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82 ANOS

Galo ainda desperta paixões e esperança de futuro promissor no torcedor

Com passado de glórias, clube busca reconstrução após passar 21 anos sem títulos. Mesmo assim, há quem siga ao seu lado e alimente sentimentos
21/08/2020 19:00 - Nyelder Rodrigues


Dia 21 de agosto de 1938. Nesse dia foi fundado em Campo Grande aquele que viria a ser, quase 40 anos depois um dos principais símbolos do divisionismo sul-mato-grossense. Trabalhadores da construção civil, liderados pelo pintor Plinio Bittencourt, arregaçaram as mangas e criaram um time de futebol para representá-los: o Operário Futebol Clube.

O 'Galo do Povo' aos poucos foi ganhando a simpatia do campo-grandense e rivalizando com o Esporte Clube Comercial, ainda em um período em que o futebol local se resumia à liga municipal e ao amadorismo. Assim foi durante os anos 40, 50 e 60, quando o Operário conquistou quatro títulos municipais.

Contudo, o salto histórico do clube veio justamente nos anos 70 - período em que o movimento divisionista do sul do então Mato Grosso unificado conseguiu a sonhada separação e, no futebol, viu a dupla Comerário lotar o recém inaugurado estádio Morenão, o até ali maior estádio universitário da América Latina.

A profissionalização só veio em fevereiro de 1973, junto a entrada no campeonato mato-grossense de futebol. E não demorou muito para a equipe conquistar o primeiro de seus 15 títulos estaduais: já em 1975, ele veio batendo uma equipe de Cuiabá (MT)

Válido pelo ano de 1974 - o torneio começava em setembro e ia até abriu do ano seguinte -, a final aconteceu nos dias 20, 23 e 27 de abril de 1975. No primeiro jogo, em Cuiabá, o Galo empatou em 2 a 2 com o Dom Bosco. No segundo duelo, 1 a 1 no Morenão.  

Já na derradeira terceira a última partida, finalmente a vitória e o aclamado título: 2 a 1 sobre o Dom Bosco e, finalmente, um time do sul superou um da então capital Cuiabá. Finalmente Campo Grande foi ao topo, levando consigo ainda a artilharia da competição, que ficou com o operariano Tadeu Macrini, com 12 gols.

 
 

No campeonato seguinte, o título ficou com o rival Comercial, mas nem por isso a paixão operariana cessou. Os campeonatos de 1976, 1977 e 1978 foram todos parar nas mãos do Galo, que pelo Brasileiro de 1977 - encerrado apenas em 1978 - ainda conseguiu o feito de ser o terceiro colocado, parando apenas no São Paulo, que acabou sendo o campeão.

Já com Mato Grosso dividido e Mato Grosso do Sul criado, o Operário seguiu soberano nos anos de 1979, 1980 e 1981. Para uns, um hexacampeonato. Para outros, apenas o tri, já que foram competições por estados diferentes.

Sentimento que persiste

Mas nem só de glórias foi marcada a história do alvinegro. Após um longo período de vitórias, veio também um período de fracassos e acúmulos de problemas. Dívidas fizeram o clube perder o Centro de Treinamento Poliesportivo, na saída para Aquidauana, e a sede social na avenida Bandeirantes, ambos leiloadas pela Justiça.

A seca de troféus perdurou de 1997 a 2018, 21 anos de sofrimento que também serviram para despertar sentimentos antagônicos nos torcedores. Alguns preferiram se afastar das arquibancadas, que deixaram de ser cheias como outrora, enquanto uma parcela deles se tornou mais fanática ainda, em atos de verdadeira devoção.

"O que eu sinto é um gigante amor incondicional que não cabe dentro de mim. Por isso me orgulho em dizer que amo o Operário aos quatro cantos do planeta bola", conta o artista plástico Sullivan Oliveira, de 45 anos e que em 2008, também foi o responsável por se fantasiar de galo e, como mascote, animar a torcida na Série C do Brasileirão.

Figura carimbada da torcida, Sullivan ainda alimenta esperanças de um futuro promissor do clube que, quando criança, viu duelar sem medo contra equipes dos quatro cantos do Brasil. "Espero poder ver o Operário que amo colher todos os frutos plantados hoje", frisa, se referindo ao trabalho de reerguimento feito atualmente.

 
 

"Os melhores dias da minha vida", define o corretor de imóveis Ricardo Braga ao falar sobre o sentimento existente pelo Operário, apesar das dificudlades enfrentadas nas últimas décadas e de ter podido comemorar apenas um título.

"O Operário não é apenas um time, é um ideal. Como diz o próprio hino 'és valente como o povo brasileiro'. Então, como ele aprendemos a lutar, ter raízes. O Galo representa o povo nos gramados. Se temos uma semana difícil, no domingo tem o Galo para nós alegrar em campo", declara Braga, que é membro da torcida Esquadrão Operariano.

Futuro passa pelo torcedor

Braga é consciente em questionar o futuro do clube e sabe que, sozinho, os que dirigem não são capazes de reerguer a equipe às glórias da passado, tendo torcida e imprensa papel relevante também nessa reconstrução histórica.

"Espero que o torcedor comum entenda seu papel, não o organizado, pois esse sempre esteve do lado do clube. Por um momento na história do clube, o torcedor ficou ausente na luta política e isso custou caro para todos", destaca, continuando em seguida.

"Então, torcedor comum, lute, discuta, consuma a marca do Operário. Por mais opiniões divergentes, só assim estaremos levando o nome do Operário em todo lugar, nas ruas, nas rádios, na TV", frisa Braga, que cobra da diretoria enxergar os torcedores como o maior patrimônio do clube e busque também modernização da gestão.

Assim, a jovem Dielly Raiane, de 20 anos, encara o futebol e leva sua devoção pelo Operário à diante. Apesar do pai comercialino, ela acabou se apaixonando pelo rival, acompanhando o Operário desde sua infância, seja na Capital ou no interior.

"O futebol é paixão e emoção acima de qualquer razão. Eu grito, torço e vibro pelo meu Galo, minha eterna paixão. O que eu posso esperar dese clube para o futuro? Quero que ele nós traga muitas alegrias, conquistando muitos títulos e nós coloque sempre em primeiro lugar", conta Dielly.

 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!