Em meados de 2023, às vésperas de completar 24 anos de carreira junto à Rede Globo, o narrador esportivo José Francischangelis Júnior, mais conhecido como Jota Júnior, foi surpreendido com a notícia de sua demissão. Como resultado de 30 meses sem conseguir embarcar em uma nova jornada, optou, em agosto deste ano, por decretar a sua aposentadoria.
Diante da dispensa da maior emissora televisiva do país, o comunicador tentou se aventurar em novos ares, mas sem sucesso algum. Assim, contra a própria vontade, pendurou o microfone das locuções em definitivo aos 76 anos. O detalhe curioso é que sua imersão no mundo das narrações chamou a atenção do público durante cinco décadas.

Natural de Americana, o jornalista começou sua trajetória por meio das rádios do interior de São Paulo, até despertar a atenção da Gazeta e Bandeirantes. Com a projeção para a líder de audiência, trabalhou nos bastidores da Globo entre os anos de 1999 e 2023. O problema é que seu ciclo foi encerrado pouco após o fim da pandemia do Coronavírus.
Nesse período, Jota Júnior se deparou com o quadro de profissionais sendo renovado, incluindo a não renovação de Galvão Bueno. Por consequência, a empresa fundada por Roberto Marinho se adaptou à dinâmica digital, anunciando a chegada de jornalistas mais novos e que apresentam afinidade para serem realocados ao streaming.
Longo desabafo do ex-Globo chama a atenção
Anteriormente, perseguido pelo sentimento de não pertencimento, o renomado comunicador publicou longo texto emotivo falando sobre os preconceitos por apresentar idade avançada. Sem medo de retaliações, externou mágoas por ter tido o ego ferido ao longo do processo. No entanto, reforçou a entrega que depositou durante sua profissão.
Confira abaixo o texto na íntegra:
“Quando me perguntam por que não volto a narrar, são 30 meses já, reitero que é muito importante saber a hora de parar. Primeiramente que os convites quase desaparecem por causa do etarismo e da filosofia correta de renovar o quadro de narradores, depois vem a autoavaliação e o reconhecer que a garganta não é mais a mesma, o fôlego, a rapidez no raciocínio, o pique para as maratonas de viagens e tudo mais.
E aí vem a conclusão de que chegou a hora. A dinâmica numa transmissão é incrível. Exige muito da cabeça. Transmitir ao vivo não tem script. Puro e total improviso. Atenção extrema. Confesso que hoje não estaria apto a desenvolver um trabalho com a quase perfeição que se exige”, completou o narrador na publicação apagada.
Em resumo, passaria vergonha, comprometeria a jornada e burlaria a expectativa do telespectador. Além do nosso ego, que seria violentamente agredido. Não é só abrir o microfone e falar. Temos que ter responsabilidade e respeito a quem nos defere com sua audiência. Passou. Foi bom enquanto a mente e o físico correspondiam”, escreveu o ex-narrador.





