu o presidente em publicação nas redes sociais, mas não detalhou quais são as diretrizes. A normativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelece que todo combustível deve passar por empresa distribuidora antes de chegar às bombas dos postos. Em diversas ocasiões, Bolsonaro já defendeu a venda direta como forma de reduzir os preços dos combustíveis.

De acordo com o diretor do Sinpetro-MS, Edson Lazarotto, a expectativa é a de que o produto fique mais competitivo em Mato Grosso do Sul, caso a diretriz passe a valer. “Para ser atrativo e compensar para o consumidor, o preço do etanol tem de ser de até 70% do valor da gasolina. Acredito que no mínimo ficará R$ 0,20 mais barato”, disse o representante dos donos de postos. 

LEVANTAMENTO

Nesta quinta-feira, a reportagem do Correio do Estado encontrou postos de combustíveis comercializando o litro do etanol por, em média, R$ 2,99 em Campo Grande. O valor mínimo praticado era de R$ 2,95 e o máximo cobrado por litro era R$ 3,09. A gasolina é comercializada, em média, a R$ 3,99, variando entre R$ 3,97 e R$ 4,07.  

Uma conta simplificada para saber se o preço do álcool é mais atrativo é multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Considerando o preço médio de R$ 3,99 da gasolina, valeria a pena abastecer com etanol caso o litro do combustível custasse R$ 2,79, ou seja, se o preço médio atual (R$ 2,99) ficasse R$ 0,20 mais barato.

O diretor destaca que ainda seria necessário analisar muitas variáveis, porém, o setor é favorável à mudança. “O setor sempre esteve a favor de aumentar o consumo do etanol. Temos 18 indústrias que fabricam o produto e que acabam vendendo para fora do Estado. Mas temos duas preocupações: primeiro, quanto à questão tributária, que influencia muito no preço; e segundo, quanto à qualidade deste produto”, reforçou Lazarotto.

INDÚSTRIA

Mato Grosso do Sul é o quarto maior produtor nacional de cana-de-açúcar do País. A safra 2020/2021 teve início dia 1º de abril na região Centro/Sul do Brasil. Até o dia 15 de junho, as 18 usinas em operação produziram 700 milhões de litros de etanol, 25% a menos do que no mesmo período da safra passada. Desses, 575 milhões de litros são de etanol hidratado (-23%) e 124 milhões de litros de anidro (-32%). No mix de produção, 74% da matéria-prima processada foi destinada para a produção de etanol.

De acordo com o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho, sobre a perspectiva das usinas venderem diretamente aos postos, o setor apoiará qualquer iniciativa que melhore a competitividade do etanol ante a gasolina. “A redução do preço ao consumidor é um desses vetores. No entanto, há de se considerar alguns fatores. A regulamentação precisa da aprovação da ANP e da Receita Federal. Nós temos alguma expectativa de como ficaria essa tributação. Importante registrar que a tributação tem de se adequar a quem faça a opção pela venda direta. Outro ponto é ter em mente que neste momento não tem redução de imposto e da operação. A gente vê com certa tensão essa questão de redução de preço. Isso pode não acontecer como a expectativa que está sendo gerada nos consumidores. Então eu vejo isso com muito cuidado, porque pode ser que haja uma frustração de expectativa”, contextualizou Hollanda.  

IMPOSTO

A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o etanol, em fevereiro deste ano, por exemplo, gerou uma expectativa frustrada ao consumidor. O governo do Estado reduziu a alíquota do etanol, que era de 25% e passou para 20%, e da gasolina, que saiu de 25% para 30%. No entanto, a queda no preço do litro do combustível não foi suficiente para tornar o álcool mais atrativo que a gasolina.

“O governo reduziu o imposto e, ainda assim, não tornou [o etanol] competitivo. Estamos esperançosos de que isso possa acontecer agora [com a venda direta]. Porque, além de um produto limpo, é produzido aqui no Estado. Sempre que tiver algo que vá beneficiar Mato Grosso do Sul, nós apoiaremos”, destacou o diretor do Sinpetro, Edson Lazarotto.

PROJETO

Um projeto de decreto legislativo para liberar a venda sem intermediários também está tramitando na Câmara dos Deputados. Ele foi aprovado pela Comissão de Minas e Energia no fim de 2019 e está sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), para depois seguir para votação no plenário. 

 

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!