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Pandemia deve causar prejuízo de bilhões

Pandemia deve causar prejuízo de bilhões
22/03/2020 08:15 - Da Redação, Estadão Conteúdo


O prejuízo do novo coronavírus no futebol irá bem mais além do que somente paralisar os campeonatos. As previsões de especialistas em finanças são bastante sombrias sobre o quanto a modalidade vai se fragilizar e sofrer uma das maiores crises econômicas da história. Apenas às cinco principais ligas nacionais da Europa (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) podem ter um impacto equivalente a R$ 20 bilhões se os campeonatos não puderem ser retomados, segundo projeção da consultoria KPMG.

A situação atual dos campeonatos é de cancelamento, ainda sem uma confirmação de quando o calendário poderá voltar.

A mais rica de todas das ligas e quem pode ter o maior golpe. Apenas a Premier League, que organiza o Campeonato Inglês, pode sentir no bolso um impacto de R$ 6,7 bilhões. Cerca de 62% desse valor (R$ 4,2 bilhões) se deve às transmissões de televisão pelo mundo afora, cujos valores são fixados de acordo com a quantidade de jogos exibidos pelos canais. No entanto, a interrupção do calendário gera um ciclo de perdas imenso e com reflexo até mesmo em receitas menores, como as vendas de comida nos estádios.

Segundo a própria KPMG, no Brasil o duro golpe financeiro será pesado porque boa parte dos recursos depende principalmente dos times estarem em atividade. As rendas com bilheteria representam 15% da receita anual dos clubes e os contratos de TV são responsáveis por 42%. Justamente esses dois segmentos importantes são os mais afetados pela paralisação.

"A receita dos clubes depende muito das vendas de jogadores. Mas a janela de transferência deste ano tem hipótese de não dar muitos frutos e isso também vai impactar muito em toda a cadeia do futebol", disse o Líder de Mídia e Esportes da KPMG no Brasil, Francisco Clemente. "Agora tem de se pensar no que deve ser feito para proteger o caixa, para que os recursos dos clubes sejam utilizados da melhor maneira possível", completou.

Alguns países começaram a se mobilizar para tentar diminuir o golpe. Apesar de não ter uma liga de alto valor de mercado, a Bolívia tem negociado entre dirigentes de clubes e sindicatos de jogadores uma maneira de se reduzir os salários enquanto a suspensão do calendário estiver em vigor. A ideia veio da própria Federação Boliviana de Futebol.

 

 
 

POSSÍVEIS SOLUÇÕES 

Se o cenário é de reduzir o prejuízo, algumas soluções no Brasil podem ser úteis. Nesta semana, clubes acionaram o Ministério da Economia para solicitar a suspensão temporária do pagamento das parcelas do Profut, programa de refinanciamento de dívidas fiscais do futebol estabelecido em 2015. Quem tomará a decisão final sobre o pedido é o responsável pela pasta, o ministro Paulo Guedes.

"Os clubes precisarão de fôlego financeiro, pois suas fontes de receitas podem secar neste período. Uma das alternativas seria a suspensão do pagamento das parcelas mensais do Profut", afirmou o advogado especializado em direito desportivo Eduardo Carlezzo. "Uma questão que deverá ser enfrentada, caso a paralisação das competições se alongue, é a suspensão dos contratos dos atletas enquanto perdurar a crise. Dezenas de clubes não suportarão pagar salários sem que estejam disputando algo", completou.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, a hora é de as equipes diversificarem receitas e buscarem lucrar com outras áreas. "A criatividade é a resposta. A condição que estamos passando nos dá a hipótese de inventar e ousar. Ainda temos gente que está querendo consumir futebol", explicou. A dica dele é apostar na internet nesta época de quarentena, com interatividade entre torcedores, vídeos de gols antigos e atuação dos jogadores em torneios “online” de videogame.


 

 

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!