A Ilha de Marajó, localizada no Pará, é considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo. Apesar de sua complexidade e desníveis sociais evidentes, alguns detalhes chamam a atenção de turistas e autoridades. Isso porque a Polícia Militar encontrou, de maneira inusitada, uma forma de patrulhar regiões de difícil acesso.
Destoando dos meios convencionais, os agentes passaram a utilizar búfalos para policiar grande parte da Ilha de Marajó. Isso porque parcela da região fica alagada durante o inverno amazônico, período em que as estradas de terra viram lama e veículos não conseguem circular. Diante dos entraves, os animais fortes, resistentes e acostumados com o terreno pantanoso tornaram-se grandes aliados.

A título de curiosidade, esses animais se locomovem com facilidade por áreas onde carros e motos atolam. O detalhe ainda mais interessante é que a ilha abriga o maior rebanho de búfalos do Brasil. De acordo com especialistas, em 1890, um fazendeiro de Soure, chamado Vicente Chermont de Miranda, em viagem pela Itália, comprou e trouxe consigo alguns mamíferos para Marajó.
Analisando a versatilidade dos animais no país europeu, não demorou para que as mesmas práticas fossem implementadas no Pará. Imitando as práticas de policiais italianos, agentes militares da Ilha de Marajó, em 2021, oficializaram a criação da Seção de Policiamento Montado em Búfalos. Nesse contexto, além de garantir a segurança das comunidades isoladas, tornou-se símbolo da cultura regional.
Para uma melhor compreensão, a atividade foi reconhecida como patrimônio imaterial do Estado do Pará, reforçando a ligação entre a tradição local e o trabalho policial. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado tinha cerca de 620 mil cabeças (cerca de 40% do total nacional) em 2021, das quais mais de 430 mil estavam apenas na ilha do Marajó.
Como os búfalos são usados na ronda da PM?
Curiosamente, o 8º Batalhão da Polícia Militar do Pará, em Soure, é o único do país a adotar o uso de búfalos como modalidade de policiamento. Ainda que o rebanho seja o maior do Brasil, os animais são doados por fazendeiros, que chegam à unidade ainda pequenos para se adaptarem ao local e aos agentes de segurança.
Embora a metodologia não seja nada convencional, esses animais que atuam em prol do batalhão são utilizados em dois tipos de situações. Em resumo, na cidade, o policiamento montado em búfalos serve para orientar e receber denúncias da população e dos turistas. Por outro lado, na região de campos alagados, são usados para fazer ronda e deslocamento.





