De acordo com a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), aproximadamente 28% da população brasileira possui hipertensão. Essa doença é caracterizada por exigir maior esforço do coração para bombear o sangue, sendo uma das principais causas de infartos. Curiosamente, um estudo lançado evidenciou os perigos do problema persistirem à noite.
Conforme o estudo “Nocturnal Hypertension and Cardiovascular Events: Risk Thresholds and Prognostic Value”, publicado no American Journal of Preventive Cardiology, a hipertensão noturna aumentou de forma independente o risco de eventos cardiovasculares. Nele é ressaltada a importância de averiguar a pressão durante o sono quando há suspeita de alteração fora do padrão.
Na prática, a pressão tende a cair durante o sono em condições normais, fator que tranquilizaria os especialistas se o caminho contrário não fosse tão latente. Sobretudo, em casos mais sérios, é possível que, ao deitar, o coração e os vasos continuem sob esforço, quando deveriam estar mais “relaxados”. Por consequência, os riscos cardiovasculares aumentam.
Ao deitar, a pressão pode subir mediante a diversos fatores, como o excesso de sal no jantar, bebida alcoólica à noite, ganho de peso, estresse acumulado e má qualidade do sono. Essas são as causas mais comuns que caracterizam a hipertensão noturna. Por outro lado, a apneia também merece ser destacada, já que aumenta a pressão durante a madrugada, muitas vezes sem sinais claros.
Sintomas podem indicar o pior
Embora muitos alertas sejam silenciosos, é importante observar com cautela a mudança de comportamento do corpo à noite. Em resumo, a doença crônica pode ser retratada por meio de dores de cabeça ao acordar, visão embaçada, falta de ar, palpitações e roncos intensos com pausas na respiração. Por outro lado, há ainda cenários mais delicados.
Para uma melhor compreensão, é imprescindível procurar atendimento médico quando a pressão estiver muito elevada, principalmente em valores acima de 180/120 mmHg, com dor no peito, falta de ar, fraqueza e dormência. Além disso, os sinais preocupantes são indicados também com a alteração visual ou dificuldade para falar.
Como fazer a pressão baixar antes de dormir?
Ainda que a busca por um profissional adequado seja a prioridade, alguns comportamentos podem tornar sua noite de sono mais agradável e menos danosa. Para que a hipertensão não assuma o protagonismo durante as noites, é importante evitar excesso de sal no jantar, reduzir ou cortar bebida alcoólica no período noturno e jantar mais cedo e de forma leve.
Em continuidade, especialistas indicam manter o peso em faixa saudável, praticar atividade física regular e cuidar do sono, investigando o ronco ou apneia. De modo geral, essas dicas não substituem os tratamentos necessários, mas servem como uma estratégia para reduzir os danos. Portanto, ao identificar alterações no corpo, é imprescindível dirigir-se a um hospital.


