O goleiro cabo-verdiano Josimar Dias, mais conhecido como Vozinha, de 40 anos, afirmou que trocaria a fama conquistada na Copa do Mundo deste ano pela vida anônima que levava antes do torneio. As defesas dele contra Espanha e Arábia Saudita ajudaram Cabo Verde a chegar à fase eliminatória na estreia do país em Mundiais.
O desempenho na competição rendeu a Vozinha uma indicação ao Troféu Yashin, prêmio de melhor goleiro do ano. Depois, o número de seguidores dele no Instagram saltou de 56 mil para 28 milhões. O crescimento ocorreu após a Cazé TV promover um mutirão para aumentar os seguidores do jogador durante a cobertura da Copa.
Cabo Verde, arquipélago com cerca de 500 mil habitantes na costa oeste da África, avançou à fase eliminatória antes de ser eliminado pela Argentina por 3 a 2. A visibilidade repentina, no entanto, mudou a rotina do goleiro, que diz não conseguir controlar a exposição.
A rotina que virou assédio constante
"Perdi minha paz e tranquilidade. Não tenho mais privacidade", desabafou Vozinha em entrevista ao jornal britânico Observer. Ele finalizou contando até mesmo sobre uma situação que vem enfrentando em sua vida pessoal. “Vou a um restaurante e sempre tem alguém querendo tirar uma foto comigo ou pedindo um autógrafo. Ou pior ainda, alguém me filmando... Acho que não há nada que eu possa fazer a respeito.”, finalizou.
O momento em que percebeu a fama
A dimensão da popularidade só ficou clara para Vozinha durante uma entrevista na zona mista, logo após o empate com a Espanha, seleção que viria a ser campeã do torneio meses depois. Uma jornalista da Cazé TV mostrou o celular dela, que já registrava mais de um milhão de seguidores.
Impacto na família e na nova rotina
Fãs passaram a aparecer diariamente na casa da mãe de Vozinha, em Cabo Verde, embora o goleiro more fora do país. "Não estou lá, então não posso ajudá-los", disse ele, que deixou o Chaves, de Portugal, para jogar no Colo-Colo, do Chile, a partir de julho.
A distância física não aliviou a sensação de exposição constante que a fama trouxe. Questionado se voltaria à vida anterior, o goleiro não hesitou em responder.
A escolha entre fama e anonimato
“Muita gente quer ser famosa... mas só vê o lado positivo dessa realidade. Para ser sincero, se me oferecessem a vida que tenho hoje ou a vida que eu tinha antes, eu escolheria a que eu tinha antes.”, disse Vozinha.
A fala resume o contraste entre o reconhecimento internacional e o peso diário de não conseguir mais circular sem ser abordado. Mesmo com a indicação ao Troféu Yashin e o feito histórico de Cabo Verde na Copa, o goleiro segue tentando lidar com uma exposição que nunca buscou.



