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ESPORTES

Pedro Barros se preocupa com Rayssa Leal e defende idade mínima no skate

O skatista só terminou a oitava série porque sua escola entendeu que ele, mesmo jovem, era quem sustentava a família -passou de ano mesmo sem ter notas
10/10/2021 15:15 - FOLHAPRESS


Medalhista de prata em Tóquio, Pedro Barros, 26, tem um certo receio quando vê a também prateada Rayssa Leal, 13, competir em disputas de alto nível.

É uma preocupação de skatista para skatista, de parceiro, amigo, de quem com 13 anos começava sua carreira profissional e, 13 anos depois, sabe que apesar das incalculáveis glórias, também há tropeços.

"O skate me trouxe a chance de mudar a vida da minha família. Então, no final, valeu a pena o esforço [...] Mas quando vejo crianças competindo nas Olimpíadas, que já é algo difícil o suficiente para eu que tenho 26 anos, vejo elas correndo risco de comprometer sua saúde mental, criar um trauma em cima de uma paixão", diz à Folha.

"O skate tem que ter uma idade mínima para competir nesses níveis profissionais e com certeza 13 anos não é essa idade", afirma.

Ele recebeu a Folha no novo espaço da Layback (na Vila Madalena, em São Paulo), marca de cerveja que tem junto com seu pai, André Barros, há 10 anos, cujo retorno serve para seu apoio financeiro e construção de pistas.

Hoje, ele se mostra orgulhoso dos resultados que conseguiu com a empreitada, e o plano é chegar a 16 estabelecimentos no Brasil.

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Saindo dos negócios e voltando às pistas, Pedro Barros se recorda da época de criança, quando via seus resultados melhorarem no skate ao mesmo tempo em que suas notas diminuíam na escola.

O skatista só terminou a oitava série porque sua escola entendeu que ele, mesmo jovem, era quem sustentava a família -passou de ano mesmo sem ter notas suficientes para isso.

Diz que tentou alternativas de ensino a distância, sem sucesso. Também chegou a cogitar um supletivo, mas não deu certo. Em um esporte no qual o avanço da idade para competir em alto nível pode ser um problema, resolveu abandonar os estudos.

"O mais louco dessa história é que eu não queria ser um moleque que largou a escola, não queria ser uma pessoa sem um diploma na vida. Pô, é uma vergonha. Eu tinha como objetivo próprio nunca 'rodar' [repetir de ano] e terminar a escola", diz.