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ESPORTES

Rugby: após 16 anos, Baby Futuro se aposenta da seleção brasileira

Título Sul-Americano no Uruguai em novembro marcou a despedida
10/12/2020 22:07 - Agência Brasil


O último final de semana de novembro pode ter sido o mais especial da carreira de atleta de rugby Baby Futuro. Aos 34, a carioca faturou o título Sul-Americano no Uruguai e vestiu pela última vez a camisa da seleção brasileira depois de 16 anos. 

“Minha ideia já era me aposentar no fim desse ano, depois dos Jogos de Tóquio. Mas como veio a pandemia, Olimpíada adiada, até pensei em ficar um pouco mais. Foi difícil tomar a decisão de parar agora", disse a atleta.

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Mas a questão médica foi o ponto crucial que impediu que ela pudesse participar do grupo nacional que estará no Japão no ano que vem. "Sofro há bastante tempo com lesões nos dois joelhos. A primeira vez que eu fiz uma cirurgia foi há 19 anos no joelho esquerdo, depois em 2014 operei de novo. Praticamente não tenho mais menisco. A quarentena serviu para que eu pensasse bastante". 

A decisão final veio durante a participação na Missão Europa do Comitê Olímpico do Brasil em Portugal. "Fizemos um mês inteiro de treinos no ritmo intenso, parecido com a competição. E senti que ia ficar difícil. Alguns parâmetros físicos estavam caindo e eu vi que era melhor parar enquanto ainda estava bem. Tive várias amigas que pararam por lesões. Por isso, fico feliz por ter essa chance de escolher o momento de parar".

Com a taça sul-americana trazida do Uruguai, o Brasil chegou a 18 conquistas no torneio continental, em 19 competições disputadas. 

Baby pôde participar de 14 desses torneios. "Fechei com chave de ouro. Sou extremamente grata por ter vivido tudo o que eu vivi no esporte. Fiz o primeiro try do Brasil no torneio. Poder sair de campo com todas as meninas me homenageando foi lindo. Feliz demais pelo reconhecimento".

Na seleção desde 2004, ela também é a única atleta nacional a participar de três mundiais de rugby sevens (Dubai/2009, Moscou/2013 e São Francisco/2018). 

"Pude viver todo esse processo. Com a minha saída se encerra esse ciclo. Conquistamos muitas coisas. Acho que isso me mostra que esse movimento não está sendo só para mim. Envolveu muitas mulheres que começaram quando o rugby era amador no Brasil. A motivação eram o nosso amor e a vontade de jogar. Hoje a realidade é diferente. Temos uma estrutura muita mais completa. Isso é muito bom para todos que estão envolvidos com o rugby no Brasil".

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a seleção obteve a nona colocação. Com participação destacada da Baby Futuro, que foi a artilheira da equipe nacional e escolhida pelo COB a melhor atleta do ano da modalidade.

 "Comecei como reserva e acabei sendo titular pela lesão da Julia Sardá logo no primeiro jogo. Estava super bem preparada. Poder jogar aquela Olimpíada em casa, com a minha família na arquibancada, foi demais. Lamento muito pela Julia, mas me esforcei ao máximo para aproveitar a chance. E acho que fui bem".