Muito antes da popularização dos suplementos de colágeno e dos cosméticos voltados ao combate do envelhecimento, era comum que as refeições preparadas pelos avós aproveitassem praticamente todas as partes dos animais. Caldos feitos com ossos, carnes de cozimento lento, pés de galinha, pele suína e outras receitas tradicionais faziam parte da alimentação diária e, embora o objetivo fosse evitar desperdícios, esses alimentos também eram naturalmente ricos em colágeno.
Atualmente, o interesse por essa proteína cresceu devido ao seu papel na manutenção da pele, dos ossos, das cartilagens, dos tendões e dos ligamentos. Especialistas explicam que o colágeno é a proteína estrutural mais abundante do organismo humano, sendo responsável por dar sustentação e resistência aos tecidos. Entre os 28 tipos conhecidos, o colágeno tipo 1 representa cerca de 90% do total presente no corpo.
Produção natural diminui com o passar dos anos
Embora o organismo seja capaz de produzir colágeno a partir de aminoácidos obtidos na alimentação, esse processo se torna menos eficiente ao longo da vida. A partir dos 25 anos, a produção tende a diminuir gradualmente, e fatores como envelhecimento, menopausa, exposição excessiva ao sol, tabagismo, estresse e alimentação desequilibrada podem acelerar essa redução.
Com menos colágeno disponível, é comum que surjam alterações como perda da firmeza da pele, redução da elasticidade, enfraquecimento das articulações e maior desgaste dos tecidos conjuntivos. Por isso, manter uma alimentação rica em nutrientes que favoreçam essa produção tem ganhado espaço entre as recomendações para um envelhecimento saudável.
Mudanças na alimentação reduziram o consumo de colágeno
Nas últimas décadas, os hábitos alimentares passaram por uma grande transformação. Até meados dos anos 1970, era comum consumir cortes que incluíam pele, cartilagens, tutano e outras partes menos valorizadas atualmente. Com o tempo, a preferência dos consumidores migrou para carnes mais magras e de preparo rápido, enquanto alimentos industrializados ganharam espaço nas refeições.
Essa mudança acabou reduzindo a ingestão natural de colágeno, já que essa proteína está presente apenas em alimentos de origem animal, principalmente nos tecidos conjuntivos. Caldos preparados com ossos, rabos, pés, asas e carnes com pele continuam sendo algumas das principais fontes naturais desse nutriente.
Alimentação equilibrada também estimula a produção da proteína
Mesmo para quem não costuma consumir alimentos tradicionalmente ricos em colágeno, é possível favorecer sua produção por meio de uma dieta equilibrada. O organismo depende de vitaminas, minerais e aminoácidos para sintetizar essa proteína de forma eficiente.
Frutas cítricas, frutas vermelhas, pimentão, espinafre, alho, brócolis e outras hortaliças fornecem vitamina C, nutriente essencial para a formação do colágeno. Além disso, leguminosas, oleaginosas e grãos integrais contribuem com proteínas e minerais importantes para esse processo.
Dessa forma, especialistas ressaltam que não existe um único alimento responsável por preservar a pele ou fortalecer as articulações. A combinação entre fontes naturais de colágeno e uma alimentação variada, rica em nutrientes que auxiliam sua produção, pode representar uma estratégia mais eficiente para manter a saúde dos tecidos ao longo do envelhecimento.


