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XANGAI

Por 1 centésimo, Cielo perde o pódio

Por 1 centésimo, Cielo perde o pódio

GLOBOESPORTE.COM

28/07/2011 - 08h07
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Quando saiu da piscina na semifinal dos 100m livre, Cesar Cielo avisou: “Segurei um piano nas costas, está difícil nadar”. Nesta quinta-feira, no retorno ao Centro Esportivo Oriental, ficou claro que a frase não era mero jogo de cena. Na prova que lhe deu a primeira medalha olímpica da carreira, o brasileiro penou para ir e voltar na piscina. Para ir, nem tanto, já que fez a virada na frente. Nos últimos 50m, contudo, o piano pesou.

Cielo perdeu fôlego, viu três rivais apertarem as braçadas e, por apenas um centésimo, ficou fora do pódio. Bateu em quarto lugar com 48s01, e o bronze escorregou para as mãos do francês William Meynard. O ouro, como tinha previsto o próprio Cesar, ficou com o australiano James Magnussen, e a prata com o canadense Brent Hayden.

Em Roma, há dois anos, Cielo venceu os 100m livre com direito ao recorde mundial que dura até hoje, 46s91. Em Pequim-2008, já tinha conquistado o bronze da prova, seu primeiro pódio olímpico. Desta vez, o cenário foi diferente. Quarto melhor das eliminatórias e quinto da semifinal, Cielo admitiu que o julgamento por doping prejudicou a reta final da preparação. O tal “piano” não o impediu de ganhar o ouro nos 50m borboleta e não tira dele o favoritismo nos 50m livre, que terá sua final disputada no sábado. Nos 100m, contudo, não basta cruzar a piscina, é preciso voltar. E foi aí que o brasileiro perdeu fôlego.

- Foi quase, né? Por um centésimo. Estou bem satisfeito com a prova, com a atitude que eu tive, coragem e confiança de passar forte. Foi mais ou menos dentro do que eu esperava, acho que eu nadei bem. Mas o pessoal está nadando melhor os 100m. É uma prova em que venho tendo dificuldades desde o Pan-Pacífico. Ainda mais agora que esse finalzinho vem pegando. Vamos ver o que a gente vai fazer para os 100m a partir dessa competição, mas agora é focar nos 50m – avisou Cielo, já pensando na sua prova favorita.

Assim que bateu em quarto, Cielo foi cumprimentar Magnussen, como se já soubesse que o resultado da prova seria aquele. O australiano, que já tinha surpreendido no revezamento 4x100m livre e sobrou nas semifinais, confirmou o favoritismo nesta quinta-feira. O australiano de apenas 20 anos bateu em primeiro com o tempo de 47s63. Hayden fez 47s95, seguido pelos 48s00 de Meynard. A decepção ficou por conta do americano Nathan Adrian, que tinha brilhado na semifinal, mas só conseguiu chegar em sexto, com 48s23.

Confira o resultado final dos 100m livre em Xangai:

1. James Magnussen (AUS) - 47s63
2. Brent Hayden (CAN) - 47s95
3. William Meynard (FRA) - 48s00
4. Cesar Cielo (BRA) - 48s01
5. Fabien Gilot (FRA) - 48s13
6. Nathan Adrian (EUA) - 48s23
7. Luca Dotto (ITA) - 48s24
8. Sebastiaan Verschuren (HOL) - 48s27

CARTÃO VERMELHO

Em nota, Acems cobra mudanças na "federação do combalido futebol de MS"

Associação de cronistas esportivos cobra uma investigação mais detalhada e cita que o futebol de Mato Grosso do Sul está vivendo uma das crises jamais vistas.

22/05/2024 19h00

Policiais e promotores fizeram buscas da sede de Federação de Futebol de MS e na residência do presidente, Francisco Cezário

Policiais e promotores fizeram buscas da sede de Federação de Futebol de MS e na residência do presidente, Francisco Cezário Marcelo Victor

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A Associação de Cronistas Esportivos de Mato Grosso do Sul (Acems) divulgou na tarde de hoje (22) uma nota à imprensa cobrando mudanças na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS). Na tarde de ontem (21), a operação 'Cartão Vermelho', deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), resultou na prisão do presidente Francisco Cezário de Oliveira, 77 anos, que comanda a entidade há 26 anos. 

A carta aberta é assinada pelo presidente da Acems, José Antonio Coca, e pelo vice-presidente Thiago Lopes de Faria. A nota começa citando que a operação revelou à sociedade o maior escândalo de corrupção na história do futebol sul-mato-grossense.

Ainda de acordo com a nota, a Acems sai em defesa da investigação e cobra uma apuração mais detalhada, como forma de passar limpo o "combalido futebol profissional de Mato Grosso do Sul"

Além de Francisco Cezário, a operação investiga mais seis pessoas, que inclui dirigentes da federação, hotéis e barbearias no interior do estado.  

Acompanhe o posicionamento da Acems: 

Associação de Cronistas Esportivos de Mato Grosso do Sul acompanha os desdobramentos da operação cartão vermelho do Ministério Público Estadual, através do Gaeco - Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado que trouxe à tona o maior escândalo de corrupção da história do nosso futebol, com prisões e cumprimentos de mandados de busca e apreensões.

Entendemos que todas as pessoas presas e denunciadas têm amplo direito à defesa, mas é necessário que apoiemos as investigações como forma de passar a limpo o combalido futebol profissional de Mato Grosso do Sul, que hoje é um dos piores no ranking da CBF. 

O Ministério Público Estadual e a justiça estão fazendo a sua parte, mas as pessoas de bem que militam no esporte, também precisam reagir, não apenas com indignação, mas cobrando firmemente mudanças no comando da FFMS Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul - que está praticamente acéfala e vivendo uma crise jamais vista.

É necessário que a CBF e a justiça desportiva, atuem para que as coisas realmente mudem, para o bem do nosso futebol. é hora de agir porque existem competições em andamento, outras perto de iniciar e, mais do que isso, cada dia perdido pode não ser recuperado.


José Antonio Coca - Presidente da ACEMS                                                    
Thiago Lopes de Faria Vice-presidente da ACEMS


De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a operação tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa que usava as instalações da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul para desviar valores vindo de convênios com  Estado de Mato Grosso do Sul e repassados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 


Operação Cartão Vermelho 

Repressão ao Crime Organizado), prendeu o presidente da FFMS e outras quatro pessoas: Umberto Alves Pereira (TV FFMS), Francisco Carlos Pereira (também flagrado com arma), Valdir Alves Pereira e Marcelo Gustavo.

Conforme dados da investigação, Francisco Carlos Pereira, Valdir Alves Pereira e Umberto Alves Pereira são os sobrinhos de Cezário que estão sendo investigados. Outro preso durante a operação na manhã de hoje foi o filho de Umberto. O nome dele não foi divulgado, mas ele era responsável pelo setor financeiro.

Segundo informações do Gaeco, entre setembro de 2018 e fevereiro de 2023, a investigação levantou que a FFMS desviou mais de R$6 milhões. Cezário foi eleito no ano passado e comandaria a entidade até 2027. Atualmente, está em seu sétimo mandato como presidente da federação.

Diante das informações, os agentes do Gaeco cumpriram 7 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Além de Cezário, o nome de Jamiro Rodrigues de Oliveira, vice-presidente da FFMS; Marco Antônio Tavares, vice-presidente e coordenador de competições da federação, que também consta como presidente da Federação de Tênis de Mesa; Aparecido Alves Pereira, delegado de jogos da FFMS; Rudson Bogarim Barbosa, que em publicação do site da entidade em 2022 constava como gerente da TI da FFMS, foram todos localizados pelo Gaeco para dar explicações.


Investigação

De acordo com as investigações, uma das formas de desvio de dinheiro era realizada em saques em espécie de contas bancárias da Federação de Futebol, em valores não superiores a R$ 5 mil, para não alertar os órgãos de controle.

Ainda conforme dados do Gaeco, os integrantes da organização criminosa realizaram mais de 1.200 saques, que ultrapassaram R$ 3 milhões. O dinheiro desviado era dividido entre os integrantes do esquema.


Cesário é preso após 26 anos na frente da Federação


Conhecido pela longevidade no comando de uma federação de futebol no país, Cezário foi, por 26 anos, o "dono da bola" ou "imperador do futebol de MS". Ele está em seu sétimo mandato e ficaria no comando até 2027. A última eleição aconteceu em 2022 e foi marcada por briga na justiça, finalizando com a vitória de Francisco Cezário.
 

CARTÃO VERMELHO

Clubes de MS mantêm cautela ao falar sobre desvio de dinheiro dentro da FFMS

Dirigentes relataram que torcem para que a situação não piore e que as mudanças sejam benéficas para o futebol do estado.

22/05/2024 18h22

Divulgação/ GAECO

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A prisão de Francisco Cezário gerou tempos nebulosos e indecisões entre os presidentes dos clubes de Mato Grosso do Sul. Em contato com a maioria dos dirigentes, a maior parte adotou uma postura mais cautelosa ao comentar sobre a prisão do mandatário, que esteve à frente da Federação de Futebol por mais de 26 anos.

De acordo com os clubes, todos eles seguem acompanhando as movimentações e aguardando as investigações para emitir um posicionamento correto do caso. 

“Estamos avaliando as situações e tomando bastante cautela com relação a isso. O Operário está aguardando com bastante expectativa porque já iniciamos reuniões para o ano de 2025 e todas essas notícias podem atrapalhar bastante o nosso panejamento”, relatou o presidente do Operário, Nelson Antônio ao Correio do Estado.  

Perguntado sobre como o Operário vê as informações sobre o desvio de R$ 6 milhões provenientes de convênios do Governo do Estado e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o presidente do Operário demonstrou preocupação. Isso porque o Galo de Campo Grande é o atual campeão estadual e está garantido na Copa do Brasil, Brasileirão Série D, Copa Verde e também no Campeonato Feminino, previsto para ocorrer ainda este ano.

“Esse dinheiro de convênios vindos do governo e da CBF é que faz a gente se manter vivo nos campeonatos. Esse dinheiro é de extrema importância para os clubes de Mato Grosso do Sul. Estamos sim, um pouco apreensivos, mas  espero que o caso seja resolvido de forma rápida para que não atrapalhe o planejamento do próximo ano e que as mudanças que vão acontecer daqui para frente, sejam benéficas para o nosso futebol”, relatou. 

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com o presidente do Comercial, Cláudio Barbosa. O clube disputará o Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série B em agosto e, segundo o presidente, está avaliando as movimentações e espera que o caso seja resolvido o mais rápido possível.

“Esse dinheiro é importante para a gente competir, sem essa grana os clubes de MS vão a falência. Até o momento vou manter cautela e vamos aguardar as investigações. A principal preocupação neste momento é o estadual da série B e como vamos competir. Tenho que ser aberto, esse caso pode sim atrapalhar o nosso planejamento”, relatou. 

Ao contrário de outros dirigentes, o presidente do Novo Futebol Clube, Eder Cristaldo, demonstrou surpresa com as investigações e pede uma apuração mais aprofundada sobre os casos de corrupção dentro da federação.

“Cara … é difícil de comentar sobre isso. Acharam na casa do Cezário 800 mil reais, isso é um absurdo. Ontem o meu telefone não parou de tocar, muita gente de outros estados querendo  saber o que estava acontecendo. Isso mostra uma imagem muito negativa do nosso estado para o Brasil”, relatou 

O Novo Futebol Clube competirá apenas no segundo semestre de 2025 no Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série B, mas o presidente demonstrou preocupação com o planejamento da equipe e o futuro do estadual.

“Sou amigo do Cezário, mas o que ele fez é imperdoável e ele precisa pagar por isso. O que aconteceu não ficou somente na federação e sim atingiu todos os clubes do estado. Esse caso de corrupção colocou todos os times envolvidos no caso. Nas votações entre os clubes, meu voto sempre foi contra tudo que foi acordado e sou contra tudo que está acontecendo. Se é para mudar, que seja para melhor e que Cezário precisa pagar por todos os crimes que cometeu”.  

A reportagem tentou contato com o presidente do Ivinhema, João Carlos Rodrigues que atendeu a ligação, mas por causa do compromissos não respondeu às nossas perguntas. O canal segue aberto para entender como anda o planejamento do Azulão do Vale e entre outros clubes que não atenderam os nossos contatos. 


Operação Cartão Vermelho

Operação realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suposto esquema de corrupção na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS)prendeu ontem (21) o presidente da entidade, Francisco Cezário.

Segundo as investigações, o esquema tinha como principal objetivo o desvio de dinheiro que era proveniente do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através de convênios, subvenção ou fomento ao esporte, e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para uso em benefício próprio ou de terceiros.

A principal forma de desvio era a realização de saques das contas da Federação de Futebol, em valores pequenos, de até R$ 5 mil, que após mais de 1.200 saques, ultrapassaram o montante de R$ 3 milhões.

O MP aponta que, além disso, o esquema também incluia desvio de diárias dos hotéis pagos pelo Estado para jogos do Campeonato Estadual.

Levantamento feito pelo Ministério Público no período de setembro de 2018 até fevereiro de 2023, identificou que o desvio de dinheiro total na Federação de Futebol superou a casa dos R$ 6 milhões.

A operação, intitulada como “Cartão Vermelho” cumpriu 7 mandados de prisão preventiva, além de 14 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Os alvos de investigação do Ministério Publico são: o presidente da Federação de Futebol, Francisco Cezário; Aparecido Alves Pereira; Francisco Carlos Pereira; Umberto Alves Pereira; Valdir Alves Pereira; Rudson Bogarim Barbosa; Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira. 

Além desses nomes, o diretor de patrimônio da Federação, Jamiro Rodrigues de Oliveira, e o vice-presidente da Federação de Futebol, Marco Antonio Tavares também são investigados, junto com os donos da empresa de confecção de materiais esportivos de Dourados, Invictus Sports, Marcos Antonio de Araujo e Patricia Gomes de Araujo.

Em nota, a empresa Invictos Sports se pronunciou sobre a operação, informando que os proprietários foram autuados pelo Gaeco e forneceram as informações solicitadas a eles. 

“A empresa de confecção de uniformes Invictus, de Dourados, é prestadora de serviços para a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul e tem os referidos serviços registrados através de fornecimento de nota fiscal e pagamento registrado em conta corrente da empresa.

Marcos Araújo, proprietário, acompanha o trabalho do Gaeco e está fornecendo todas as informações solicitadas. Está à disposição e confia no trabalho desempenhado pela Justiça de Mato Grosso do Sul”, disse a nota.

O advogado de defesa da FFMS e do presidente Francisco Cesário, André Borges, também enviou um pronunciamento referente a Operação. 

“Nessa fase qualquer investigação é sempre unilateral; logo ela será submetida ao necessário contraditório; devemos aguardar os esclarecimentos, que serão prestados, oportunamente”, declarou.

De acordo com o Gaeco, na casa do presidente da FFMS foram apreendidos mais de R$ 800 mil.

 

*Colaborou Judsom Marinho

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