Conhecido por suas belezas naturais e povo receptivo, o Ceará ganhou o centro das atenções nos últimos dias após descoberta realizada por pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). O doutor em geologia pela instituição, Isaac Gomes de Oliveira, assinou empreitada que identificou cristais com propriedade relacionada à luz, façanha antes jamais vista em um mineral no mundo.
Utilizando um aparelho que ele mesmo criou ainda na graduação para avaliação de gemas, minerais de alto valor econômico, o pesquisador dirigiu o que pode ser uma das mais importantes descobertas da mineralogia moderna. Ao analisar cristais do Sertão Central cearense, identificou que os minerais coletados em Quixeramobim, quando atravessados pela luz, apresentam características visuais até então inéditas.

Os primeiros estudos comprovaram que a luz se propaga em várias direções de vibração simultaneamente, culminando em uma mistura de cores. Denominada de “mosaico” por Isaac, o azul, amarelo e roxo aparecem juntos com frequência nas análises. Embora esteja em processo de avaliação, tudo indica que a descoberta possa influenciar as novas tecnologias ópticas.
Impactos da descoberta no Ceará
Segundo o próprio pesquisador, o fenômeno amplia o entendimento em relação à estrutura atômica dos minerais e pode ter impacto direto em áreas como gemologia, cristalografia e física óptica, além de inspirar novas aplicações tecnológicas. O estudo contou com o auxílio de outros pesquisadores da UFC, Unicamp e da University of British Columbia (UBC), no Canadá.
“A descoberta da possível nova figura de interferência ‘mosaico’ nas grossulárias do Ceará representa um fenômeno sem precedentes na mineralogia. Pela primeira vez em cerca de 70 anos, observamos um fenômeno óptico que ainda não havia sido documentado: cristais com alto nível de ordem e desordem, causando uma sobreposição complexa de cores e padrões, algo que expande significativamente nosso entendimento da interação da luz com minerais”, explicou Isaac.

