Um material criado há quase quatro décadas voltou a ganhar espaço na construção civil e já é apontado por especialistas como uma alternativa capaz de reduzir emissões de carbono em larga escala. Conhecido como hempcrete, o biocompósito produzido a partir de cânhamo industrial e cal vem conquistando espaço em projetos sustentáveis por combinar isolamento térmico, controle de umidade e capacidade de sequestrar carbono da atmosfera.
Desenvolvido na França em 1986, o hempcrete passou por estudos conduzidos por instituições como a University of Bath e a Université de Picardie Jules Verne. As pesquisas avaliaram desempenho térmico, acústico e resistência ao fogo do material. Os resultados mostram que o biocompósito ajuda a manter temperaturas internas mais estáveis do que o concreto e melhora o conforto dos ambientes, reduzindo a necessidade de aquecimento ou refrigeração artificial.

Apesar dos benefícios, o hempcrete não substitui o concreto estrutural tradicional. O material apresenta baixa resistência à compressão e funciona principalmente como preenchimento e isolante, o que exige suporte de estruturas de madeira ou aço para sustentação das construções. Sua principal vantagem está ligada à eficiência energética e ao menor impacto ambiental durante o ciclo de vida do edifício.
Material hempcrete ganha cada vez mais espaço na Europa
Outro diferencial é a capacidade de captura de carbono. Estudos indicam que o cânhamo absorve dióxido de carbono durante o cultivo, enquanto a cal continua retirando CO₂ da atmosfera ao longo dos anos por meio do processo de carbonatação. Em determinadas aplicações, o hempcrete pode sequestrar mais carbono do que gera em sua produção, característica rara no setor da construção civil.
Mesmo com osresultados positivos, o avanço do material ainda enfrenta desafios regulatórios. Durante anos, a falta de normas técnicas dificultou aprovação de projetos, uso por engenheiros e aceitação por seguradoras. Nos últimos anos, no entanto, mudanças em regulamentações e inclusão em códigos de construção começaram a ampliar o espaço do hempcrete em países que buscam reduzir emissões e acelerar metas de sustentabilidade, especialmente na Europa.

