Pacientes com câncer de próstata atendidos por planos de saúde no Brasil passaram a ter direito à cobertura obrigatória da cirurgia robótica, considerada uma das tecnologias mais avançadas para o tratamento da doença. A mudança entrou em vigor no dia 1º de abril e amplia o acesso a um procedimento que, até então, era realizado principalmente na rede particular.
A inclusão da prostatectomia radical assistida por robô no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde ocorreu após a recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. A técnica já havia sido indicada também para utilização no sistema público, embora a oferta ainda dependa da disponibilidade de equipamentos especializados nos hospitais, fator que limita o acesso atualmente
O procedimento utiliza plataformas robóticas controladas por cirurgiões para realizar movimentos mais precisos durante a retirada da próstata. Além da precisão, a tecnologia oferece visão tridimensional ampliada da área operada, permitindo maior preservação de nervos e estruturas próximas ao órgão. Isso pode contribuir para reduzir complicações e efeitos colaterais após a cirurgia.
Planos de saúde incluem cirurgia robótica para pacientes
Segundo o urologista Bruno Benigno, especialista dos centros de urologia e oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a cirurgia robótica pode ser indicada inclusive para pacientes com condições clínicas mais complexas, como obesidade severa, diabetes descompensada e alto risco cardiovascular. O médico afirma já ter realizado mais de 1,5 mil procedimentos utilizando a tecnologia.
Apesar do avanço, especialistas ainda apontam que existem desafios para ampliar o acesso no país. A cirurgia robótica chegou ao Brasil em 2008 e hoje existem cerca de 157 consoles instalados nacionalmente, número considerado baixo diante da alta demanda. Além da expansão dos equipamentos, cresce a necessidade de formar mais profissionais capacitados para operar a tecnologia nos próximos anos.