Na data do Dia Mundial de Combate à Desertificação, a ONU reforçou o alerta sobre a importância de campos naturais, savanas e pastagens. Esses ambientes ocupam quase metade da superfície terrestre e sustentam bilhões de pessoas. O organismo chama atenção para a degradação progressiva que avança de forma pouco visível.
Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), essas áreas chamadas de rangelands incluem savanas, zonas de montanha e regiões de pastoreio. Elas dependem do equilíbrio entre solo, vegetação e água para se manterem produtivas. Também têm papel relevante no armazenamento de carbono.
Desertificação e impactos ambientais
A ONU aponta que até metade dessas paisagens abertas já apresenta algum nível de degradação ou risco crescente. O processo envolve perda de cobertura vegetal, uso intensivo do solo e efeitos combinados das mudanças climáticas. Com isso, a capacidade produtiva do terreno diminui ao longo do tempo.
Esse enfraquecimento do solo afeta diretamente a retenção de água e a fertilidade natural. Em cadeia, surgem impactos na produção de alimentos e na estabilidade de comunidades rurais. A vulnerabilidade a períodos de seca também se torna mais intensa e recorrente em diferentes regiões do planeta.
Brasil e biomas sob pressão
No Brasil, biomas como Cerrado, Caatinga, Pampa e áreas associadas ao Pantanal concentram parte importante desses ecossistemas. O avanço da agropecuária e a mudança no uso da terra ampliam a pressão sobre o solo e os recursos hídricos. A conservação desses ambientes entra no centro do debate ambiental.
Dados recentes de monitoramento ambiental, como os reunidos por iniciativas como o MapBiomas Água, mostram oscilações na disponibilidade hídrica em diferentes regiões. Programas públicos também têm sido estruturados para reduzir a degradação e recuperar áreas sensíveis, especialmente em zonas semiáridas.
A recuperação dessas paisagens é tratada por organismos como a FAO como parte da estratégia de segurança alimentar e climática. Estudos internacionais indicam que investimentos em restauração de pastagens naturais podem gerar alto retorno econômico e ambiental. Isso inclui maior retenção de água e recuperação do solo.