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RESILIÊNCIA NA CRISE

Verruck: “A gestão adequada do setor produtivo fez a arrecadação aumentar”

Para secretário, não houve ganhador na pandemia, mas destaca que setor produtivo sairá mais forte
17/08/2020 06:04 - Eduardo Miranda, Súzan Benites


A pandemia afetou uns menos, outros mais. O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Famiiar, Jaime Verruck, começa sua entrevista lembrando que o agronegócio de exportação foi mais resiliente e ajudou a segurar o restante da economia na crise, pondera que pandemia não há ganhador. “Todos tiveram de fazer algum ajuste”, lembra.  

Neste período de ajustes de produção, e de mudança no consumo, Verruck é otimista. Ele apresenta novos programas, como ações para incentivar a psicultura.  

Ele também frisa um trabalho importante que vem sendo feito no Estado, e que poderá consolidá-lo como grande exportador no Brasil: o de certificação. Programas que focam a sustentabilidade e buscam emissão zero de carbono, e iniciativas que visam entregar produtos de qualidade, comprovada por rastreamento e boas práticas, estão em andamento e serão reforçadas.  

Verruck ainda traz boas notícias: na agricultura familiar, o estado é autossustentável na produção de alguns hortifrútis. O secretário também atualiza projetos de grande magnitude, como o da fábrica de fertilizantes de Três Lagoas, e também da extensão da Ferroeste até o Paraná.  

Confira esta análise do momento econômico atual do Estado  

 

Qual foi o impacto da pandemia no setor produtivo de Mato Grosso do Sul?

Tenho destacado que não existe setor afetado pela pandemia. Ele pode ser  afetado pela questão de emprego, de renda, de exportação, de necessidade de estabelecer biossegurança, reajuste a linha de produção e reajuste do trabalho.  

Todos os setores foram impactados de alguma forma no setor produtivo. Numa escala de impacto, do menor para o maior, o menor impacto foi no setor do agronegócio, porque é mais fácil fazer o controle  de nível de aglomerações, por exemplo. O segundo é a indústria que adotou medidas muito rápidas para serem implementadas, e o terceiro é o setor de comércio e serviços. E aí é claro que a gente fala do varejo e dos pequenos negócios.  

Então os pequenos negócios de varejo foram aqueles com maior impacto da pandemia. Lembrando também que a agricultura familiar teve um impacto exatamente pela dificuldade de colocação de seus produtos em bares, restaurantes que foram fechados.

Desde o início procuramos manter as atividades essenciais e manter a estrutura de abastecimento. Esse foi o nosso grande foco. E aí, ainda falando de impacto, podemos mostrar como conseguimos fazer a gestão adequada do setor produtivo do estado de Mato Grosso do Sul, quando tivemos uma arrecadação 6% superior que a do ano passado no primeiro semestre. Isso não tem nada a ver com fechamento, não-fechamento (das atividades econômicas), é fluxo de produção mantido, de uma forma que tivemos este crescimento do setor produtivo. São três estados no País: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, que tiveram aumento na arrecadação.  

Isso não quer dizer que nós não tenhamos  um impacto setorial significativo, como eu coloquei na questão do varejo, e um impacto no Produto Interno Bruto (PIB).  

Mato Grosso do Sul, pela nossa avaliação, deve ter uma redução no PIB, de 2%, mas muito abaixo que outros estados. E conforme for a atividade econômica no segundo semestre - o que estamos avaliando - a nossa expectativa é que MS tenha um dos menores impactos em termos de queda do PIB no País.  

Mas eu sempre comento, dentro da pandemia não há ganhador. Todos tiveram algum impacto e tiveram de fazer o seu ajuste.  

 

Como as intempéries climáticas - atraso no plantio - acredita que o produtor poderá investir mais em outras culturas?

O nosso foco competitivo hoje, com tecnologia e sustentabilidade, é a produção pecuária - e aí eu falo de bovinos, suinocultura e avicultura - e a produção do binômio soja e milho com um forte nível de integração lavoura - pecuária - floresta.  

Lembrando que MS é lider nacional de lavoura, pecuária e floresta em algum nível de integração. Esse ano, como houve um atraso no plantio da soja e que diminuiu muito a janela de produção de milho, nós não tivemos uma ampliação de área. Tivemos uma redução da área de milho, os produtores buscaram alternativas como trigo, sorgo e aveia. Então a gente acredita que na verdade, isso pode ser um reposicionamento destes produtores em relação a  novas culturas na safrinha. Mas hoje Mato Grosso do Sul já tem sua base bastante diversificada, com exceção, principalmente da produção das florestas.

 

Existe intenção de diversificar a produção do Estado?

Sim, e aí nós vamos trabalhar em duas linhas. Uma é na questão da proteína animal: nós somos competitivos na carne bovina, estamos ampliando muito a questão da suinocultura e ampliando a avicultura.  

Além disso, agora estamos trabalhando na questão do peixe. Nós temos um programa chamado Pró-Peixe, que nós vamos lançar nos próximos dias, e visa reposicionar Mato Grosso do Sul, que embora seja o primeiro exportador de carne de peixe do Brasil, faz isso em volume ainda modesto. Somos o oitavo em produção global, e até o final do governo queremos chegar num ranqueamento entre os cinco maiores produtores da área da psicultura. E para isso nós vamos desenvolver atração de investimentos da agricultura e outros.  

No âmbito do agro, temos a soja e o milho como fundamentai. Questão de buscar diversificação de soja, milho, aveia, girassol, algumas das outras produções, e também fazer as florestas, que estão vindo fortemente, e dentro da floresta a gente pretende diversificar também. Eucalipto, seringueira, e uma retomada do pinus.

Uma novidade: nos próximos dias vamos fazer uma contratualização para a gente ter nosso Plano Estadual de Florestas. A gente já teve no passado, mas estamos estadualizando este plano. Então esta é a linha de produção. Depois a gente fala um pouco da possibilidade de diversificação da agricultura familiar.  

 

O mercado de trabalho registrou em junho um saldo positivo de ampliação de vagas. Os setores já sinalizam recuperação. Já é possível falar em retomada?

O agro conseguiu dar sustentação na questão da manutenção das atividades econômicas no Estado de MS. É muito voltado para a questão das exportações.  

Mato Grosso do Sul bateu no primeiro semestre um recorde de exportações. Nós tivemos um crescimento, um superávit de R$ 2,4 bilhões, e formos para R$ 3,5 bilhões. E o grande responsável por este crescimento foi a soja. Nós fomos para 55% de crescimento do total exportado. E o valor total exportado teve um crescimento de 7%.  

A China continua sendo nosso principal parceiro com 50,93% de participação. Houve uma alta em relação a 2019. E Três Lagoas em função da celulose é o município de maior exportação. 

Dentro dessa linha, o que nós pensamos? O agro continua respondendo, a agroindústria responde no segundo semestre com uma recomposição das vagas, então não serão novas vagas de trabalho, mas uma recomposição das vagas que foram tiradas neste período de pandemia. A indústria que é do agro volta mais rapidamente e a que não é do agro, será retomada mais lentamente. Também prevemos uma recomposição mais lenta para o segundo semestre para o varejo e para as pequenas empresas voltadas para o comércio varejista, por que elas dependem muito da questão dos estados e municípios manterem estrutura de pagamento e renda.  

O que pensamos na retomada? As linhas de crédito têm de estar disponíveis para esse processo de retomada. O crédito não é só para pagar conta, precisa ter dinheiro para investimento. E para isso o agro, temos R$ 9 bilhões disponíveis para fazer essa retomada. No FCO também estamos fazendo a disponibilidade de recursos para este segundo semestre. Então é importante a disponibilidade de crédito para essas pessoas para que elas consigam inovar neste período pós-pandemia.  

 

Como está o relacionamento com a China? Há intenção de ampliar a relação comercial com o país asiático?

A posição de Mato Grosso do Sul é muito clara. Acabei de comentar que a China responde por 50,93% das nossas exportações. Então a China é parceiro comercial do mundo, não é só de Mato Grosso do Sul. E nós, com esta representatividade pretendemos sim, continuar ampliando.  

Nós esperamos que outras indústrias de celulose se instalem, tenham ampliação e continuem exportando soja para a China, utilizando toda nossa estrutura de logística portuária, como em Porto Murtinho onde nós abrimos os portos, para que a gente consiga se manter.  

Isso não quer dizer que nós não tenhamos o trabalho de diversificação. Nós fizemos já um trabalho com os países não asiáticos. A área comercial, da área internacional. Trouxemos um posicionamento com países asiáticos não-chineses. Fizemos um trabalho muito interessante com o Irã, que tem interesse na importação de milho. Nessa semana agora vamos fazer uma videoconferência com investidores da Índia, que é uma sinalização importante. Nossa ideia é diversificar a produção, e diversificar esse acesso ao mercado, e mantendo a posição muito clara de continuar vendendo aves para a Índia, continuar vendendo para Hong Kong (suínos), e a ideia é que a gente consiga ampliar.  

Sempre o nosso foco é que a gente consiga ampliar e consiga ir substituindo. Da soja queremos ir para o farelo, e do farelo queremos ir para as proteínas animais. Essa é a lógica que estamos querendo para o Estado.  

 

Com a pandemia, aumentou a demanda por produto com certificação, de origem e de qualidade. O estado tem produção voltada para a certificação? Acredita que poderia aproveitar esse novo momento?

Acho que essa é a grande oportunidade de Mato Grosso do Sul. Temos um projeto tocado aqui pela secretaria, que chamamos de Estado Carbono Neutro. É um projeto estratégico, conceitual. A gente quer trabalhar com todos nossos trabalhos de avicultura, soja e milho. Todos os programas do Estado: Leitão Vida, Pró-Peixe, todos eles, para que qualquer produtor se insira neste programa de incentivo,, ele tem de ter boas práticas agropecuárias. Isso é fundamental.  

Na soja da mesma forma, a Famasul tem uma participação forte com a gente num programa chamado Soja Plus, que é a certificação destes produtores. Então, temos outros programas: Carne Carbono Neutro, Carne Sustentável e Carne Orgânica do Pantanal. São uma série de nichos que trabalham todo esse conceito da mediação de carbono.  

Temos um programa nacional que é a agricultura de baixo carbono. Tudo isso somado, cria a cultura que é o estado da bioeconomia, o estado do carbono neutro que a gente pode se certificar. Falta a gente trazer a ciência para nos ajudar na quantificação disso, os modelos já estão prontos, a Embrapa está trabalhando, e que a gente consiga mostrar isso ao mundo. Essa é a grande oportunidade de Mato Grosso do Sul em todas as cadeias produtivas.  

 

Muitos empresários têm relatado problemas de acesso a capital de giro e novas linhas de crédito. Como está a liberação destes recursos?

Em todas linhas de capital de giro houve uma demora grande no repasse. Tivemos de aprovar leis, buscar recursos, para que a gente tivesse disponibilidade de capital de giro.  

O governo federal, porém, criou um programa, que eu penso que é a linha que deve permanecer, e que está dando certo porque a gente divide o risco. Temos um fundo garantidor, com recursos do tesouro, que divide o risco. Tanto que nos primeiros  dois ou três dias, foi 100%. Acredito que na micro e pequena empresa é um programa que deve ser permanente,, com alguns ajustes. Mas deve ser consolidado como o programa de crédito para a retomada da micro e pequena empresa.  

Também há o Capital de Giro FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) Emergencial. Retiramos parte do recurso do FCO, lembrando que prorrogamos as parcelas por seis meses do FCO Empresarial, e isso dá uma posição importante de capital de giro para as empresas. Já no FCO Emergencial, em função do Pronampe, tivemos pouca aplicabilidade. Também tivemos neste programa alguns mecanismos que não são tão rápidos, e exigem garantia real. Mas esse dinheiro está disponível, foi uma ação importante para apoiar o empresário, e talvez seja o recurso que a gente consiga  alocar neste processo de retomada. Não se consegue retomada sem buscar o crédito e sem buscar o investimento.  

 

Existe tratativas para retomada da UFN3 (Fábrica de Fertilizantes da Petrobras, com obras paralisadas desde 2015, em Três Lagoas)?

Sim. A UFN3 está no processo de venda. Houve uma retomada do processo.  

Aquele último processo de venda, em função dos problemas na Bolívia, acabou não sendo viabilizado. Houve uma reedição do edital, que agora traz um componente permitindo o fornecimento de gás pela Petrobras ou pelo mercado. É importante lembrar que  o gás natural é a matéria-prima dessa indústria, então sem gás natural, não existe a UFN3.  

Existe a retomada. Até setembro, a Petrobras consiga fechar com um vencedor. Em novembro se faz a assinatura com o vencedor e que, dentro do programa de investimento, março ou abril, acredito que as obras serão retomadas. Estamos acompanhado muito de perto, dentro da estrutura da UFN3.  

Toda a ureia consumida pelo Brasil é importada, então essa indústria tem um papel fundamental.  

 

Como estão as tratativas para o ramal da Ferroeste até Maracaju?

A Ferroeste é uma ferrovia do Paraná, que vai de Cascavel até Guarapuava e tem a concessão até Dourados. Ela já foi habilitada na PPI (Plano de Parcerias de Investsimentos do governo federal) até Maracaju.  

Esperamos que no ano que vem a Ferroeste possa ir  para a B3 (Bolsa de Valores) em um processo de desestatização. Acho que até julho o governo do Paraná consegue colocar essa ferrovia para licitação. E aí começa todos os trâmites...  

 

E a Malha Oeste, qual o destino desta ferrovia após o pedido de relicitação pela Rumo?

Na Malha Oeste tentamos alguns caminhos. O primeiro foi a ampliação do prazo de concessão. Neste caminho, nós não conseguimos avançar. O segundo caminho seria a caducidade, que também seria demorado, por mais que tenha sido aberto o processo para se declarar a caducidade.  

O terceiro caminho é o processo de relicitação, que dependia do pedido da Rumo. Recentemente, em uma reunião em que participaram toda a diretoria da Rumo, o governador Reinal Azamuja e a ministra (da Agricultura) Tereza Cristina, a Rumo apresentou o pedido de relicitação eles e já formalizou a inteção. Estamos confiando e buscando apoio em toda bancada.  

Talvez esse seja o único caminho possível de uma reativação da Malha Oeste, que é fundamental no Estado. Temos toda a estrutura levantada.  

Ela é fundamental para viabilizar uma série de investimentos, inclusive a saída de minério de Corumbá, que a partir de agosto agora está saindo mais de 1 milhão de toneladas (mais de 100 mil toneladas/mês) em função da não existência da ferrovia isso vai ser feito por caminhão, levando para São Paulo e Rio de Janeiro. São quase 80 a 100 cargas por dia que vão passar pela rodovia e que poderiam passar pela ferrovia assim como outros produtos.  

 

Como está o transporte de ureia da Bolívia?

A Bolívia está com a fábrica de Bulo-Bulo de ureia suspensa, e os players brasileiros tiveram de buscar outras alternativas em função da situação da Bolívia. A gente espera aí, dia 18 de outubro com as eleições,, a retomada. A Bolívia é um parceiro importante nessa questão da discussão, tanto do gás natural, como da ureia.  

 

Quando se fala em agro, se fala muito em grandes produtores e monocultura. Como anda o desenvolvimento da agricultura familiar?

Nós temos agora um Plano Safra da agricultura brasileira, e lá tem agricultura familiar e vamos chamar o agronegócio. Dentro da Agricultura Familiar temos R$ 188 milhões para aplicar no setor.  

Nós já capacitamos a rede Agraer para fazer estes pequenos projetos para produtores, e para que eles busquem novamente a diversificação.  

E aí, falando sobre a diversificação, nós temos espaço, estamos trabalhando com na questão do leite. Nós precisamos fazer uma recuperação da produção do leitte no Estado. Isso é importante, porque a produtividade média está muito baixa. E nós já temos uma estrutura industrial que pode absorver isso. Esse é um caminho que passa por genética, pastagem e crédito.  

Estamos trabalhando na cadeia do peixe. Temos mais de 200 tanques escavados sem utilização. Vamos fazer um projeto de recuperação das atividades integradas com a indústria.  

Temos a questão da cadeia do mel. Projeto recente de erva-mate. Temos 2 milhões de mudas de erva-mate que estão sendo plantadas em Mato Grosso do Sul. Temos um projeto para recuperar a atividade. A questão de horti-fruti granjeiros, nós já somos autossustentáveis na folhagem, mas tem muito que avançar em termos de tecnologia. Estamos com um projeto de hortas urbanas, com mais de 200 hortas sendo estabelecidas.  

Dentro do Pró-Orgânico, estamos fazendo uma série de certificações desses produtores para atender o projeto orgânico.  

 

E, especificamente, sobre o crédito?

A gente não pode deixar de falar que a agricultura tem uma série de oportunidades, mas muitos destes projetos precisam de crédito, e para ter crédito é preciso regularização. Então temos aí praticamente, milhares de produtores: 20 mil. Para que eles tenham acesso a tudo isso, firmamos convênio com o Ministério da Agricultura e com o Incra para que até o fim do ano a gente consiga certificar mais de 3 mil produtores. Assim a gente dá cidadania e dá propriedade  para essas pessoas, para que elas possam avançar rapidamente.  

Também estamos investindo nas estradas vicinais e em centros de comercialização. Estamos construindo dez centros de comercialização, pequenos. Para que os pequenos produtores possam oferecer seus produtos.  

No ano passado focamos em máquinas e entregamos mais de 1,2 mil equipamentos de agricultura familiar ao longo destes quatro anos. Agora estamos focando na tecnologia, assistência técnica e em equipamentos menores, para que nós possamos fazer. 

 
 

Felpuda


Comentários ouvidos pela “rádio peão”, em ondas curtas, são de que figurinha só ganharia apoio dos colegas caso pessoa agregada fosse “curtir a aposentadoria” de uma vez por todas. Como seu acordo político acabou naufragando nesta campanha, agora dito-cujo estaria querendo recuar e não ceder o lugar. 

Isso até poderia acontecer, se não fosse a sua, digamos, eminência parda. Afe!