Um estudo realizado por cientistas da NASA em parceria com pesquisadores brasileiros acendeu um alerta sobre a situação das reservas subterrâneas de água no Brasil. A pesquisa aponta que aquíferos essenciais para o abastecimento e para a agricultura vêm sofrendo perdas significativas nas últimas duas décadas.
Publicado no periódico Science Advances, o levantamento analisou o comportamento das águas subterrâneas entre 2002 e 2023. Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram inteligência artificial para cruzar informações de satélites, medições em poços, dados geológicos e registros de uso da água em todo o território nacional. O objetivo foi criar um retrato detalhado das mudanças ocorridas em uma área de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

Segundo os cientistas, diversos fatores estão contribuindo para a redução dos estoques subterrâneos, entre eles as secas prolongadas, o desmatamento, a expansão da agricultura, a mineração e o aumento da extração de água. Atualmente, os aquíferos respondem por cerca de 55% do abastecimento hídrico do Brasil, o que torna a preservação desses reservatórios ainda mais estratégica para o país.
Brasil fica em alerta após estudo divulgado pela NASA
Os dados obtidos pelas missões de satélite GRACE e GRACE Follow-On mostram que regiões da bacia amazônica apresentaram grandes oscilações sazonais, influenciadas pelas chuvas e pelas cheias dos rios. Por outro lado, áreas do centro e do leste do Brasil, marcadas pela expansão agrícola e pelo uso intensivo da terra, registraram um processo mais grave e persistente de esgotamento das águas subterrâneas, com dificuldades crescentes de reposição natural.
A conclusão dos pesquisadores é preocupante. O Brasil começa a apresentar padrões de perda de água subterrânea semelhantes aos observados em países como Estados Unidos, Índia, Irã e Bangladesh, onde a exploração excessiva dos aquíferos já provoca impactos ambientais e econômicos expressivos. O estudo reforça a necessidade de políticas de gestão sustentável para evitar que a redução das reservas comprometa o abastecimento e a produção agrícola nas próximas décadas.
