Uma espécie rara de lagarta descoberta no Havaí, nos Estados Unidos, tem chamado a atenção de cientistas por um comportamento incomum no mundo dos insetos. O pequeno animal, encontrado apenas na ilha de Oahu, recebeu o apelido de “coletora de ossos” pelo hábito de se alimentar de outros insetos presos em teias de aranha e usar os restos das vítimas para decorar o próprio corpo.
O inseto rasteja cuidadosamente pelas teias, aproveitando presas capturadas pelas aranhas. Depois de se alimentar, a lagarta utiliza sua seda para construir uma espécie de casulo portátil e fixa nele partes dos corpos dos insetos, como cabeças de formiga e asas de mosca. O resultado é uma “armadura” incomum que chama a atenção pela aparência um tanto quanto macabra.
Segundo pesquisadores, essa cobertura pode funcionar como uma forma de camuflagem. Ao se misturar aos restos de presas deixados na teia, a lagarta consegue circular pelo local sem despertar a atenção da aranha. Dessa forma, ela aproveita a comida capturada pelo predador sem se tornar a próxima vítima.
Cientistas estudam lagarta havaiana que tem hábito macabro
O entomologista Dan Rubinoff, da Universidade do Havaí em Manoa e autor do estudo, afirma que existem outras lagartas carnívoras no mundo, mas poucas apresentam comportamentos tão peculiares. Algumas espécies havaianas já são conhecidas por construir cascas protetoras com areia, líquen ou pedaços de plantas, porém esta é a primeira registrada utilizando partes de outros insetos.
As descobertas foram publicadas recentemente na revista científica Science. Em mais de duas décadas de observação, os cientistas encontraram apenas 62 exemplares dessa lagarta predadora. O grupo existe há pelo menos 6 milhões de anos e hoje sobrevive em uma área isolada de floresta montanhosa em Oahu, o que aumenta a preocupação dos cientistas com a preservação da espécie diante das ameaças ambientais e de predadores.


