Considerado o sexto país que mais consome carne no mundo, o Brasil pode sofrer uma alteração drástica no curso de seu comércio. Embora bovinos e suínos sejam as principais espécies realocadas para o abate, a proteína derivada do jumento tende a ser presença marcante na mesa da população. Isso porque uma decisão da Justiça Federal assegurou a legalidade do abatimento desses animais.
No dia 5 de novembro de 2025, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região reconheceu que os abates feitos na indústria frigorífica, certificada com Serviço de Inspeção Federal (SIF), ocorrem dentro dos padrões sanitários e de bem-estar animal regulamentados pela legislação vigente e passam por constante inspeção do Ministério de Agricultura e Pecuária.

Como resultado do aval em relação ao abatimento dos jumentos, a tendência é que novos investidores comerciais encurtem os diálogos com empresários brasileiros. Nesse ínterim, especialistas acreditam que a medida irá favorecer a formação de uma cadeia produtiva, sem tirar os bovinos e suínos do roteiro comercial.
Em contrapartida, segundo o zootecnista e produtor pecuário, Alex Bastos, a prática em questão tende a reduzir o número de animais abandonados. “Como nunca se estabeleceu uma pecuária dos jumentos e seu uso foi perdendo utilidade nas atividades de transporte, muitos animais são abandonados nas estradas e em campos”, explica.
Polêmica sobre o consumo da carne de jumento ganha novo capítulo
Enquanto alguns criadores comemoram a possibilidade de comercializar a carne para benefício financeiro próprio, especialistas ligam o sinal de alerta. Em suma, a demanda chinesa pelo colágeno encontrado logo abaixo da pele desses animais tem provocado uma redução da espécie em vários países, inclusive no Brasil.
O processo de extinção dos jumentos escalou de uma forma a fazer com que o abate seja revisto pelas autoridades. A título de curiosidade, entre os anos de 1996 e 2025, mais de um milhão de jumentos foram mortos no Brasil. Como resultado da façanha, o número saiu de 1,37 milhão para pouco mais de 78 mil, correspondendo a uma redução de 94%.





