Desabafo

Após campanha da CazéTV para ganhar seguidores, Vozinha revela que prefere a vida antes da fama

Declaração feita pelo goleiro sensação da Copa do Mundo 2026 vem dando o que falar

O goleiro cabo-verdiano Josimar Dias, mais conhecido como Vozinha, de 40 anos, afirmou que trocaria a fama conquistada na Copa do Mundo deste ano pela vida anônima que levava antes do torneio. As defesas dele contra Espanha e Arábia Saudita ajudaram Cabo Verde a chegar à fase eliminatória na estreia do país em Mundiais.

O desempenho na competição rendeu a Vozinha uma indicação ao Troféu Yashin, prêmio de melhor goleiro do ano. Depois, o número de seguidores dele no Instagram saltou de 56 mil para 28 milhões. O crescimento ocorreu após a Cazé TV promover um mutirão para aumentar os seguidores do jogador durante a cobertura da Copa.

Cabo Verde, arquipélago com cerca de 500 mil habitantes na costa oeste da África, avançou à fase eliminatória antes de ser eliminado pela Argentina por 3 a 2. A visibilidade repentina, no entanto, mudou a rotina do goleiro, que diz não conseguir controlar a exposição.

 

A rotina que virou assédio constante

"Perdi minha paz e tranquilidade. Não tenho mais privacidade", desabafou Vozinha em entrevista ao jornal britânico Observer. Ele finalizou contando até mesmo sobre uma situação que vem enfrentando em sua vida pessoal. “Vou a um restaurante e sempre tem alguém querendo tirar uma foto comigo ou pedindo um autógrafo. Ou pior ainda, alguém me filmando... Acho que não há nada que eu possa fazer a respeito.”, finalizou.

O momento em que percebeu a fama

A dimensão da popularidade só ficou clara para Vozinha durante uma entrevista na zona mista, logo após o empate com a Espanha, seleção que viria a ser campeã do torneio meses depois. Uma jornalista da Cazé TV mostrou o celular dela, que já registrava mais de um milhão de seguidores.

Impacto na família e na nova rotina

Fãs passaram a aparecer diariamente na casa da mãe de Vozinha, em Cabo Verde, embora o goleiro more fora do país. "Não estou lá, então não posso ajudá-los", disse ele, que deixou o Chaves, de Portugal, para jogar no Colo-Colo, do Chile, a partir de julho.

A distância física não aliviou a sensação de exposição constante que a fama trouxe. Questionado se voltaria à vida anterior, o goleiro não hesitou em responder.

A escolha entre fama e anonimato

“Muita gente quer ser famosa... mas só vê o lado positivo dessa realidade. Para ser sincero, se me oferecessem a vida que tenho hoje ou a vida que eu tinha antes, eu escolheria a que eu tinha antes.”, disse Vozinha.

A fala resume o contraste entre o reconhecimento internacional e o peso diário de não conseguir mais circular sem ser abordado. Mesmo com a indicação ao Troféu Yashin e o feito histórico de Cabo Verde na Copa, o goleiro segue tentando lidar com uma exposição que nunca buscou.

Reflexão e Filosofia

Hemingway deixou uma reflexão sobre as feridas da vida: "O mundo quebra a todos"

Ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1954.

07/10/2026 18h46

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Ernest Hemingway, romancista que marcou a literatura do século XX, deixou uma reflexão que atravessou quase um século: o mundo machuca todos nós. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1954 pelo domínio narrativo e pela influência duradoura sobre a prosa contemporânea. A frase que o tornou memorável transcende o pessimismo.

Em "Adeus às Armas", romance de 1929 ambientado na Primeira Guerra Mundial, a frase expressa que o mundo quebra a todos e que muitos se tornam fortes justamente nos lugares rotos. Ela continua ecoando entre leitores que reconhecem nela um retrato exato das próprias cicatrizes.

O significado por trás das palavras

Hemingway não nega o sofrimento. Ele parte dele: perdas, fracassos, desapontamentos e traumas deixam marcas e reorganizam a maneira como cada pessoa percebe a existência. O que distingue sua visão é a recusa em enxergar esses golpes como o fim da história.

A força "nos lugares quebrados" não significa redenção automática nem beleza extraída da dor. Significa que as cicatrizes se tornam parte permanente da trajetória de quem as carrega.

As cicatrizes permanecem visíveis, mas podem se transformar em ferramenta: ampliam a compreensão das experiências vividas, aprofundam a valorização dos laços construídos e preparam quem as carrega para enfrentar dificuldades futuras sob uma perspectiva radicalmente alterada.

A vida que moldou a obra

Nascido em 21 de julho de 1899, em Oak Park, Illinois, Hemingway começou como jornalista e correspondente de guerra antes de se firmar como romancista. Essa imersão em conflitos e devastação ajuda a explicar por que sua prosa é breve. Seus diálogos secos e suas cenas tensas capturam com precisão o vazio emocional e a dureza humana.

Obras como "Fiesta", "Adeus às Armas", "Por Quem os Sinos Dobram" e "O Velho e o Mar" consolidaram o nome de Hemingway na literatura.

O último romance lhe rendeu o Prêmio Pulitzer em 1953. Um ano depois, a Academia Sueca o laureou com o Nobel e celebrou sua maestria em narrar o invisível — aquilo que as pessoas guardam e raramente conseguem colocar em palavras.

Uma frase que não envelhece

Décadas após a publicação de "Adeus às Armas", a frase segue ganhando novos leitores. Não oferece solução nem promete alento fácil — oferece, sim, nomeação. Para quem vive com feridas que não desaparecem, ela funciona como testemunho de que a reconstrução não é fraqueza, mas caminho possível dentro da própria resistência.

Hemingway deixou um legado que vai além das letras: uma permissão silenciosa para quem está quebrado seguir em frente, reconhecendo que os lugares cicatrizados podem vir a sustentar os passos seguintes.

Astronomia

Astrônomos observam estrela devorando lentamente sua companheira em fenômeno raro

Quando um planeta se aproxima demais de sua estrela, o desfecho é rápido.

07/10/2026 18h20

Foto: Oliver Schröder/Pexels

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Astrônomos identificaram uma estrela pequena que remove, de forma lenta e contínua, material de uma anã marrom companheira. O sistema, chamado ZTF J0440+2325, fica a cerca de 300 anos-luz da Terra. Essa interação estelar, nunca antes observada, desafia o que se esperava desses encontros cósmicos.

Quando um planeta se aproxima demais de sua estrela, o desfecho é rápido: a estrela o engole por inteiro. Neste caso, porém, a transferência de material ocorre ao longo de bilhões de anos. A teoria previa que esse processo gradual pudesse acontecer, mas ninguém o havia testemunhado.

Um sistema fora do comum

A estrela pesa cerca de 85 vezes mais que Júpiter, enquanto a anã marrom equivale a 25 massas jupiterianas. Ambas são pequenas pelos padrões estelares e orbitam uma à outra a cada 87 minutos, em uma órbita tão compacta que caberia dentro do Sol.

Kevin Burdge, professor assistente de física do Massachusetts Institute of Technology, e o estudante de pós-graduação Aaron Householder trabalharam no estudo no Departamento de Ciências da Terra, Atmosférica e Planetária da instituição. Pesquisadores de várias outras instituições nos Estados Unidos e na Espanha também colaboraram no estudo.

Burdge explicou que o resultado abre perspectivas inesperadas. Em vez de engolir o objeto completamente, como ocorre na maioria dos casos, a estrela consegue consumi-lo gradualmente ao longo de bilhões de anos.

A descoberta pela Zwicky Transient Facility

O sistema foi identificado em dados coletados pela Zwicky Transient Facility, uma câmera instalada em um telescópio do Observatório Palomar, na Califórnia. O equipamento rastreia mudanças rápidas de brilho no céu, sinais típicos de supernovas. Burdge notou uma curva de luz incomum — um registro de como o brilho do objeto varia ao longo do tempo.

Enquanto uma supernova exibe uma curva suave em forma de sino, este objeto produzia repetidamente uma forma triangular aguda. Burdge disse ao Earth que se lembrava de olhar para a curva e pensar que estrelas não produzem ondas triangulares assim.

O padrão não correspondia ao comportamento conhecido de binários viúva-negra, sistemas onde uma estrela de nêutrons consome lentamente uma companheira bem menor, causando oscilações características no brilho observado.

Confirmação através da medição

Recentemente, Burdge e Householder apontaram vários telescópios para o sistema. Ao medirem a oscilação, descobriram que não se tratava de uma anã negra: era uma estrela de baixa massa orbitada por uma anã marrom. A amplitude da oscilação era pequena demais para ser qualquer outra coisa. Householder ressaltou que essa foi a prova decisiva do sistema.

As duas mantêm uma órbita estreita, que caberia dentro do Sol. A anã marrom perde aproximadamente um centésimo de milionésimo da massa da Terra para a estrela a cada ano. O material cai diretamente na superfície da estrela em alta velocidade, como um asteroide atingindo a lua. Esse processo contínuo e gradual é uma alternativa rara ao cenário cataclísmico comum nos encontros estelares próximos. Burdge explicou ao Earth que há um "hotspot" contínuo em um dos objetos. À medida que um orbita o outro, esse ponto quente entra e sai de vista e cria o padrão triangular observado.

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